Uma Breve Linha do Tempo da Música dos Vídeo Games: 1980-1985 (Parte 1)
1980
Insultando Berzerkers
A manufaturadora Stern introduz o novo shooter inovador chamado Berzerk, que estrela o módulo de sintetizador de voz mais reconhecível da era dos arcades antigos: “Pegue o humanóide!” “Alerta de intruso! Alerta de intruso!” “O humanóide não deve escapar!” “Frango! Lute como um robô!” Inexplicavelmente, os jogadores parecem adorar serem zoados e insultados por uma máquina e continuam a alimentá-la de dinheiro. O mercado dos sistemas operacionais da Microsoft nasce.
Clipes de vídeo: Berzerk
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Surge o Pac-Man
O vídeo game mais popular de todos os tempos (em termos de pura e sem consciência cultura pop) faz a sua estréia, com mais de 100.000 unidades enviadas somente para os Estados Unidos. O jogo ostenta muitos elementos sonoros e musicais memoráveis. A música de abertura é uma de poucas melodias de vídeo games a penetrar a cultura pop inconscientemente. Considere a voraz, insaciável comilança de pontos – é esse o som do consumismo sendo debochado? Também considere o som o Pac-Man morrendo (desaparecendo), que tornou-se um som de derrota universalmente aceito.
Febre do Pac-Man
A música dos vídeo games chega aos gráficos pop: os músicos de Atlanta Jerry Buckner e Gary Garcia parodiaram a música da banda Ted Nugent “Cat Scratch Fever”, e transformaram em “Pac-Man Fever”. Parte da letra: “I’ve gotta callus on my finger/And my shoulder’s hurtin’ too/I’m gonna eat ‘em all up/Just as soon as they turn blue”. A música chega ao nono lugar na parada de singles dos Estados Unidos. Um próximo álbum surge com músicas dedicadas a Frogger, Centipede, Donkey Kong, Asteroids, Defender, Mousetrap, e Berzerk. Buckner e Garcia relançaram a trila sonora de Pac-Man Fever em 1999.
Clipes de som: Pac-Man Fever
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Chega o Defender
Um shooter com srolling lateral da Williams, Defender rivaliza Pac-Man pelo posto de jogo de arcade mais popular do seu tempo, com mais de 5.000 unidades vendidas ao redor do mundo. Apesar de ser limitado pelo amplificador mono de um canal, Defender apresenta um design de som cheio e caótico. Os constantes tiros e empurrões do jogo, com alienígenas explodindo subseqüentes, criam um efeito de “parede de barulhos” que adiciona muito a dinâmica intensa do jogo.
1981
Cantiga do Donkey Kong
O game de arcade da Nintendo de grande sucesso apresenta outro design de som vencedor. O próprio Shigeru Miyamoto criou a música em um pequeno teclado eletrônico.
Clipes de vídeo: Donkey Kong
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Tempest: Som e Fúria
Primeiro jogo com vetores de cores da Atari, Tempest, chega aos arcades e, fazendo jus ao nome, rivaliza a “parede de barulhos” do game Defender com seu esquema de som implacável. Tempest foi uma das primeiras máquinas a usar o chip POKEY da Atari, a qual possui como função primária gerar som. O chip possui quatro canais separados, e os valores de passo, volume e distorção de cada canal podem ser controlados individualmente. Tempest utiliza dois chips para um total de oito “vozes”, organizadas em infinitas combinações. A Atari lança uma trilha sonora separada para o game, identificada pelo museu de vídeo games online I.C. When (www.icwhen.com) como a primeira trilha sonora musical independente na indústria dos vídeo games.
Link para a matéria original: http://www.gamespot.com/gamespot/features/video/vg_music/p3_01.html
Uma Breve Linha do Tempo da Música dos Vídeo Games: Os Dias Antigos
1972
Magnavox Odyssey Lançado
O primeiro console doméstico, Magnavox Odyssey, é lançados nos Estados Unidos. Porém, o sistema analógico é completamente silencioso.
Pong Ouvido ao Redor do Mundo
Nolan Bushnell testa o seu novo protótipo de vídeo game, Pong, no bar do Andy Capp, em Sunnyvale, California. O arcade como conhecemos acaba de nascer. Os sonde de bipes, que são gerados quando a bola digital é rebatida provam ser estranhamente atraentes e, de certa maneira, hipnóticos.
1974
Simon Diz
Milton Bradley lança Simon, um dos jogos mais populares de todos os tempos. Simon joga padrões usando quatro tons separados e quatro cores diferentes. Você repete os padrões; então uma nova nota é adicionada toda rodada. Naquele sentido, Simon foi o primeiro jogo a incorporar música como um elemento de jogo – com um jeito meio jazz de ser.
1975
Tiros Ouvidos ao Redor do Mundo
A empresa Midway HGames importa o game Gunfight da empresa japonesa Taito. Gunfight é o primeiro game a usar um microprocessador (ao invés de circuitos de hardware). Um amplificador de um canal cria sons de tiro mono.
1977
Atari Chega às Casas
O Sistema de Vídeo-Computador Atari (VCS, em inglês) chega às prateleiras na temporada do natal. Nove cartuchos de jogos estão disponíveis junto ao lançamento do sistema, e os sons de uma geração nascem. Os efeitos de som irregulares e primitivos no VCS (depois conhecido como 2600) ainda são diferentes de tudo a vir um dia em uma televisão. Pontos principais: Os tanques de Combat; o ritmo bip-bop-bip de Breakout; o silêncio sinistro de Adventure.
1978
Invasão Espacial
Midway importa Space Invaders da Taito. Um grande exemplo de efeitos de som simples e efetivos, Space Invaders deve uma grande parte de sua aparência à sua trilha sonora ameaçadora e indutora de paranóia. Não a música por si, a música retumbante na verdade aumenta o ritmo enquanto os invasores inimigos chegam mais perto (e movem mais rápido). O efeito: suor, pânico, e aumento de pressão sanguínea em uma geração de gamers.
Clipes de som: Space Invaders
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1979
Chega o Asteroids
O game do Atari, Asteroids chega aos arcades, e como o Space Invaders, emprega um ritmo retumbante e repetitivo que aumenta enquanto o gameplay se intensifica. Os tiros de laser perfurantes, asteróides explodindo, e as rajadas de alta freqüência do OVNI inimigo é adicionada à tensão sônica. Mais um ótimo, antigo design de som.
Clipes de som: Asteroids
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Baseball Introduz Palavras
O primeiro jogo falante a aparecer à arena dos consoles domésticos, Major League Baseball para o sistema Intellivision, estrelou uma voz gerada por computador com um vocabulário lamentavelmente limitado: “strike”, “bola”, “fora”, e por aí vai. Comentários falados continuariam a aparecer como um element de rigor nos games de esportes.
Link para a matéria original: http://www.gamespot.com/gamespot/features/video/vg_music/p2_01.html
Uma Breve Linha do Tempo da Música dos Vídeo Games: Introdução
Bom, como disse em outro post, quando publiquei a matéria original, traduziria as páginas da matéria, e as publicaria. Então, hoje começo a fazer isso, e disponibilizo a primeira página, a de introdução. Pretendo publicar uma página por dia, se possível. Então, aproveitem!
Introdução
Como com os filmes, televisão, e outros meios visuais primários, o som e a música são, frequentemente, os elementos esquecidos no design de games. Isso pode acontecer porque o som afeta o jogador mais sutilmente do que belos visuais ou gameplay superveloz. Na verdade, muitas vezes a marca do design de áudio superior é a que você quase não nota conscientemente. Ao invés disso, ele funciona em você subconscientemente – aumentando a tensão, manipulando o humor, e te desenhando no mundo do game de maneira perceptível, mas inexoravelmente.
Considere os ambientes sinistros de Resident Evil,os efeitos que compõem a tensão e o horror que você sente enquanto aqueles implacáveis zumbis mastigam os seus companheiros do Alpha Team. Até os primeiros jogos, como Space Invaders, ganharam grande parte da sua aparência viciante por entrar na sua mente com esquemas de som repetitivos e retumbantes. Enquanto os alienígenas ficam mais rápidos e mais próximos, a música fica mais rápida e mais alta. Sugestões musicais e visuais propriamente concebidos trabalham juntos para produzir uma experiência melhor do que a soma de suas partes.
Gamers dedicados vieram apreciar apenas como bons sons e músicas podem ser integrais para a total experiência do game. Os primeiros clássicos de árcade, como Pac-Man e Defender invocaram esquemas soberbos de sons digitais para nos criar melodias, cantigas, bips e zumbidos que nunca ouvimos antes. Com a introdução das eras de 16-bit e 32-bit e as capacidades de expansão do CD-ROM, o game áudio foi para a realidade da verdadeira composição. A trilha sonora dos games agora constitui sua própria categoria em lojas de CDs, tanto online quanto offline. A corrente principal de polinização sempre continua, desde a “Febre do Pac-Man” até o fenômeno recente dos artistas do techno e do rock que contribuem para a trilha sonora dos games.
No ano de 2000, a Academia Nacional de Gravação das Artes e Ciências(NARAS, na no idioma original) decidiu que deixaria games interativos competissem no Grammy anual. Defensores individuais dentro da indústria de música nos games estão fazendo pressão para uma categoria específica dos vídeo games no futuro. Até agora, entretanto, nenhum grupo organizado de pressão teve avanços, de acordo com um porta-voz da NARAS. Do jeito que está agora, compositores individuais ou selos de gravação podem enviar trilhas sonoras de games independentemente em uma das três categorias seguintes: Melhor Disco de Trilha Sonora; Melhor Música; ou Melhor Composição de Música Instrumental para Filme, Televisão, ou Outras Mídias Visuais.
Enquanto a tecnologia progride e o game design continua a evoluir, o game áudio promete ser uma área fértil de criação e crescimento.
O primeiro vídeo game, alas, não tinha qualquer componente de som. Em 1958, William Higinbotham, um engenheiro do Brookhaven National Laboratory, um centro de pesquisas nucleares dos Estados Unidos, criou um jogo cru, parecido com tênis, em um osciloscópio. Cinco anos depois, Spacewar! – um protótipo de jogo do estudante do MIT Steve Russel – estrelou duas espaçonaves duelando, controladas pelo giro de interruptores. Foi criada no computador desajeitado PDP-1, um mainframe de US$120,00 no tamanho de um carro. De qualquer maneira, era silencioso.
Eventualmente, as coisas começaram a ficar interessantes. Então, começamos uma “rolagem” pela breve linha do tempo do áudio e música dos vídeo games.
Agradecimentos especiais a Steven Kent, autor de The first quarter: A 25-Year History of Video Games, e Donald A. Thomas, webmaster do museu online de vídeo games I.C. When (www.icwhen.com).
Link para a matéria original: http://www.gamespot.com/gamespot/features/video/vg_music/index.html
Hipermídia e Narratividade em Games: Elementos formais do jogo
Hipermídia e Narratividade em Games
A matéria de hipermídia e narratividade em games é ministrada pelo Prof. Ms. Alexandre Santaella Braga, em módulo único. Sempre que possível, farei um pequeno resumo das aulas, com exemplos e, se possível, ligações externas. No primeiro post, falarei sobre os elementos formais do jogo, e explicarei um pouco sobre cada um deles.
Elementos formais do jogo
Existem seis elementos formais de um jogo. Mas, o que são eles? Os elementos formais são aqueles elementos que fazem com que o jogo seja um jogo, aqueles elementos que, se não existirem, o jogo não pode ser criado. E não se limita apenas aos jogos digitais, mas a todos os jogos, sejam eles de tabuleiro, de cartas, etc. Enfim, os elementos formais são: Primeiramente o jogador, as regras/limites, o objetivo, os procedimentos, os recursos e o resultado. Então, vamos explicar um pouco sobre cada um deles.
Jogador
O jogador, obviamente, é aquele que controla o personagem, e faz com que o jogo funcione, afinal, um jogo sem jogador é uma tela parada.
Regras/Limites
As regras são as particularidades de um jogo. As regras de um jogo de FPS (First Person Shooter), por exemplo, são diferentes das regras de um jogo de cartas. As regras definem o jogo, o fazem se encaixar em certa categoria, e define as diferenças entre dois jogos. Por exemplo, dois jogos e corrida: Need for Speed e Midnight Club. Pelas regras do Need for Speed, o jogador não pode sair dos limites da pista durante a corrida. Já no Midnight Club, se o jogador errar uma curva, sai da pista e chega até qualquer outro ponto da cidade. E, já utilizando o exemplo dos jogos de corrida, podemos definir os limites. Os limites são a área do jogo, por exemplo, as quatro linhas de um campo de futebol. A partir do momento que o jogador ultrapassa o limite, ele não está mais jogando. E, o limite divide-se em duas categorias: o limite conceitual, e o limite físico. O limite conceitual é uma regra, um limite abstrato. Voltando ao exemplo dos jogos de corrida, é como um jogo no qual, ao entrar na contramão, o próprio jogo gira o carro, fazendo com que ele volte ao sentido correto. Já o limite físico é um limite concreto, visível, por exemplo, uma porta fechada, ou as bordas da pista.
Objetivo
O objetivo é o grande diferencial do jogo. Se não há um objetivo, então aquilo não é um jogo, e sim um ambiente navegável. O jogador precisa ter uma motivação para continuar jogando, um local para alcançar, o castelo do senhor das trevas, por exemplo. Todo o jogo gira em torno de um objetivo principal, além de objetivos secundários.
Procedimentos
Os procedimentos são as formas de se jogar. No caso dos games, existem dois procedimentos: os games em turnos, e os games em tempo real. Nos games em turnos, são exigidas do jogador a estratégia, e a previsão das jogadas do oponente. Já nos games em tempo real, são exigidos o timing, a coordenação motora, e os reflexos. E, nos games em tempo real, temos a divisão entre primeira e terceira pessoa. E com essa divisão vemos as diferenças no gameplay. A grande diferença entre as duas visões está no contato do jogador com o game. Nos games em primeira pessoa, o foco é voltado para a imersão, com os gráficos voltados para o cenário, priorizando a proximidade do cenário com o real, além do jogo possuir um ritmo acelerado, para se assemelhar ao tempo real. Já nos games em terceira pessoa, o foco é voltado para a identificação do jogador com o personagem. Nesse tipo de game, o cenário fica em segundo plano. O principal é o personagem, o quanto ela parece com uma pessoa de verdade. Também, o ritmo de jogo é “normal”, sem aceleração alguma. E, finalmente, essa divisão de câmeras também altera os recursos do jogador, o que será abordado no próximo tópico.
Recursos
Os recursos são as escolhas que o jogador possui. Para que aquilo com que o jogador está interagindo seja um jogo, ele deve sentir que algo está em jogo. E, para isso, ele precisa fazer certas escolhas, que se tornarão ações, que trarão resultados, que farão com que o jogador tenha a sensação de que algo está em jogo. E os recursos são as ferramentas dadas para se fazer essas escolhas. Por exemplo, em um game de aventura, um recurso pode ser uma espada que ele recebe, alguma arma secundária, magias, etc. E que também são diferentes em games de primeira e terceira pessoa. Um game em primeira pessoa, pelo fato de o jogador ver somente a sua arma, e nada além, ele não tem a visão periférica, considerada um recurso. Ou seja, se um inimigo atirar por trás do jogador, ele não verá. Por isso, o game de terceira pessoa é considerado o tipo de game com mais recursos, pois o jogador pode controlar a câmera, que permite uma visualização melhor, tanto do personagem quanto do cenário, possui a visão periférica, possui uma gama maior de movimentos, pulos, ataques, “combos”, entre outros. E também, a tecnologia contribui para os recursos do jogador. A evolução dos games deu muito mais recursos para os jogadores, tanto gráficos quanto de escolha, pela grande diversidade de botões dos controles atuais.
Resultado
O resultado é aquilo que o jogador espera receber no final do jogo. Pode haver um, dois, ou vários resultados diferentes. Normalmente, existe o resultado certo, e diversos outros errados. Por exemplo, em um jogo de plataforma, um jogador tem que fazer com que um personagem pule uma pedra que está rolando em sua direção. De acordo com as suas escolhas e ações, o jogador pode obter o resultado certo, que seria pular a pedra, e continuar no jogo. Também, pode receber um resultado que também é certo, mas não é o esperado, que seria pular a pedra, mas esbarrar nela, e perder um pouco de sua vida. Ou, pode ter o resultado errado, que seria não pular, e ser esmagado pela pedra. O resultado pode ser no meio de um game, como uma pequena missão, ou no final, como o final do próprio game, podendo ele ser somente certo, em games lineares, que possuem um único final, ou podendo ter o final certo, o final errado, ou mais de um final certo ou errado, como nos games hiperlineares.
Conclusão
Enfim, para se criar um game, deve-se ter cada um desses elementos, afinal, se não possui algum deles, não se tem um game. E, verificando o público-alvo e o objetivo do designer, pode-se criar um tipo de fórmula para que o game dê certo, não que seja um sucesso, pois não existe tal fórmula, mas que pelo menos crie um ambiente jogável de qualidade.
Recreating Reality
O som é uma das partes mais importantes da criação de um ambiente, tanto no game quanto no cinema, pois é um dos fatores que mais importa para verificar se aquele ambiente é mais ou menos próximo da realidade. Este artigo mostra como se dá a criação do som de um ambiente, como se “recria a realidade”, e também dá certas dicas de como se faz um som próximo do real, como combinar certos sons para criar outros, certos efeitos, e diz, no final, que a melhor técnica para se fazer um som de game mais próximo da realidade é “enganando” um dispositivo que temos no cérebro, que faz com que se assemelhe mais um tipo de som do que outro tipo. Por exemplo, quando se consegue conversar com alguém em algum lugar com música alta, pois o dispositivo do cérebro faz um tipo de “seleção” dos sons, como uma audição seletiva. Portanto, a melhor maneira de se criar um som que se assemelhe com a realidade é “enganando” esse nosso dispositivo, e fazendo combinaçõs inteligentes de sons.
Infelizmente, o artigo está em inglês. Porém, é de simples entendimento, para quem conhece a língua.
Link para o artigo: http://www.gamesound.org/articles/RecreatingReality.html
Roteiro para Games: Tipos de Roteiros
Roteiro para Games
A disciplina de Roteiro para Games é ministrada pelo Prof. Dr. Fabio Fernandes, a qual estou cursando o segundo módulo. Sempre que possível, postarei um resumo das aulas, com comentários e referências externas. No post de hoje, falarei sobre o roteiro cinematográfico, como ele se divide, algumas definições, e algumas referências externas.
Tipos de Roteiros
Para se criar um roteiro, existem dois modelos principais: o roteiro não-linear (ou ramificado), e o roteiro cinematográfico. Nesse post, como dito anteriormente, falarei somente sobre o cinematográfico.
Para se criar um roteiro cinematográfico, são necessários três passos: primeiramente, deve-se fazer um argumento (ou plot). Após isso, deve-se criar um outline (ou sinopse). Então, um roteiro técnico e, a partir dele, criar o roteiro final.
O argumento é o desenvolvimento de uma idéia. Costuma ter entre quinze e vinte linhas, e é escrito em terceira pessoa. Deve descrever uma história.
O outline é o desenvolvimento do argumento, onde a idéia é ampliada, detalhada, e pode ser contada sem limite de linhas ou páginas. A história contada deve estar na íntegra, contendo começo, meio e fim. Diálogos também podem ser usados.
O roteiro técnico é um grande guia para todos os envolvidos. Antigamente, continha todos os detalhamentos técnicos para todos, inclusive posicionamento das luzes, câmera, entre outros. Porém, atualmente, contém somente todas as falas dos personagens, e as posições de câmeras fundamentais para a história. E, a partir do roteiro técnico sai o roteiro final, que é o roteiro técnico após diversas revisões e aperfeiçoamentos.
Enfim, essa é a estrutura básica para a criação de um roteiro. Para quem quer aprender mais, recomendo o filme Saneamento Básico, que mostra quase que explicitamente como criar um roteiro, e também um livro de Doc Comparato, chamado Da criação ao roteiro, o qual conta uma situação vivida pelo autor, um brainstorm para a criação de um roteiro, e todos os seus passos.
Teoria dos Games: Narratologia e Ludologia
Teoria dos Games
A disciplina de Teoria dos Games é ministrada pelo Prof. Sérgio Nesteriuk Gallo, e estou cursando atualmente o segundo módulo. Nessa categoria, postarei, sempre que possível, um resumo de suas aulas, com algumas referências a livros, sites ou artigos. No post de hoje, falarei sobre o assunto abordado na aula de hoje (15/03), que consiste nas duas linhas principais de estudo dos games, a narratologia e a ludologia.
Narratologia e Ludologia
Existem diversas linhas de estudo sobre os games. Porém, as duas que mais se destacam, e que são praticamente rivais, são a narratologia e a ludologia. Basicamente, a definição das duas é o escopo pelo qual elas estudam os games. Como os nomes dizem, a narratologia estuda o game pela narrativa, pela história que ele conta, pela linearidade (ou não) do game. Já a ludologia estuda o game pelo game, somente pela sua jogabilidade, pela sua diversão.
Narratologia
A narratologia, como mencionado anteriormente, é o estudo dos games pelo escopo de sua narrativa. Para iniciar o assunto, podemos falar um pouco sobre as três ferramentas narrativas ao longo da história:
A primeira ferramenta da narrativa foi a oralidade, e ocorreu na época anterior à escrita. Todas as narrativas eram contadas oralmente, e mudavam de acordo com a pessoa que contava a história. Por isso existem diversas versões das tragédias gregas, por exemplo.
A segunda ferramenta, utilizada até hoje, juntamente com a terceira, foi a escrita. A partir daqui, os contos tornaram-se imutáveis, pois enquanto o suporte (papel, por exemplo) da história existir, ela não poderá ser mudada. Porém, existe a ressalva da tradução, na qual pode-se transformar alguns elementos para um melhor entendimento.
A terceira ferramenta é a transmissão à distância em tempo real. Aqui, existe a comunicação e a interação em tempo real, feita por qualquer pessoa, em qualquer lugar. Os games com narrativas hiperlineares encaixam-se nessa ferramenta, enquanto os lineares encaixam-se na segunda.
E, para se estudar os games de acordo com a sua narrativa, deve-se entender que a narrativa, para existir, deve existir uma tríade, da qual fazem parte o personagem, o ambiente e a ação. E aqui pode-se diferenciar um game de uma narrativa interativa. Em uma narrativa interativa, o interator apenas acompanha a interativa, fazendo escolhas que afetam o ambiente e a história como melhor desejar. Em um game, o jogador interage com o ambiente com um objetivo claro, seja chegar ao final da fase e destruir um chefe, encontrar um tesouro, entre outros.
Voltando a tríade para o universo dos games, pode-se entender o ambiente como o local onde o game se passa, e é afetado pelo jogador. Já na ação, existem dois tipos, a ação direta e a ação indireta. Na ação direta, as ações do jogador interferem diretamente na história, levando a caminhos diferentes, e é utilizada com mais freqüência nas narrativas hiperlineares. Já a ação indireta, ocorre quando o personagem age por si mesmo, sem a interferência do jogador. Um exemplo é na série de games do Sonic, na qual, se o jogador ficar sem interagir por muito tempo, o personagem fica “impaciente”, bate os pés, e praticamente pede para o jogador interagir. Esse tipo de ação não interfere na narrativa, mas faz com que o jogador tenha mais vontade de jogar. E no personagem, existe a classificação entre os personagens de acordo com a relevância do personagem na história, além da classificação entre protagonista e antagonista (lembrando que o protagonista nem sempre é o “mocinho” e o antagonista nem sempre é o vilão da narrativa), e também pelo seu visual, e o seu psicológico.
Enfim, esses são os pontos básicos dos estudos dos games, de acordo com a narratologia. E agora, partimos para a ludologia.
Ludologia
A ludologia, como dito anteriormente, é o estudo dos games pelos games, a sua jogabilidade, a sua diversão. Entre os grandes estudiosos dessa linha, os principais são Johan Huizinga, que publicou o livro Homo Ludens, no qual ele coloca o jogo (não somente o game, mas todos os jogos) como um fenômeno cultural, que faz parte de toda a sociedade, e faz um paralelo dos games com a sociedade, como a nossa vida é um jogo. Huizinga teve diversos seguidores, e possui como principal Roger Callois, que continuou o estudo de Huizinga, e ainda classificou os games em quatro categorias principais: Agon, Alea, Ilinx e Mimicry. O tipo de jogo chamado Agon, é definido como o tipo de jogo de competição, de força, onde sempre vence o melhor. No Alea, estão os jogos de azar, como os cassinos. No Ilinx, estão os jogos de vertigem, que “brincam”, com as sensações das pessoas, como nos parques de diversões. E no Mimicry, estão os jogos de interpretação, como os Role-Playing Games. Vale contar também que, antigamente, a sociedade era baseada principalmente no Ilinx, e no Mimicry. E na sociedade atual, predominam o Agon e o Alea.
Também, voltando a classificação dos jogos para a sociedade, existe a versão corrupta desses jogos. No Agon, existem os jogos desleais, como os casos de dopping no esporte. No Alea, é a crença extrema no misticismo, como a pessoa “viciada” em ver seu horóscopo. No Ilinx, a corrupção são as substâncias alucinógenas, que distorcem a visão da realidade da pessoa. E no Mimicry, é quando uma pessoa vive a vida de certo personagem, e não a sua própria vida.
Callois também cita o exemplo dos profissionais, que não são jogadores quando estão exercendo a profissão. Por exemplo, os jogadores de futebol, ou de qualquer outro esporte, são profissionais quando estão em um jogo por seus times, mas são jogadores quando estão jogando com amigos, ou com seus filhos.
E, sobre esses quatro tipos, se concentra o estudo dos games pela perspectiva da ludologia. Para quem quer saber mais sobre o assunto, vale visitar o site do estudioso Gonzalo Frasca, intitulado ludology.
Enfim, esses foram os temas principais da aula. Para quem procura artigos mais específicos, recomendo os sites game studies, e gamecultura.
Rebelião dos Anjos
Bom, esse é um conto escrito por mim, juntamente com mus amigos Leandro e Rafael, como trabalho final para a disciplina de Narratividade e Games. É levemente grande, com meras 47 páginas haha, mas espero que tenham paciência para ler, e gostem.
Rebelião dos Anjos
Era uma noite aparentemente normal. Porém, havia uma escuridão fosca no céu. X notou isso, mas não se preocupou. Então, surgiu uma luz muito brilhante no céu, que se aproximava dele, era como se a lua estivesse descendo até ele. A luz se aproximava cada vez mais, e ficava menor. Então, após muito tempo de “viagem”, a luz chegou às mãos de X, que ficou sem reação. Então, lentamente, a luz tomou a forma de uma carta. Era feita de um papel bem tratado, com detalhes desenhados em vermelho, que pareciam sangue. Estava endereçada a X, que a abriu lentamente. Leu:
“Você é a pessoa destinada a impedir a dominação da Terra. Não há escolha, você fará o que eu mando, e receberá uma recompensa em troca, tudo o que você sempre desejou, a sua imortalidade, para viver para sempre ao lado de sua amada. Uma revolução iniciou-se no céu, sete anjos tentam dominar o mundo. E, todos estarão envolvidos nessa guerra. E você, X, é o destinado a acabar com essa revolução. Você matará todos os anjos, e restaurará a paz no universo.”
X olhou bem, e percebeu que a carta estava escrita em sangue. X ficou estático por alguns segundos, mas depois começou a rir:
- Hahaha! Como isso pode ser real? Essas pessoas não têm mais o que fazer, e ficam tentando me assustar. Que se danem todas!
Então, dormiu ainda rindo disso.
No dia seguinte, quando acordou, viu uma cena muito estranha. A mesma carta que leu estava reescrita diversas vezes na parede de seu quarto. Ficou furioso, então disse:
- Meu deus! E agora, quem é que vai limpar toda essa sujeira?
Resolveu sair de casa. Então, retirou um caixão debaixo de sua cama, o amarrou em suas costas, e saiu.
Quando saiu de sua casa, notou algo estranho. Havia uma trilha de sangue, e pegadas estranhas que deixaram a grama chamuscada. X seguiu as pegadas e a trilha, que o levaram a um lugar desconhecido, e muito longe de sua casa. Todas as luzes se apagaram, o local se tornou escuro, apesar de estar no meio da manhã. Encontrou um homem com aparência estranha, um velho de cabelos e roupas negros. Assim que o viu, o velho disse exatamente as mesmas palavras da carta para ele. X sabia que havia algo de estranho com aquele homem, e então perguntou:
- Quem é você, e o que quer comigo, velho?
- Eu? Eu sou aquele que todos temem, e o único destinado a destruir esse mundo. Os anjos se rebelaram, e querem fazer o meu trabalho. E você, X, será aquele que impedirá a dominação e destruição total do mundo pelos anjos.
- Mas, por quê? Como?
- Não se sabe porquê. Apenas se sabe que os sete anjos mais poderosos se rebelaram contra Deus, e nenhum de nós pode fazer nada, pois juramos não intervir diretamente em nada, pois somos os dois seres mais poderosos do universo. Então, escolhemos você, X, um humano muito longe do normal, que deverá derrotar todos os sete anjos. Claro, você terá nossa ajuda em algum momento, mas, você terá que seguir a maior parte do seu caminho sozinho.
E, dizendo isso, aquele velho desapareceu, e todas as luzes daquele lugar voltaram ao normal. X sabia que aquilo era verdade e, por mais que não quisesse, deveria aceitar a missão, e destruir todos os anjos.
- Será uma grande diversão matar todos esses anjos, e provar minha força.
E, dizendo isso, partiu, sem saber para onde ir, atrás dos anjos.
Após uma semana de busca, chegou a uma cidade estranha, chamada Lyrte, onde todas as pessoas estavam se suicidando. Sabia que havia algo estranho ali, e resolveu investigar. Perguntou para diversas pessoas, e via que todas pareciam perturbadas. Estavam todas enlouquecendo, e X sabia que era obra de algum anjo. Passou alguns dias ali, investigando o que poderia estar acontecendo e, um dia, entrou no castelo do senhor da cidade. O prefeito era um homem negro e, incrivelmente, um homem de bom humor, totalmente feliz com a vida. X estranhou, mas ainda não tirou conclusão alguma. X então chegou perto do prefeito, e disse:
- Olá, vossa Majestade!
- Quem é você, forasteiro? – Respondeu o prefeito.
- Sou apenas um viajante. Estava passando por sua cidade, e percebi que acontecia. Todas as pessoas daqui estão aparentemente perturbadas, e muitas se suicidaram. Você soube de algo que aconteceu aqui?
- Algo ? – O prefeito sorriu. – Não, não há nada nessa cidade, tudo está perfeitamente normal. Está questionando a felicidade do meu povo?
- Não, não senhor. Apenas notei algo diferente, e achei que deveria investigar.
- Você, investigar? Investigue isso, mero viajante!
Então, o prefeito levantou-se de seu trono, olhou profundamente nos olhos de X, que finalmente entendeu. Aquele rei era um anjo, que estava dominando completamente a cidade. Porém, tarde demais. Sentiu-se completamente dominado por aquele anjo. E então, foi forçado a sair daquele castelo.
Saiu de lá, e viu a cidade por uma perspectiva diferente. Tudo parecia mais escuro, sua visão se tornou avermelhada, e ele via vultos em todos os cantos da cidade. Mas, não vultos estranhos. X era um caçador, e todas as suas vítimas voltaram para assombrá-lo. Por todo lugar que passava, ouvia vozes. E, todas diziam praticamente a mesma coisa:
-Por que me matou?
- Seu ser terrível, como pôde?
Então X, totalmente assombrado por aqueles espíritos dos que já matou, vagou pela cidade, sem rumo, por muitos dias. Não se sabe exatamente por quanto tempo aquilo aconteceu, mas tudo tem um limite. Um dia, ouviu um espírito dizer a ele:
- Você me matou sem piedade alguma, sua espada atravessou meu corpo diversas vezes. Por que, X?
E então, X finalmente compreendeu, e respondeu:
- Pelo dinheiro. Tudo que fiz até hoje, me trouxe muito dinheiro. E também, me trouxe algo imensamente importante para mim, que eu carrego em minhas costas o tempo todo. Tive motivos para matar, e não devo me sentir culpado por isso.
E então, tudo voltou ao normal. Aquele tom avermelhado que havia na cidade se foi. Os espíritos, também. E X voltou a sentir-se bem. Sem perder tempo, voltou ao castelo do prefeito.
Ao entrar no castelo, o rei, que tinha uma aparência feliz, transformou totalmente sua expressão ao ver X entrar.
- Cacildis! Como você pôde derrotar minha poderosa maldição?
- Posso apenas dizer que a sua maldição é fraca demais. Agora, vamos ao que interessa. Eu vim aqui para te derrotar.
- Me derrotar? Você? Um mero humano? Eu sou Mussiel, um dos sete anjos rebeldes, um dos mais fortes, e você não poderá derrotar-me nunca!
- Mussiel? Mas que nome mais ridículo! Mas enfim, veremos quem é o mais forte. Book!
E, ao dizer isso, um estranho livro apareceu em suas mãos. O livro tinha um rosto em sua capa, e começou a conversar com X:
- O que você quer, X?
- Bom, veremos. Ele é um anjo, então, acho que preciso apenas de uma espada.
- Como quiser.
Então, de dentro do livro, sai uma empunhadura, que X segura, e puxa. E, ao puxar, uma grande espada aparece, e o livro some.
- Agora, veremos quem é mais forte! – Disse X, colocando-se em posição de guarda.
Mussiel levantou-se, pegou uma espada estranha, que parecia mole, de dentro de suas vestes, e postou-se em guarda também.
Os dois duelaram. X era incrivelmente mais habilidoso do que Mussiel, e o feria constantemente. A espada de Mussiel não conseguia atingir X, e ele não entendia como Mussiel poderia ser um dos sete anjos mais poderosos. Durante a batalha, debochou:
- O que é você, um anjo de verdade? Achei que fossem mais fortes.
- Cale a boca, idiota! É claro que sou um anjo, e um dos mais poderosos! Sou um dos sete rebeldes!
- Um dos sete rebeldes? Você provavelmente foi escolhido somente para completar o número, não porque é poderoso!
- Cale-se, e lute!
E Mussiel, dominado pela raiva, partir para cima de X, com uma grande onda de ataques. X desviou de todos facilmente, Mussiel era lento demais. E, finalmente, quando cansou de “brincar” com aquele suposto anjo, resolveu acabar com aquilo. Tinha outros anjos para perseguir, e não podia ficar mais tempo ali. Então, com um único golpe, atravessou o peito de Mussiel. Este gritou de dor, e caiu. Então, como X não sabia como matar os anjos, cortou a cabeça de Mussiel. Deixou-o ali, morto, e foi embora. Voltou para o local onde estava hospedado provisoriamente, e descansou por um longo tempo, para então seguir com sua missão.
Duas semanas se passaram desde que X derrotou Mussiel e salvou a cidade de Lyrte. O caçador se encontra caminhando em uma estrada quase que deserta.
― Sim… É ele de novo… O que você quer que eu faça? Também não confio nele. ― Fala X aparentemente para si mesmo, enquanto se aproxima do homem de cabelos negros, o mesmo homem que havia encontrado perto de sua casa.
― Você fez um ótimo trabalho com Mussiel. ― Diz o homem.
― O que esperava? Que um trapalhão me matasse?
― Meu jovem, me responda uma coisa, você não é um humano comum, é?
― Você também não parece ser um simples velho gagá.
O velho rodeia X, observando-o minuciosamente.
― Por que não larga este caixão? Ele parece estar atrasando-o em sua viagem. ― Diz o velho enquanto aproxima sua mão do caixão com a intenção de tocá-lo.
― Se você sugerir algo do gênero novamente será a última coisa que você irá falar. ― Diz X enquanto segura bruscamente o braço do velho impedindo que o mesmo toque em seu caixão.
― Faça como quiser… Mas, Mudando de assunto, já faz idéia de como encontrar o próximo? ― Diz o velho, enquanto afasta a mão de X que segurava seu braço.
― Se fala dessas criaturas aladas asquerosas, prefiro que não se meta no assunto.
― Bom… Já que se recusa a aceitar minha ajuda não posso fazer nada a respeito, a não ser lhe dar um aviso.
― Aviso?
― Tome cuidado. Por onde os anjos passam ocorrem eventos estranhos.
― Eventos estranhos? O que quer dizer com isso?
Em um breve momento de descuido X perde o velho de vista, deixando-o sozinho no meio do nada.
― Idiota é você. ― Sussurra X.
Continuando seu caminho por algumas horas X, finalmente encontra um sinal de civilização, uma taverna. Decide entrar para tomar uma bebida e perguntar onde fica a cidade mais próxima.
Dentro da taverna se via algo interessante, criaturas diversas relacionando-se. Humanos, anões, kobolds e até uma sereia próxima ao balcão. Todos bebendo como se nada na vida importasse. X aproxima-se do balcão e senta-se entre a sereia e um kobold caolho. O dono do bar, do outro lado do balcão, parece ser o garçom e único empregado da taverna, vê que X senta-se e faz um sinal para ele como quem quis dizer “espere um minuto”, o motivo desse sinal é ele estar ocupado falando com um soldado.
X decide esperar ao invés de ser grosseiro e interrompe-lo. Contudo, não consegue evitar ouvir a conversa.
― Por isso eu digo que é algo estranho… Gostaria que alguém fosse até lá dar uma olhada… ― Fala o dono do bar para o guarda.
― Deve ser apenas uma brincadeira da parte de alguém mal intencionado. ― Diz o guarda.
― Ah! Tudo bem! ― Depois de se aborrecer o dono do bar vai em direção a X.
― O que foi Ched? ― Diz o kobold sentado ao lado de X para o dono do bar.
― É aquela mesma carta de todos os dias me aborrecendo outra vez. ― Diz Ched, o dono do bar, enquanto serve uma bebida para X.
― De que carta está falando? ―Pergunta a sereia para Ched.
― Você vai achar engraçado, mas todos os dias, pela manhã, vem um garoto entregar uma carta para mim. A carta requisita uma encomenda de vinho para um bar em uma cidade ao norte daqui, mas toda vez que chego à cidade o portão está trancado e ninguém me recebe. Quando pergunto ao garoto ele diz não saber qual o motivo, e o mais estranho de tudo, ele jura não ter estado aqui no dia anterior.
― E isso acontece todos os dias? ― Pergunta a sereia.
― Como eu te disse. Todos os dias pela manhã, sempre no mesmo horário.
X termina sua bebida, paga a conta e sai da taverna seguindo ao norte. A cidade de que o homem falou no bar despertou o interesse de X, que atribuía essa anomalia a presença de um dos anjos.
Algumas horas depois da saída de X, um homem alto, vestido com uma capa e chapéu pretos entra no bar:
− Com licença senhores, eu gostaria de uma informação. Passou por aqui um homem carregando um caixão? Vocês podem responder por bem ou por mal, a decisão é toda sua.
O misterioso homem fecha sua mão e retira de seu punho três facas cirúrgicas. As criaturas que estavam no bar se surpreendem com o acontecido, ficam imaginando que tipo de criatura era aquela que podia retirar armas de dentro de seu corpo. A energia que rodeava o homem era muito sombria, o medo tomou conta de todos que estavam ali presentes paralisando-os, até alguém se manifestar:
− Ele foi para a cidade do Norte. − Diz uma das criaturas do bar.
− Agradeço sua cooperação. − Diz o misterioso homem vestido de preto. − Contudo já faz um bom tempo desde que matei uma pessoa.
O misterioso homem retalha todas as criaturas do bar em questão de segundos marcando-as com suas facas, fazendo um “J” em todos eles.
Quando a distância entre X e a cidade diminuem, é possível ver que a cidade é cercada por um grande muro, e possuí apenas um portão na parte da frente. Quanto mais X se aproxima mais ele sente uma forte presença no local, algo provavelmente mágico. Examinando o portão de perto, os olhos de X captam algo que os de uma pessoa normal não conseguiriam perceber, uma inscrição em uma língua jamais pronunciada pelos humanos.
― Hum… Não é algo que eu possa quebrar com as mãos nuas… ― Resmunga X. ― O que você acha Sumário? Book!
X faz aparecer seu livro mágico esperando que ele tenha uma solução para seu problema.
― É um selo muito antigo e poderoso. ― Diz o livro.
― Não foi isso que perguntei seu bloco de recados falante!
―Hum… Esta noite completará quinhentos anos que estou acumulando energia suficiente para usar em uma magia poderosa com esta. Com a energia acumulada em mim é possível anular o selo por alguns segundos para que você possa entrar. Mas devo avisar que para sair deste local será preciso acumular uma grande quantidade de energia novamente.
― E quanto tempo leva para fazer isso?
― Mais quinhentos anos.
― Ainda bem que não estamos com pressa… ― X deita encostado ao muro da cidade dando a impressão de que vai se preparar para dormir.
― Acorde-me pela Manhã.
Depois de ouvir as palavras irônicas de X, Sumário continua o processo de acumulo de energia.
No dia seguinte, X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa e botas de couro, com uma bandana na cabeça. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.
Rapidamente o garoto some da vista de X, enquanto o mesmo tenta passar pelo portão que está abeto. X acaba dando de cara em uma espécie de barreira invisível.
― Ah! Maldição! $%#@*! Porque você não me disse que havia uma barreira impedindo a entrada na cidade? ― Pergunta X ao livro.
― Eu pensei que você saberia uma coisa tão óbvia assim.
― Vamos deixar de falar besteiras… Anule logo o selo contido neste maldito portão.
Sumário exala uma estranha luz que vai em direção ao portão da cidade, fazendo com que a magia do selo seja desativada por algum tempo.
― É agora. ― Diz Sumário para X.
X entra na cidade antes que a magia sob o portão volte a funcionar.
A cidade do norte é uma cidade comum, crianças brincando, adultos trabalhando, todos vivendo normalmente. X vê uma moça bonita saindo de sua casa, usando um vestido de seda branco e um chapéu para que o sol não queime sua cabeça, aparentemente ela vai às compras. X decide pará-la e perguntar:
― Senhorita, tem acontecido algo de estranho aqui na cidade durante essas semanas passadas.
― Estranho? O que você quer dizer com estranho?
― Nada Senhorita, não há necessidade de se preocupar.
X passa por vários lugares pedindo informações e procurando alguma presença mágica no local. X continua sua investigação pela cidade. Sem sucesso, decide jantar e passar a noite em uma estalagem.
Ao entrar na estalagem vai para a área de alimentação e senta próximo ao balcão. Pede uma bebida e descansa um pouco da exaustiva procura por informações. Acaba ouvindo um homem gritando com outro:
― Onde está a encomenda de vinho!
― Eu mandei o garoto levar a carta. Eu juro…
Enquanto X reflete perto do balcão, dois bêbados brigando acabam esbarrando nele, que derrama a bebida em cima de sua roupa. Furioso, X deixa os dois homens inconscientes e decide ir dormir.
No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa e botas de curo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.
Rapidamente o garoto some da vista de X, enquanto o mesmo tenta passar pelo portão que está abeto. X acaba dando de cara em uma espécie de barreira invisível.
― Ah! Maldição! $%#@*! Porque você não me disse que havia uma barreira impedindo a entrada na cidade? ― Pergunta X ao livro.
― Eu pensei que você saberia uma coisa tão óbvia assim.
Sumário anula a magia do portão e X entra na cidade. Ao entrar na cidade algo passa pela cabeça de X.
― Esse lugar me é familiar…
X vê uma moça bonita saindo de sua casa, usando um vestido de seda branco e um chapéu para que o sol não queime sua cabeça. X decide pará-la e perguntar:
― Senhorita, tem acontecido algo de estranho aqui na cidade durante essas semanas passadas.
― Estranho? O que você quer dizer com estranho?
― Nada Senhorita, não há necessidade de se preocupar.
X procura por toda a cidade algum acontecimento estranho, mas acaba não achando nada de incomum. Depois de se cansar, decide ir para uma estalagem e lá pede uma bebida.
Enquanto X reflete perto do balcão dois bêbados brigando acabam esbarrando nele, que derrama a bebida em cima de sua roupa. Neste momento X recorda do que havia acontecido ontem e percebe o que há de estranho naquela cidade.
― É isso! O dia repetiu-se.
Curioso para saber como lidaria com isso, X decide ir dormir para tomar providencias no dia seguinte.
No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa de pano azul e botas de curo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.
Ao ver o garoto saindo da cidade X imediatamente lembra-se do acontecido e decide entrar novamente na cidade, contudo praticando ações diferentes.
Depois de Sumário anular a barreira X entra na cidade, subitamente perde o equilíbrio, cai e dá de cara no chão. X acha estranho já que nunca na sua vida havia perdido o equilíbrio e caído.
Ao encontrar com a senhorita de vestido de seda X pergunta:
― Senhorita, gostaria de sair comigo?
― Você é muito estranho… ― Responde a moça.
Quando entra na estalagem decide se sentar em uma mesa ao invés do balcão, contudo misteriosamente os bêbados brigam e caem para outro lado, novamente esbarrando nele.
X fica na cidade pelo equivalente há um mês, vivendo todos os dias o mesmo dia. Até chegar a sua conclusão final.
No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa de pano azul e chinelo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.
Antes que o garoto saísse de sua vista X o agarra pelo braço e diz:
― É você! Maldito! Acha que as pessoas desta cidade são brinquedos?
― Do que está falando moço? ― Pergunta o menino assustado.
― Você é o único que está sempre usando roupas diferentes e também nunca está aqui quando anoitece!
― Haha… Na verdade a única coisa interessante desta cidade passou a ser você.
O garoto se livra das Mãos de X e toma sua forma real. Um anjo muito belo, Loiro de cabelos compridos e lisos, com uma aparência e voz um tanto afeminadas.
― Hahaha. Muito prazer! Ariel, ao seu dispor!
― Não deveria zombar de seu executor.
― Executor? Hora não me leve a mal… ― Ariel rapidamente aparece ao lado de X apoiando as mãos e queixo em seu ombro. ― Não que você não possua capacidade para isso… Mas você simplesmente não conseguirá fazê-lo. Haha.
― Hum… Isso é o que vamos ver. Book!
X invoca seu livro. Abre e lê uma frase em silêncio. Algo parecido com uma pistola se materializa em sua mão, e sem pensar duas vezes, X atira a queima roupa na testa de Ariel.
O anjo cai no chão com um buraco enorme no meio de sua testa, contudo em questão de segundos está de pé novamente sem nenhum arranhão.
― Haha! Eu lhe avisei docinho.
― Devo tentar outra arma? ― Pergunta X para seu livro.
― Não adiantaria. Eu sou um tipo especial de anjo, um Serafim, se assim preferir. Deste modo tenho como função, algo diferente de todos os outros anjos. ― Ariel diz isso dando várias voltas ao redor X, como se ele estivesse encantado pelo caçador.
― E essa seria?
― Um comediante. Pierrot. Bobo da corte! Haha! Minha função é despertar os sentimentos dos seres celestiais, assim vivo eternamente e só eles podem me destruir.
― Tch… Era o só o que me faltava… Um palhaço.
― Mas tenho certeza que podemos chegar a um acordo minha doce criatura.
― É claro. Vou estourar sua cabeça tantas vezes que vai querer cometer suicídio.
― Eu tinha outra coisa em mente. Piadas.
― Como é?
― Você me faz rir com uma piada e eu livro a cidade e desisto de completar a destruição do seu mundo.
― Você é louco?
― Ah! Estaria mentindo se dissesse que não. Então? O que me diz?
X para um minuto e começa a conversar sozinho, como se estivesse discutindo com alguém, mas não havia mais ninguém por lá.
― De jeito nenhum. Você sabe que eu não sou bom em piadas… Ah! Tudo Bem. Vamos lá. ― Diz X, conversando aparentemente sozinho.
X passa o dia inteiro contando piadas a Ariel, e já que não é muito bom no assunto não consegue fazer o anjo soltar sequer um sorriso.
― Viu? Eu lhe disse que não ia dar certo. Como é? Mas essa não faz sentido algum. ― Novamente X conversando sozinho.
― Já desistiu? ― Pergunta o anjo.
― Pelo visto não tenho outra opção. Por que a mata é virgem?
― Como?
― Vamos. Eu perguntei o motivo da mata ser virgem.
― Eu… Não sei…
― Ora é simples, é por que… Por que… É porque a brisa é fresca.
― Porque a brisa é fresca… Porque a brisa é fresca… Hahahaha! ― Ariel não se contém e começa a rir desenfreadamente.
― É realmente um palhaço… Rir com uma piada dessas.
― Tudo bem, você venceu. Agora libertarei a cidade do feitiço.
―Sim.
― Desistirei de dominar a terra junto com meus irmãos.
― Sim.
― E o acompanharei em sua jornada.
― Si… O que?
―Como recompensa por ter me derrotado o acompanharei em sua aventura.
― Não, obrigado.
― Você não tem escolha.
― Isso é o que vamos ver.
Dois dias depois do incidente na cidade do norte e da aliança de X com Ariel:
― Me diga, por favor! O que há dentro desse caixão? ― Diz Ariel.
― Não! Será que você não consegue ficar de boca fechada por um minuto?
― Se vamos viajar juntos não devemos nos relacionar mal desse jeito, X!
― Eu não pedi para ninguém vir comigo!
― Se continuar me tratando assim não lhe direi onde estão os outros anjos.
― O que? Você sabe onde estão os outros anjos e não me disse nada?
― Você não perguntou.
X decide parar, respirar e acalmar-se, já que pelo visto terá que agüentar a presença de Ariel por um bom tempo. De repente um garoto vem correndo na direção de X gritando:
― Socorro! Alguém me ajude!
― O que foi garoto? Qual é o problema? ― Pergunta X.
― Minha vila foi atacada por demônios!
― Demônios? Onde fica sua vila?
― Depois da floresta! Mas não é melhor ir buscar ajuda?
― Fique tranqüilo garoto, vá para a vila ou cidade mais próxima. Eu cuidarei desses demônios. Ariel, Vamos!
X e Ariel entram na imensa floresta, e a caminhada, que duraria poucos minutos, acaba se estendendo por horas. X não entende o que está acontecendo, já que possui um ótimo senso de direção, e não se perde com freqüência
Ariel percebe o que X ainda não havia notado.
― Ela está mudando. ― Diz Ariel.
― O quê?
― A floresta está mudando.
― E por que isso? É algum feitiço?
― Não… Ela está me protegendo…
― Como assim?
― Quando a natureza começa a agir de forma incomum é porque ela está de alguma forma protegendo uma criatura celestial, é como se fora daqui eu corresse um grande perigo. A floresta não quer que eu saia.
― Então diga a ela que você vai ficar aqui, eu posso resolver o problema sozinho.
― Não é simples assim. Eu não posso mandar na floresta, ela age por si mesma.
― Então vamos ficar aqui pra sempre?
― Só até o perigo passar.
― Tudo bem. Vamos esperar.
― Não podemos.
― Por quê?
― Há um anjo na vila que foi atacada, ele é o perigo do qual a natureza quer me salvar.
― Então eu derrotarei esse anjo e sozinho e depois você volta a me acompanhar.
― Você não entendeu. Todos os anjos estão me caçando agora, sem querer eu acabei te atrasando. Mas não se preocupe, eu darei um jeito de sairmos daqui.
Ariel fecha os olhos, junta as duas mãos e começa a rezar.
― Meu deus, todo poderoso, por favor, ajude-nos…
― Parece que estão com problemas. ― Diz o velho homem com que X já havia encontrado algumas vezes.
― Da onde você surgiu velhote?
― Isso não importa. O que importa é que eu posso pedir para a floresta deixar vocês passarem.
― Então o faça.
― Eu conheço o senhor de algum lugar? ― Pergunta Ariel.
― Não meu caro. Não nos conhecemos.
― Como ele sabe que Ariel não é uma simples mulher? O jeito que se referiu a ele… No masculino… ― Pensa X em silêncio.
― Muito bem. Podem passar. ― Diz o velho.
― É só isso? Não vai querer nada em troca? ― Pergunta X.
― Eu já lhe disse uma vez, fui mandado para cá com o exclusivo objetivo de te auxiliar.
X e Ariel não perdem tempo, se despedem do velho e caminham com o objetivo de cruzar a floresta.
― Adeus, Ariel, meu irmão. ― Diz o velho quando Ariel e X somem de sua vista.
Assim que X e Ariel saem da floresta vêem a vila tomada por uma nuvem negra.
Dentro da vila estão várias pessoas curvadas em direção a um templo, no qual no teto se encontra um anjo.
― Azazel! ― Diz Ariel.
― Estava a sua espera, X. ― Diz o anjo.
― Me esperando? Ora, fui convidado para uma festa e nem sabia. Desculpe o atraso, mas agora estou pronto para detonar! Book!
X invoca seu livro, Sumário, e se prepara para o combate.
― Vamos com calma. ― Diz Azazel. ― Acho melhor você saber um pouco mais sobre mim antes de lutar.
― Desculpe, mas eu prefiro não saber muito sobre minhas vítimas.
― Escute, X. ― Diz Ariel. ― O que ele disse é importante, este não é um anjo qualquer, é Azazel, o primeiro anjo caído depois de Lúcifer.
― E…? ― Pergunta X, fazendo pouco caso do adversário.
― Ele jurou lealdade a Lúcifer, e todas as almas do inferno o seguem por isso.
― Isso foi no passado. Lúcifer não é ninguém agora. Eu e os outros anjos vamos governar esse mundo e dividir com os demônios. ― Diz Azazel.
― O que fez com essas pessoas? ― Pergunta X.
― Nada, elas estão apenas sendo usadas como recipientes para os meus amigos demônios, e vou logo avisando, se tentar me ferir eles me protegerão com a vida dessas pessoas inocentes.
De repente todos os humanos possuídos por demônios vão em direção de X e Ariel atacando-os. X e Ariel apenas desviam dos golpes desferidos pelos inimigos, já que X não quer machucar os humanos que estão sendo controlados pelos demônios. Contudo o número de inimigos é muito grande, e X acaba sendo ferido.
― O que foi X? Qual é o problema? Não pode machucar os inúteis humanos? ― Diz Azazel.
― Tch… Você está me subestimando. ― X abre seu livro e começa a pronunciar palavras cuja língua é desconhecida.
Todos os demônios ficam paralisados começam a emitir ruídos esquisitos.
― Oração ao céu! ― Diz X.
Todos os demônios começam a sair dos corpos dos humanos em forma de uma nuvem preta, nuvem que é absorvida por X, que aparenta estar totalmente vulnerável.
― Hahaha! Sabia que você usaria esta técnica! Foi por isso que trouxe esse grande número de demônios para a terra. Esta técnica permite que o usuário absorva os demônios de outras pessoas, mas exige uma energia muito grande para ser executada, depois de usá-la o usuário fica indefeso. Prepare-se para morrer, X!
Azazel vai em direção a X em uma velocidade impressionante, tudo indica que ele quer terminar tudo com um único golpe. Para a surpresa de Azazel e X, Ariel entra na frente de X e serve como escudo vivo.
― Esse idiota! Apenas antecipou sua morte. ― Diz Azazel depois de ter atravessado o corpo de Ariel com seu braço.
― X, salve o mundo. ― São as últimas palavras de Ariel.
X, ainda paralisado, comove-se com as palavras do amigo e fica enfurecido pela sua morte.
― Prepare-se para morrer, X!
Enquanto Azazel prepara-se para desferir outro golpe, algo o intriga:
― Onde está seu caixão? ― Pergunta o anjo.
Uma pergunta para qual não havia necessidade uma resposta. O caixão que X carregava nas costas estava de pé e abrindo-se. Conforme a tampa do caixão abria, uma fumaça azul exalava do mesmo. A fumaça dificultava muito a visão de Azazel, que apenas conseguiu ver uma criatura de forma humanóide saindo de dentro do caixão. Pouco tempo depois, quando a fumaça já era quase nula, podia-se ver uma linda mulher de cabelos e olhos negros, pele branca, vestida com uma capa preta.
Azazel imediatamente reconheceu a mulher ao vê-la. Ela era…
― Elizabeth! A Rainha dos vampiros! Não pode ser… Como você pode estar viva? ― Pergunta Azazel desesperado.
― A questão não é essa agora, Azazel. A questão é: como você quer morrer?
― Não me subestime! ― Azazel parte em direção a Elizabeth desferindo uma seqüência de golpes extremamente rápida.
Elisabeth desvia de todos os golpes do anjo sem dificuldade alguma. Aparece atrás de Azazel e diz:
― Você é tão fraco que nem merece ser chamado de anjo. ― Em um simples movimento de sua mão, Elizabeth arranca a cabeça de Azazel.
Com o anjo morto, a nuvem negra que pairava sobre a cidade se dissolve. Elizabeth caminha em direção a X e pergunta:
― Você está bem?
― Eu falhei.
― Como?
― Eu falhei… Com você e com Ariel.
― Não diga isso.
― Mas é verdade! Eu jurei protegê-la durante sua hibernação e é você quem precisa me salvar. Como se não bastasse isso, Ariel deu sua vida por mim.
― Ariel sacrificou-se por que acreditava em você e em seu objetivo. Você não falhou comigo, depois de me salvar tantas vezes o mínimo que eu podia fazer era retribuir esse favor.
― O que faremos agora?
― Nós vamos atrás dessas criaturas aladas horrendas e vamos exterminá-las uma por uma.
− Ora, ora. Se não são X e Lizzy. − Diz uma voz misteriosa.
− Quem está aí? − Pergunta Elizabeth.
− Qual o problema? Não estão me reconhecendo.
− Akabane! − Diz X com dificuldade por ainda estar sem forças.
− Esse seria o momento perfeito para mandar os dois para o inferno. − Diz Akabane ajeitando seu chapéu.
− Acha mesmo que pode derrotar nós dois de uma vez? − Pergunta Elizabeth.
− Não seja tola. X não está em condições de lutar, enquanto você, digamos que não é um grande desafio para mim.
− Ora, seu…
− Elizabeth… Não lute com ele… Akabane é conhecido com Dr. Jackal, em termos de habilidade ele é tão bom quanto eu. − Diz X.
− Não se preocupem. Eu não lutarei com vocês hoje. Não seria nada divertido matá-los nessas condições.
− Você, me matar? Não seja ridículo? Eu enfrento você a hora que quiser onde quiser! − X sai do sério com o comentário feito por Akabane.
− Hahaha. Isso é o que vamos ver. − Akabane debocha de X.
Akabane some nas sombras deixando X aliviado. X e Elizabeth salvaram-se por pouco e decidem descansar. Quando X fecha seus olhos ouve alguém chamá-lo, era o mesmo velho de cabelos negros aparecendo em um sonho de X:
─ X, você está quase chegando ao seu destino.
─ Meu destino, talvez seja a morte, não sei se conseguirei continuar lutando assim por muito tempo essas criaturas são mais fortes do que eu pensei.
─ Você conseguirá, tenha fé em si mesmo.
─ Mas, o que eu devo fazer agora, eu não sei pra onde ir.
─ Antes de te dizer pra onde ir eu queria lhe fazer uma pergunta, você realmente ama essa Elizabeth?
─ Sim, confesso a ti que se não fosse por ela eu já teria desistido dessa vida.
─ Então em verdade eu vos digo, siga até aonde o seu amor não possa ser dizimado e encontrará a porta do destino.
Ele acordou, foi tudo um sonho. O dia já havia nascido e o sol batia intensamente em seu rosto. Enquanto aquele calor lhe queimava a pele, sem saber como, ele entendeu qual caminho deveria seguir. Colocou o caixão em suas costas para que Elisabeth não ficasse exposta na luz do dia, correu o máximo que pôde na direção contrária do Sol, correu intensamente durante alguns minutos e logo se perguntou se o que estava fazendo o levaria a algum lugar, ele estava correndo em direção ao nada e quando começou a pensar em desistir apareceu uma nuvem negra à sua frente, que começou a se expandir e aniquilar toda a luz à sua volta. X olhou para o seu relógio, era quase meio dia, ainda estava muito cedo para escurecer, o sentimento que vagava parecia mortal até para as estrelas, que pareciam não arriscar iluminar aquele covil no qual o mercenário se encontrava. De repente, um som ecoou forte pela imensidão, era como uma farfalhar de asas batendo, e no mesmo momento uma criatura se projetou das sombras para cima de X, que conseguiu desviar a tempo de receber apenas um arranhão em seu rosto.
Enquanto o sangue escorria até a sua boca, X se virou para aqueles olhos cheios de raiva e que desejavam a sua morte, era mais um desprezível anjo, ele era muito alto, tinha uma pele morena e em uma de suas mãos duas pequenas adagas, bem afiadas. X entendeu com o que foi atingido quando viu uma delas coberta de sangue, e perguntou:
─ Quem é você?
─Pode me chamar de arcanjo Rafael, homem insolente.
─ É sempre bom saber o nome das criaturas que vou matar.
─ Como ousa? Eu lhe pergunto, como um ser como você conseguiu chegar até os portões do céu?
─ Para falar a verdade, eu realmente não sei. Talvez eu mereça estar aqui tanto quanto você.
─ Merece? Não seja idiota, nenhum homem merece estar aqui, nem mesmo depois de morto. Vocês merecem o inferno, que é para onde eu vou te mandar!
Ele partiu pra cima de X com seu machado, que pegou seu livro e invocou uma espada para si, bem a tempo se proteger. O machado de Rafael era muito forte, porém o deixava lento, então X enfincou sua espada múltiplas vezes no corpo do anjo, que caiu de joelhos no chão e ficou lá, sem nenhuma reação.
X seguiu lentamente até ele para finalizar a batalha. Quando foi cortar a cabeça do anjo, alguma coisa parou sua espada, ele tentou golpear novamente, mas não conseguiu. Sua espada não entrava em contato com o anjo, ele estava protegido por um campo de força, então o mercenário percebeu que ele estava pronunciando palavras estranhas e que todos os seus ferimentos estavam se curando.
A batalha se estendeu durante horas, quando X achou uma solução, um ponto fraco, em um dos momentos em que ele foi se curar X conseguiu arranhá-lo no braço, um arranhão tão superficial que Rafael nem percebeu, mas o assassino entendeu como matá-lo. Toda vez que se cura, gasta muita energia, inicialmente para se concentrar na cura, e por alguns segundos ele não gera o campo para se proteger, talvez uma falha que nem mesmo ele saiba.
X invocou mais uma espada e, quando Rafael baixou a guarda, ele a arremessou, atingindo-o no ombro. Quando Rafael começou a pronunciar novamente as palavras, X correu pra cima dele e o decepou. Venceu mais uma árdua batalha, porém, antes de prosseguir, pegou seu livro e colocou sobre o peito do anjo caído, e roubou suas habilidades.
X continuou a seguir por aquele abismo profundo, o frio lhe cortava a carne como a mais afiada lâmina banhada em brasas. Continuou andando pela escuridão até sentir que seus pés estavam encharcados. Estavam inteiramente mergulhados em algo, e quando olhou atentamente, percebeu a monstruosidade que era aquele lugar. Estava em um rio de sangue, cabeças decepadas e as mais variadas partes de corpos boiavam a sua volta, alguns ganchos que viam do alto também tinham corpos pendurados, ganchos enferrujados enfincados nas colunas dos defuntos, o abdômen estava aberto até a altura do peito e os intestinos e outros órgãos pendurados para fora do corpo. Aquele ar sombrio corroia a sua alma, e X começou a se perguntar se realmente teria tomado o caminho para os portões celestiais ou se estava no inferno.
Durante o percurso X ouve uma risada conhecida.
− Hahaha. Eu estava te esperando X. − Diz uma voz familiar.
− Akabane.
− Está pronto para resolver nossas diferenças?
− Escute Elizabeth, não quero que saia de seu caixão em hipótese alguma. Não atrapalhe minha luta.
Em apenas um segundo Akabane materializa uma espada vermelha que parece ser feita de sangue.
− Book!
X invoca seu livro e pede a ele sua espada. Os dois começam seu combate. A habilidade dos dois é tanta que passam um longo tempo analisando um ao outro. Suas técnicas são muito parecidas, fazendo com que eles fiquem horas se enfrentando. É então que X diz algo para Akabane:
− Você não sabe, mas eu estou muito próximo de alcançar minha imortalidade.
− Imortalidade? Você também se tornará imortal? − Akabane fala como se tivesse um grande interesse no assunto.
− Eu preciso apenas completar minha missão para conseguir minha imortalidade. Imagine se eu também for imortal poderemos lutar por toda eternidade.
− Isso seria realmente divertido.
− Então o que me diz?
− Tudo bem. Vá conseguir a vida eterna. Encontraremos-nos daqui alguns anos, X. Hahaha. − Akabane desaparece em meio às sombras.
Depois do inesperado encontro com Akabane, outra pessoa familiar aparece para X, O velho de cabelos negros.
─ É por isso que saí do céu, a recepção do inferno é bem mais agradável.
─ Onde eu realmente estou? – perguntou X.
─ Aqui é a porta de entrada do céu, bem decorada, você não acha? É só seguir em frente.
─ Eu só queria te falar que, quando você morrer, não se esquecer desse lugar horrível, e escolher a minha casa para viver, garanto que é bem melhor. E boa sorte.
Finalmente aquele mar sangrento acabou, e de longe X pôde ver um gigante portão muito bonito, que parecia feito de ouro, e quanto mais chegava perto, mais a luz que reluzia dele se intensificava. Quando chegou mais perto, percebeu que havia alguém bem em frente ao portão. Estava agachado e parecia estar comendo alguma coisa, devorava enlouquecido o que parecia ser pedaços de carne humana enquanto estraçalhava outra com suas unhas afiadas, havia duas saliências em suas costas, o assassino entendeu, era um caído, um anjo que teve suas asas arrancadas. De repente a criatura parou de se alimentar e olhou na direção de X:
─ Quem és tu? Veio ser meu jantar de hoje?
─ Sou aquele que veio te matar, caído.
─ Agora entendo, você é o bonequinho que Deus e o Príncipe do Inferno contrataram para nos destruir.
─ Sou, e me parece que eu tenho feito bem o meu trabalho, não acha?
─ São todos uns fracos, mas você acha que pode matar Gabriel? Nunca.
─ O mesmo traidor de sempre. Primeiro traiu o Criador para ficar do lado de Lúcifer e agora também o traiu, Deus fez bem em te mandar para o inferno e colocar Miguel em seu lugar como comandante do exército celestial. Me diga, você está do lado de quem agora?
─ Você é tão ingênuo, e eu lhe respondo: estou do lado de meu irmão Miguel.
─ Miguel? Como assim, você não pode estar falando sério.
─ Sim, ele está.
Um anjo apareceu voando e posou do lado de Gabriel, e apesar de nunca o ter visto, X teve a certeza era Miguel.
─ Eu não entendo, até você? Por que você está traindo seu Pai?
─ Você diz que estou traindo meu Pai, ele não é nada para mim, ele nunca fez nada por mim. Não há como trair alguém que praticamente não existe em sua vida, vocês homens também, por que devem tanta obediência a alguém que vocês nunca viram? Vocês são uns tolos.
─ Como pode dizer isso? Você sentava ao lado dele, ele tinha confiança em ti, ele deixou o comando de seu exército em suas mãos, como você pode dizer isso?
─ Deus é um jogador. Ele não confia em ninguém, apenas joga de acordo com as cartas que tem em sua mão. Você não vê? Agora Ele se aliou a Lúcifer, depois de condená-lo a viver no Inferno pela eternidade. É isso o que eu vi e que todos não querem enxergar. Ele só pensa em si mesmo, e você é apenas mais uma peça que ele movimenta a sua vontade.
─ Então eu vou ter que matar vocês.
─ Você acha que pode derrotar a mim e ao Miguel sozinho?
Gabriel sumiu aos olhos de X, e veio com uma velocidade descomunal para cravar suas unhas afiadas no seu peito, mas foi parado por Elizabeth, que saiu de seu caixão e protegeu X:
─ Quem te disse que ele está sozinho? Você parece bem rápido, mas não é páreo para mim. E X, por que não me avisou que já estava escuro?
─ Desculpe querida, mas acabe com esse logo, enquanto eu fico com o outro.
Elizabeth enfrentou Gabriel de igual pra igual, os dois eram extremamente rápidos, tão rápidos que X nem podia vê-los. Porém, o anjo era um pouco mais veloz do que Elizabeth. Então, ele começou a acertar golpes realmente graves na vampira:
─ Nossa, ele é mais rápido do que eu pensei. Tenho que matá-lo rapidamente, a situação está ficando grave.
Gabriel olhava fixamente em seus olhos:
─ O que foi, vampirinha? Não consegue me acompanhar? Acho melhor me matar logo para ajudar seu namoradinho, pois ele está com problemas.
Ele tinha razão. X tentava desviar-se de sete espadas que voavam em sua direção. Ele tentava atacar Miguel, mas as espadas o protegiam e atacavam sem ele se mexer. E o anjo, sorrindo, disse:
─ Humano, é impossível você me derrotar. As sete espadas sagradas são perfeitas, eu nunca sofri um arranhão sequer.
Uma das espadas o atingiu na perna e ele caiu no chão. Elizabeth viu aquela cena e se desesperou. Correu pra cima de Gabriel enlouquecida, e só parou quando a mão do anjo ultrapassou o abdômen e saiu pelas costas.
─ Eu disse que vocês não podiam nos derrotar, vocês são muito fracos.
Ele sorriu, mas sua felicidade logo se transformou em dor, pois alguém arrancou seu coração pelas costas. Era Elizabeth que perguntou:
─ Como pode? Há duas de você?
─ Não. Sabe o que eu mais gosto em mim? Eu consigo criar ilusões em mentes fracas como a sua quando eu olho diretamente nos olhos. Eu disse que você não era páreo para mim.
A ilusão sumiu diante dos olhos de Gabriel, antes de cair morto no chão. Ela correu para ajudar X. Os dois tentaram acertar o arcanjo, porém todas as tentativas foram em vão. Até que a vampira teve uma idéia:
─ X, você tem que usar o ultimate blaze. É o único jeito de derrotá-lo.
─ Você tem razão, mas eu preciso de tempo para conjurá-lo.
─ Então comece logo, e deixe que eu te protejo.
X começou a energizar o ultimate blaze, enquanto Elizabeth lutava com Miguel. Elizabeth conseguiu se defender de todos os ataques, então o anjo, percebendo o que estava acontecendo, mandou todas as espadas pra cima de X. Duas delas acertaram X em cheio, uma na perna e outra no ombro, mas ele conseguiu carregar o ultimate blaze, e atirou em Miguel, uma grande bola de energia atingiu o anjo, e o destruiu.
O mercenário procurou por Elizabeth. Ela estava no chão com três espadas perfurando o seu corpo. X correu pra perto dela, apreensivo, e disse:
─ Elizabeth, não morra, por favor!
─ X, eu estou bem, elas não atingiram nenhum ponto vital. Eu só preciso descansar um pouco no meu caixão, e estarei revigorada.
Ela entrou novamente em seu caixão e descansou. Então, um velho de cabelos grisalhos apareceu e começou a falar:
─ Muito bem, tinha certeza que iria ao portão de meu reino.
─ Como assim teu reino, quem é você realmente?
─ Eu sou Deus, o criador de tudo.
─ Mas se você é Deus, por que você não faz alguma coisa?
─ Eu já fiz, deixei tudo em suas mãos. Era a única coisa que eu podia fazer. Ou você queria que eu matasse filhos com minhas próprias mãos?
─ Entendo, se fizesse isso não seria Você, não é?
─ Certamente.
─ Então pode deixar em minhas mãos, só falta mais um desses idiotas para eu derrotar.
─ Sim, mas há uma coisa que tenho que dizer. Ao passar por essa porta você estará no céu e quando um mortal entra no mundo dos mortos, ele só tem algumas horas antes de sua energia vital chegar ao fim.
─ Tudo bem, eu não preciso de muito tempo para matá-lo.
Deus levantou sua mão, e o portão de ouro se abriu. Uma luz incrivelmente intensa saiu de trás dela, cegando X temporariamente. Mas, quando sua visão voltou, ele estava no reino dos céus.
Assim que chegou ao céu, X não pôde acreditar. “Isso é o céu?”, ele disse. Ele sempre imaginou que o céu fosse um lugar com nuvens brancas, jardins, e belas paisagens. Mas, o que viu ali, era completamente o contrário. Nuvens negras, que permitiam que apenas um mínimo de luz entrasse ali, e pelo pouco que podia ver, parecia um lugar morto. Árvores mortas, o chão de terra, casas escuras, era como se ele tivesse sido mandado para o inferno por engano. Sem se deixar distrair, disse para si mesmo:
- Não posso perder tempo investigando isso. Tenho que achar Thariel, e acabar logo com essa história.
Começou a andar, quase sem enxergar nada, procurando por algo que ele não sabia o que era. Porém, olhou para o chão, e encontrou penas. Olhou para frente, e as penas formavam uma trilha. Ao mesmo tempo em que percebeu isso, escutou um barulho estranho. Não sabia porque, mas algo o fez tremer. “O que é isso? Eu não tenho medo de nada. Então, por que estou tremendo?”, pensou consigo mesmo. Pensou em seguir a trilha de penas, mas sentiu-se imobilizado. Por mais inaceitável que fosse, X teve de admitir: o medo havia tomado conta dele. Por um segundo, ficou sem saber o que fazer. O que poderia ser aquilo? Ele já havia derrotado os seis anjos mais fortes, faltava apenas um, o líder Thariel. Tinha de seguir em frente, não podia ficar apenas paralisado ali. Abaixou-se para pegar uma pena. Porém, assim que esticou o braço para pegá-la, ouviu um rugido. Ficou ali, agachado, mais uma vez paralisado. Ouviu outro rugido. Ousou olhar para trás. Virou lentamente a cabeça, e não viu nada. Suspirou, aliviado, e voltou a olhar para a pena. Não deu tempo de reagir. Assim que olhou para baixo, algo emergiu do chão, e o acertou. X voou alguns metros, e caiu. Porém, não ousou perder tempo. Antes de cair, apoiou-se em uma mão, e com uma manobra ficou de pé novamente. Antes mesmo de saber o que o tinha acertado, invocou seu livro, e dele puxou uma espada. Ouviu outro rugido, e se pôs em guarda. Não podia ver aquilo que o tinha acertado, mas podia sentir. Algo se aproximava por trás dele, em alta velocidade. Girou, atacou, e sentiu sua espada atravessar algo. Agora podia vê-lo. Parecia com um anjo, mas era diferente. Tinha asas, era branco, mas tinha uma boca em sua barriga, e possuía chifres e uma expressão demoníaca. Estava segurando uma asa com uma mão, que foi o que X atravessou com sua espada. Com a outra, segurava uma espada. O monstro voou na direção de X novamente, e tentou golpeá-lo. Com um movimento rápido, X desviou a espada do monstro, revidou, e cortou um dos seus chifres. O monstro caiu, com um rugido de dor e fúria, levantou-se novamente, e atacou. Agora estava fácil, o monstro enfraqueceu sem um dos seus chifres. Com mais um movimento rápido, X pulou em cima do monstro e atravessou, com sua espada, a boca que o monstro tinha em sua barriga. Então, o monstro deu um último rugido, e caiu morto. X levantou, com sua espada, e sentiu algo queimar em sua perna. Quando pulou em cima do monstro, ele deu um último ataque. E esse ataque rasgou uma parte do músculo de sua perna. X sorriu, e disse:
- Muito bom. Até que esse monstro fez algo significativo. Agora chega, de diversão, vamos ao trabalho.
Antes de terminar esse pensamento, X ouviu mais um rugido. E mais um. E outro. Quando percebeu, todos os rugidos haviam se unido, e tornaram-se um único e interminável rugido. Mais uma vez tremeu, e ficou paralisado. Tentou olhar para os lados, mas não viu nada. Tudo havia ficado escuro. Invocou seu livro e, assim que ele apareceu em sua mão, disse, na língua do livro:
- Malditos. São tantos que tamparam toda a luz daqui.
- X, você está louco? Vai enfrentar todos, com esse caixão nas suas costas?
- Mas é claro. Um foi fácil. Por que não conseguiria enfrentar todos?
- X, largue logo esse caixão, você ainda vai se matar com isso. Mas, já desisti de você, eu não interfiro mais. O que você quer?
- Bom, acho que precisarei de mais uma espada, e de uma bola de fogo, pra iluminar esse lugar.
- Você acha? Eu pediria mais umas trinta bolas de fogo, e mais dez espadas.
- Cale a boca, e me dê logo o que eu preciso.
- Tudo bem, você que manda.
Assim que respondeu, o livro desapareceu, uma chama iluminou todo o lugar, e X estava segurando duas espadas. Porém, X não pôde fazer nada, quando conseguiu ver o que o rodeava. Centenas, até milhares, de monstros, formando uma cúpula gigantesca à sua volta. Pensou “Ou eu mato todos, ou eu morro aqui. Então, vamos dançar”.
Com um movimento, X fez a chama voar até o meio da cúpula, atingindo os seres que estavam no topo. A luz entrou, e X pôde enxergar tudo. Agora era a hora. Pulou o mais alto que pôde, e viu todos os monstros voarem em sua direção. “Droga, devia ter pedido um escudo também”, pensou. Mas, era tarde demais, teria que acabar com todos daquele jeito mesmo. Percebeu um círculo formar-se em volta de si. Com movimentos rápidos e precisos, defendia, atacava, bloqueava, e matava. “Preciso ficar longe do chão, lá eles me pegam facilmente”, pensou. A cada monstro que matava, apareciam mais três. E a cada monstro que matava, pisava nele, subia mais alguns metros. Sentiu algo queimar em suas costas. “Droga! Eu realmente deveria ter pedido um escudo. Tenho que tomar mais cuidado com ataques pelas costas”. E continuou. Subia muitos metros, já estava totalmente banhado no sangue daqueles monstros, já havia matado pelo menos metade deles, e começou a cansar-se. Não, não podia estar cansado. Ainda falta metade deles, seja lá mais o que for que aparecer à sua frente, e o duelo com Thariel. O duelo com Thariel. O último obstáculo entre ele e a imortalidade, entre ele e a sua amada. Não podia mais perder tempo com esses monstros. Tinha que seguir em frente, tinha que acabar logo com isso. Então, com um giro de corpo, decapitou mais cinco monstros, e teve um segundo de descanso. Nesse segundo, invocou seu livro, e dele tirou uma pistola. O livro desapareceu, ele pisou em um cadáver de monstro, deu um último salto, e caiu. E, enquanto caía, atirava. Acertava a cabeça de todos. E estes caíam junto com ele, mortos. Enfim, após diversos tiros, ele acabou com todos. Só faltava uma coisa. Ele teria que aparar sua queda, de algum jeito. Viu um monstro debaixo de si. Mergulhou até ele e, com sua espada, arrancou suas asas. Assim que as segurou, sentiu um golpe de ar, e sua velocidade diminuiu. Planou até o chão e, assim que pisou, sentiu seus ferimentos. Estava todo ferido, dos pés à cabeça. Mal podia se manter de pé. Invocou seu livro novamente.
- Eu disse, você iria se matar.
- Cale a boca. Você queria que eu fizesse o quê? Saísse correndo?
- Tá, tudo bem, você venceu. Mas, o que você quer?
- Quero que você me cure.
- Tudo bem.
O livro desapareceu, e X sentiu os efeitos da magia. Sentiu seus ferimentos se fecharem, seus sangramentos pararem, e sua força retornar. Então, levantou-se, e continuou a sua busca, novamente sem saber por onde começar.
X continuou andando, praticamente sem rumo, por aquilo que já foi o céu. Estava com raiva de todos aqueles monstros, pois fizeram a trilha de penas desaparecer. A única pista que tinha, eles destruíram. Tinha vontade de voltar lá e matar todos de novo. Mas, não tinha tempo para isso. Tinha que encontrar Thariel, matá-lo, ganhar a recompensa, e viver a eternidade junto de sua amada. Continuou andando, procurando por algo que pudesse ajudá-lo. Enfim, muitos metros à frente, encontrou a mesma trilha de penas. Começou a seguí-la. Andou por muitos metros, aquela trilha parecia não ter fim. Até que, repentinamente, as penas sumiram. X parou, olhou para todos os lados, e viu que não estava em lugar algum. Era tudo um grande cinza. Não estava perto de nada. Havia ali apenas ele, mais nada. X estava confuso, como todas aquelas penas desapareceram daquele jeito? Ou pior, onde ele estava? Em meio a esses pensamentos, mal percebeu algo acontecer. Do chão, emergiu um estranho líquido vermelho. Sangue. E, quando X percebeu, aquilo que era um grande cinza se tornou um grande vermelho. Ele estava no meio de um mar de sangue, totalmente ilhado. “Droga, onde eu deixei aquelas asas de monstro, que eu usei para não cair?”, pensou. Não tinha como sair dali, senão pelo mar de sangue. Tinha sorte que estava em um local mais alto, por isso estava seco ainda. Quando o mar ia alcançar seus pés, parou de subir. X hesitou, mas sabia que o único meio de sair dali era nadando. Não tinha escolha, ou mergulhava no sangue, ou mergulhava no sangue. Então, abaixou-se para tentar enxergar o fundo, mas assim que olhou para o fundo, levantou-se. Crânios flutuavam naquele mar de sangue. Não somente crânios, mas esqueletos, e corpos em decomposição também. Respirou fundo. Preparou-se. E saltou. Caiu naquele mar pesado, difícil de nadar. Sentia membros rasparem pelo seu corpo, e tinha a sensação de que poderia ser agarrado por algum deles a qualquer segundo. Continuou nadando sem rumo pelo sangue. Sentia cada vez mais membros raspando pelo seu corpo. Os corpos pareciam se multiplicar a cada braçada que dava. Começou a se sentir cansado. Sentia seu fôlego diminuir, e parecia que não conseguiria continuar ali por muito tempo. Foi quando, ao levantar a cabeça, viu algo que parecia terra. Sentiu-se renovado. Poderia parar e descansar um pouco, ou poderia até ter encontrado o final daquele mar, e encontrado o lugar onde está Thariel. Mas, de repente, aquele pedaço de terra pareceu ficar mais longe. X voltou a nadar, tentando chegar na terra o mais rápido possível. Porém, sentiu-se preso. Voltou a tentar, mas não saiu do lugar. Então parou, e voltou a olhar para a terra avistada. Ela já era um ponto quase imperceptível. X desesperou-se, estava quase lá, e de repente, estava tão longe. E pior, preso em algo que não sabia o que era. Tentou nadar novamente. Continuava preso. Mas, não desistiu, continuou tentando, com todas as suas forças, sair daquela prisão no meio do mar de sangue. Enfim, escapou. Porém, não parou para descansar, continuou nadando. Então, levantou a cabeça para respirar, mas afundou. Algo o puxou para baixo. X se debatia no fundo daquele mar, sem saber o que o estava segurando, e queria matá-lo. Teve coragem para abrir os olhos e, quando o fez, sentiu-se horrorizado. No meio daquela visão avermelhada, com o sangue entrando pelos seus olhos, ele via esqueletos, zumbis, todos os tipos de seres mortos, olhando para ele, e tentando segurá-lo. Não conseguia falar em meio ao sangue, e por isso não poderia invocar seu livro para conseguir algum tipo de arma. Teria que resolver aquilo com seus próprios punhos. Tentava dar socos nos zumbis, mas o sangue que os envolvia não o deixava ter força para isso. E seu ar estava acabando. Estava sem força, cansado, sem poder respirar, e sua reserva de oxigênio havia acabado. E, para piorar, com centenas de zumbis à sua volta. Precisava chegar à superfície, tanto para recuperar seu fôlego quanto para ter algum tipo de arma para combatê-los. O desespero começou a tomar conta de X. Ele, então, sem ter força para atacá-los, tentou outro jeito. Sentia os lugares que os zumbis o agarravam, e tentava soltar as mãos deles dali. Incrivelmente, era fácil de se soltar. Ao seu toque, as mãos pareciam se desfazer. E, a cada mão que desaparecia, X emergia alguns centímetros. Após muita luta, muitos zumbis tirados de seu corpo, X estava perto da superfície. Soltou mais um zumbi de seu corpo, e então, conseguiu chegar à superfície. Respirou o mais fundo que pôde, e ao mesmo tempo, invocou seu livro, e dele tirou uma espada. Buscou a terra firme, e lá estava, incrivelmente, mais perto do que antes. Continuou tentando nadar até lá, dilacerando qualquer membro que tentasse agarrá-lo. Finalmente, conseguiu sair daquele mar. Coberto e sangue, totalmente cansado, X deitou-se naquele chão. Estava aliviado por estar vivo, e poder completar sua missão. Passou um certo tempo ali, deitado, recuperando seu fôlego, e quando levantou, não acreditou naquilo que via. Um castelo gigante, com um grande vértice de energia negra saindo do centro dele, que se espalhava pelo céu, fazendo com que ele se tornasse aquilo que ele via naquele momento. Aquele castelo fazia o céu se tornar um inferno. E, ali dentro, com certeza, estaria Thariel. X então se levantou, e seguiu até a entrada do castelo. Parou na porta, respirou fundo, e a empurrou. Era um salão gigante, e vazio. Tudo que tinha ali, era o vértice de energia, que o atravessava, e seguia até o subsolo. X entrou no palácio e, assim que estava dentro, as portas se fecharam atrás dele. Começou a andar em direção ao vértice, e tudo que escutava eram seus passos ecoando pelo grande salão vazio. Continuou andando, até chegar ao lado do vértice. Chegou ali, e ficou parado, apenas observando, e imaginando onde estaria Thariel, para ser aniquilado de uma vez por todas. Então, escutou um barulho de asas batendo. Mas, antes de olhar para trás, ouviu:
- Então, alguém conseguiu chegar aqui!
X virou, e viu Thariel, com um sorriso, parado no alto do salão. Então, respondeu:
- Alguém teria que impedir essa sua loucura, certo?
- Hahahaha! Me impedir? Acho que é você quem está louco!
- Eu, louco? Não, apenas estou aqui para te matar.
- Seu idiota! Eu, com meus seis servos, derrotei Deus! Quem você acha que é para pensar em me matar?
- Eu sou aquele que foi contratado por Lúcifer para matar todos vocês. E, bom, posso dizer que o sangue dos seus seis servos já está na minha espada.
- O quê? Você matou meus seis servos? Seu maldito!
- Praguejando, anjo? Vocês são mesmo desprezíveis. Desça aqui agora, e enfrente seu destino!
- Como quiser.
Thariel, em um único mergulho, puxou sua espada, e atacou X. Este, percebendo a velocidade de Thariel, tentou desviar, mas era tarde demais. Voou diversos metros, e caiu no chão. Tentou levantar-se, e sentiu um corte em seu abdômen. Invocou seu livro, fez uma magia de cura, e pegou uma lança. “Vamos brincar”, sussurrou, e correu na direção de Thariel. Apoiou a lança no chão, e a utilizou como trampolim para alcançar Thariel, em vôo. No ar, tentou atacá-lo, mas este desviou, e começou a descer. X então pensou “Foi por isso que eu não te guardei, livro”, e de dentro dele puxou sua pistola, e sua espada favorita. Ainda no ar, atirou em Thariel, e caiu em sua direção. Thariel sentiu o impacto da bala, mas desviou facilmente de X, e conseguiu golpeá-lo. X caiu com o peito no chão, e ouviu a risada de Thariel:
- Hahahaha! Você realmente acha que uma bala pode matar um anjo?
X se levantou com facilidade, e respondeu:
- Mas, quem disse que eu queria te matar com aquilo? Conte até três, por favor.
Thariel ficou confuso, mas antes de dizer alguma coisa, sentiu uma explosão atrás de si. A bala tinha se alojado entre suas asas, e explodiu. Thariel caiu. “Por isso aquele idiota pediu para eu contar até três”, pensou. E então, levantou-se. Sentiu suas asas feridas. “Maldito, ele entendeu logo no meu primeiro ataque que minhas asas são minhas principais armas. Mas, ainda sou o mais forte dos anjos, mais forte do que o próprio Deus, e posso matar esse verme”. Empunhou sua espada, e correu na direção de X. X bloqueou seu primeiro ataque, mas Thariel era rápido demais, e acertou mais dois ataques. X caiu, sentindo que seus ferimentos eram profundos. Curou-se novamente, levantou, e disse:
- Parabéns, anjo. Você mereceu ser líder dos rebeldes. Mas, por cima de mim, você não passará.
- O que você está dizendo? Olhe o seu estado, dependendo de magias de cura para não morrer.
- É, mas você esqueceu de um pequeno detalhe.
- E qual é?
- Eu lutei até agora com um caixão nas costas.
Então, X desprendeu o caixão de suas costas, deixou-o do seu lado, fez alguns movimentos para se acostumar com seu novo peso, pegou sua pistola, e atirou na direção de Thariel.
Thariel viu a bala em sua direção, e desviou dela. Olhou para trás, e a viu explodir em uma parede. Porém, ao olhar de volta, X estava à sua frente, preparado para golpeá-lo. Thariel tentou desviar, mas mesmo assim, foi atingido no braço. Recuperando-se do susto inicial, partiu para cima de X. Os dois trocaram golpes com uma velocidade incrível, mas X era superior. Após algum tempo de batalha, os dois voaram para lados opostos do salão. X estava de pé. Cansado, mas inteiro. Já Thariel estava todo ensangüentado, com diversos ferimentos, e suas asas já não se mexiam mais. Estava de joelhos, não conseguia mais se levantar, e respirava com dificuldade. Já X, queria brincar mais com aquele anjo. Desde que conheceu Elizabeth, nunca mais tirou aquele caixão das costas. Agora, queria sentir novamente aquele poder, aquela velocidade, e Thariel era a vítima perfeita. Ele tinha derrotado Deus, e agora estava nas mãos de X. Pegou seu livro, e iniciou um ataque contínuo a Thariel. “Quero ver até onde esse anjo vai”, pensou. Invocava uma adaga, e jogava em sua direção. Thariel tentava desviar de todas, mas X havia causado muitos ferimentos nele, e o deixou lento. As adagas raspavam nele, e causavam muita dor. Então, X percebeu que Thariel já estava ferido demais, e parou o ataque. Mas, ainda queria mais. Somente aquela pequena luta não era o suficiente para X. Então, fez algo que nunca imaginou que faria um dia. Com seu livro, usou uma magia de cura em Thariel. Este, do outro lado do salão, levantou-se com agilidade. Mexeu suas asas, viu que estava bem, e ficou confuso. Mas, logo entendeu, e gritou para X:
- Maldito! Como você pôde? Eu sou o mais forte dos anjos! Sinta minha fúria!
Com sua principal arma regenerada, Thariel voou até X, e o atacou o mais rápido que pôde. Este, com um simples movimento, colocou sua espada na frente, e bloqueou o ataque. Thariel sentiu a ira crescer dentro de si, e começou a atacar X incansavelmente. Atacava por todos os lados, de todos os jeitos, mas X sempre defendia. E não saía do lugar. Não era possível, aquele mero humano iria matar o mais forte dos anjos. Então, com um rápido movimento, X atravessou o braço de Thariel com sua espada. E o outro. E as duas pernas. Thariel estava com todos os membros feridos. Podia apenas flutuar com suas asas, o que já doía muito. Então, sentiu um último lampejo de esperança. O vértice de energia. Se mergulhar nele, se tornará o ser mais poderoso de todos. Ergueu-se com um movimento rápido de asas, e partiu na direção do vértice. X inicialmente não entendeu, mas depois percebeu a tentativa de Thariel. Iria se fundir com o poder daquele vértice, e destruir tudo. X precisava detê-lo. Sabia que era forte, mas a energia vinda daquele vértice, ninguém poderia deter. Correu o mais rápido que pôde. Tentou atirar em Thariel, mas errou diversas vezes. Continuou correndo. Thariel estava perto. Correu mais. Thariel ameaçou um mergulho em direção ao vértice. X não parou de correr. E, Thariel mergulhou. Estava prestes a se tornar o ser mais poderoso que já existiu. Já podia sentir o poder fluindo dentro de si. Estava a centímetros do vértice, quase podia tocá-lo. Porém, quando esticou a mão, sentiu algo atravessar sua barriga. X alcançou Thariel, e o golpeou no último segundo. Thariel perdeu o equilíbrio de suas asas, e voou descontroladamente. X, seguro apenas pela espada presa na barriga de seu oponente, tentou segurar-se em outro ponto do corpo de Thariel. Conseguiu. Então, tirou sua espada da barriga de Thariel e, com um único golpe, cortou as duas asas do anjo. Os dois começaram a cair. Bateram no chão, com X em cima de Thariel. Ele podia perceber que Thariel quase não tinha forças. Então, levantou-se, e disse:
- Você, anjo traidor, derrotou Deus. Mas, esqueceu que o universo necessita de equilíbrio para continuar existindo. E, agora, por destruir esse equilíbrio, sentirá a fúria de todos os seres existentes! Morra!
E, com um único golpe, X cortou a cabeça de Thariel. O vértice de energia desapareceu. E, aquele lugar cinza e morto, voltou a ser o céu, quase que instantaneamente. X ainda não sabia por que aquelas palavras tinham saído de sua boca, mas algo o fez falar aquilo. Mas, não importava mais, ele havia completado a sua missão, e agora teria vida eterna, ao lado de sua amada. Guardou sua espada, e curou-se. Pegou o caixão, amarrou de volta em suas costas, e partiu para a saída daquele lugar. Mas, antes conseguir sair daquele salão, ele foi invadido por milhares de anjos, felizes por terem seu lugar de volta, celebrando a restauração do equilíbrio ao universo, e saudando X, o responsável por aquilo. E então, uma luz de intensidade enorme invadiu aquele lugar. E dela, uma voz:
- X, parabéns. O equilíbrio foi restaurado ao universo, e nós sabemos que fizemos uma ótima escolha ao contratá-lo. Você receberá sua imortalidade agora, e poderá viver eternamente ao lado de sua amada. Você será mandado de volta para a Terra agora, e poderá viver em paz. Obrigado, X.
Então, como se fosse combinado, todos os anjos começaram a festejar, juntos. E, enquanto a luz desaparecia, X sentia-se distante daquele lugar. A cada momento, ouvia os festejos mais distantes, a visão parecia turva e, quando percebeu, estava dentro de sua casa, e já era noite. Então, abriu o caixão, e viu sua amada, despertando. Então, beijou-a, e contou tudo o que aconteceu. Ela abriu um largo sorriso, o abraçou, e o beijou. E ficaram ali, abraçados, em um longo beijo, até a manhã seguinte chegar, e X continuar esperando ansiosamente pela noite, para rever o seu amor. E assim, pelo resto de suas eternidades.
A Brief Timeline of Video Game Music
Bom, hoje postarei uma matéria, tirada do site gamespot, que conta uma breve história da música nos games, desde os primórdios, até, infelizmente, o lançamento do Playstation 2, provavelmente época em que a matéria foi lançada. Porém, apesar da data de lançamento, é uma ótima matéria, pois mostra que a música nos games teve uma evolução grandiosa desde o primeiro jogo Tennis For Two, até um aparelho para tocar Mp3 no Game Boy Color, último caso apontado pela matéria.
No início, os sons eram somente ilustrativos, simples até demais, porém, encaixavam-se perfeitamente na simplicidade dos primeiros jogos. E assim foram evoluindo, ganhando maior complexidade, juntamente com os novos jogos e consoles lançados, e com os suportes aos sons de 16-bits, 32-bits, e assim por diante, chegando até os dias de hoje, onde são lançados games voltados totalmente para a música, como Guitar Hero e Dance Dance Revolution. A matéria também passa por marcos importantes na história do game audio, como Space Invaders, onde a música acelerava juntamente com a velocidade dos invasores, Super Mario Bros (quem não lembra da musiquinha de fundo quando comenta sobre o jogo?), Final Fantasy, e The Legend of Zelda. Enfim, uma ótima matéria para conhecer melhor o game audio, e como ele está presente desde o início dos games, e tem um papel de extrema importância, tanto na imersão, quanto na qualidade do jogo.
Aliás, o artigo está em inglês, infelizmente. Porém, periodicamente, postarei aqui a tradução das páginas da matéria.
Link para a matéria: http://www.gamespot.com/gamespot/features/video/vg_music/
A Casa da Esquina
Este é um conto de terror, escrito por mim, juntamente com meus amigos Leandro e Rafael para a matéria de Narratividade para Games. Conta a história de uma casa mal-assombrada, e de de dois grupos de amigos que entraram na casa, e bom, não contarei o que acontece, somente lendo para descobrir.
Aproveitem!
A Casa da Esquina
Eram 6 da tarde, as crianças jogavam futebol na rua. Todas se divertindo, correndo para todos os lados e gritando. Entre eles, estava Vitor, um garoto de 10 anos, se divertindo mais que todos. Estava estreando sua chuteira nova, e a cada vez que tocava na bola, ficava mais feliz. Porém, ao dar um chute mais forte, a bola voou até uma casa antiga, abandonada. Todos ficaram bravos com ele, e o forçaram a ir até lá buscar. Estava com medo, mas enfim aceitou. Passou pela cerca alta de madeira, e entrou.
Os garotos estavam ansiosos pela volta de Vitor, mas este estava demorando. Passaram-se duas, três horas, e Vitor ainda estava lá dentro. Então, cansando-se de esperar, foram procurar Molly, a irmã mais velha de Vitor. Chegando em sua casa, viram que estava com dois amigos, Ana e David. Contaram a história, e os três, preocupados, apenas pegam uma lanterna, e vão até a casa. Pedem para os garotos irem para casa, e no dia seguinte passarem na casa deles, para ver como Vitor está.
Passam pela mesma cerca que Vitor tinha passado horas atrás, atravessam o jardim, e pararam em frente à porta. Os três se olharam, e David abriu a porta. Estava muito escuro lá dentro. Ligaram a lanterna, deram os braços para não se perderem, e entraram.
Três jovens correm no meio da rua, dois garotos e uma garota, não aparentam ter mais de dezoito anos de idade. Um dos garotos diz:
― Tem certeza de que é por aqui Vanessa?
― Sim… Eu tenho certeza de que vi Molly vindo por este caminho. ― responde a garota.
Os jovens continuam seguindo até se depararem com uma antiga casa. Sua aparência é velha e depredada, contudo desperta a curiosidade dos jovens, que nunca viram uma casa grande como aquela.
Ao se aproximarem vêem que a porta está aberta, fazendo com que um dos garotos conclua:
― Molly provavelmente entrou aqui.
― André e se você estiver errado? Talvez apenas esteja invadindo a casa de alguém sem nenhum motivo ― diz o outro garoto.
― Deixe de ser medroso Paulo. ― dizem André e Vanessa.
Depois de alguns argumentos para convencerem André, os jovens entram na casa em busca de Molly.
Logo que entraram, a porta se fechou atrás de Molly, Ana e David. Todos sentiram um arrepio na espinha, mas se seguraram. A luz da lanterna atravessou a provável sala, e eles perceberam que se tratava de um local com muitas portas. Chamaram por Vitor, e não receberam resposta alguma. Escolheram uma, e seguiram em frente.
Deram alguns passos, e Ana tropeçou em algo. Os três quase caíram, puxados por ela e, quando se levantaram novamente, apontaram a lanterna para ver no que eles tinham tropeçado. Quando conseguiram ver, Molly pulou para trás, e caiu. Era um esqueleto. Os três ficaram apavorados, e sentiram que algo estava errado naquela casa. Após se levantar, Molly falou:
― Não acredito no que estou vendo. É um esqueleto real?
― É, acho que sim. – Respondeu David.
― Então, acho que devemos sair logo daqui. Vamos procurar a saída.
Os dois concordaram, e iniciaram o caminho de volta. Mas então, perceberam que não se lembravam de qual porta tinham vindo. E então, escolheram mais uma, e começaram a procurar a saída.
Ao entrar na casa, André, Paulo e Vanessa gritam:
― Olá! Tem alguém aí?
Quando não recebem resposta alguma eles ficam mais à vontade para andar pela casa. A primeira vista a casa parece bastante comum, apenas velha, com teias de aranha e objetos de madeira podres e destruídos, provavelmente por cupins, contudo ao prestar mais atenção os jovens percebem algo intrigante. A casa possui uma infinidade de portas, mais do que já tinham visto em qualquer outra, portas que não apenas separam cômodos, mas também corredores que possuem outras portas, sendo que a maioria delas está trancada.
Vanessa vê uma longa escada de madeira e decide que o grupo deve seguir por ela. A casa é tão velha que ao subirem os degraus da escada escutam-se altos rangidos, e é passada a sensação de que a qualquer momento um dos degraus irá se partir ao meio. Chegando ao segundo andar da casa os jovens encontram mais portas trancadas em um longo corredor que termina em uma curva para a direita. Os jovens decidem segui-lo. Ao final do corredor há um grande espelho na parede, onde desde longe os garotos podem ver seus reflexos nele. Antes de chegarem ao final do corredor os garotos escutam um barulho, algo parecia estar sendo quebrado, assustados, Vanessa e Paulo olham para trás para tentar ver o que estava acontecendo, mas André ficou imóvel. Quando Vanessa olha para André ele está pálido e trêmulo. Vanessa pergunta:
― André o que foi?
André continua imóvel sem dizer nada.
― Fale comigo! ― insiste a garota.
A garota para de fazer perguntas ao amigo quando olha para frente em direção ao espelho.
― Ahhh!!! ― seu grito circula por toda a casa em alto e bom som.
Procurando pela saída, Molly, Ana e David começam a andar pela casa. Ainda apavorada com o esqueleto encontrado, Ana diz:
― Meu Deus, não consigo tirar a imagem daquele esqueleto da minha cabeça. O que será que aconteceu com ele?
― Não sei, provavelmente um velho, último dono da casa, que quis morrer aqui. Nada para se preocupar. – Responde David.
― Você está certo, não deve ser nada demais.
Continuam andando, tentando enxergar com a luz fraca da lanterna. A bateria está no final. Molly arrasta a luz pelas paredes, pelo chão, em todos os lugares, procurando desesperadamente por seu irmão mais novo. E, quando passa por uma porta entreaberta, vê uma sombra passar por ali.
― Irmão? – Diz ela.
Olha para seus dois amigos, e percebe neles a mesma expressão de dúvida e medo. Porém, resolvem entrar no cômodo e procurar pelo irmão mais novo ali. Empurram a porta, que abre com um rangido forte. Andam devagar, quietos, tentando ver naquela escuridão. A luz fraca da lanterna pouco ajuda, pois o quarto parece grande, e a luz não parece alcançar parede nenhuma. Continuam andando. Enfim, Molly resolve falar:
― É, acho que vimos demais. Não deve haver nada aqui.
David então diz:
― Realmente, não deve haver nada. Esse quarto também está escuro demais para se ver alguma cois…AAAH!
Paulo, que até o momento estava preocupado apenas com barulho ouvido no andar de baixo, surpreende-se e pergunta:
― O que há de errado com vocês dois?
― Olhe para o espelho! ― diz Vanessa.
Paulo o faz e não vê nada diferente de seu reflexo.
―Não está mais ali, Vanessa você viu, não viu?
―Sim. Estava bem ali.
― Sobre o que vocês estão falando? ― pergunta André.
― André havia algo naquele espelho, nós dois vimos.
― Vanessa vocês estão vendo coisas…
Antes que possa terminar a frase André é interrompido por um novo grito, vindo do andar de baixo.
― E agora o que foi isso?
― Eu não sei… É melhor nos escondermos.
Os jovens procuram desesperadamente por uma porta que não esteja trancada, até que enfim, acham uma. Abrem-na e entram no cômodo. Um pequeno quarto, sem janelas e com apenas dois móveis, uma cama e uma escrivaninha, é o lugar onde os jovens vão parar.
De repente os três ficam em silêncio absoluto. O silêncio da casa é tão grande que seria possível ouvir uma simples brisa que entrasse ali naquele momento. É então que se ouve passos, junto com um barulho esquisito, um barulho de várias chaves se encostando como em um chaveiro. O barulho começa a ficar cada vez mais próximo. Até que os passos param.
― O que aconteceu? ― sussurra André.
― Shh! Fique quieto. ― diz Vanessa.
Paulo se aproxima da porta com o intuito de olhar pela fechadura o que há do outro lado. Não é possível ver muita coisa, já que o buraco da fechadura é relativamente pequeno. É nesse instante que algo atravessa a fechadura e vai direto ao olho do garoto, que começa a gritar desesperadamente e se afasta da porta.
Quando Vanessa e André vão socorrer o amigo, eles vêem que Paulo está com uma chave enfiada profundamente em seu olho qual usava para olhar pela fechadura. Os amigos do garoto se assustam no momento em que olham para aquela cena e se afastam por um breve momento. É quando a porta é simplesmente arrombada por algo, uma criatura horrível.
A criatura possui forma de humanóide, mas tem uma altura maior que a de um humano comum. Não é possível ver seu rosto, está coberto por um tipo de capuz. Em sua mão esquerda há uma enorme lâmina afiada, e em seus pulsos e presos a sua calça há chaveiros com um número grande de chaves. O monstro parte para cima de Paulo com sua lâmina incrivelmente grande, Paulo estando caído no chão por causa da dor, nada pode fazer. O garoto é esfaqueado pouco a pouco pelo monstro. Vanessa e André, apesar do sentimento de medo são capazes de aproveitar a oportunidade e fugir daquele quarto.
Molly e Ana se tomam de pavor com o grito, e apontam a lanterna para David. Ele está muito pálido, mas parece inteiro. Olha para baixo, e a luz da lanterna o acompanha. Os três encontram uma trilha de sangue, órgãos jogados pelo chão, membros amputados e, por fim, ao lado do pé de David, o que eles mais temiam, a cabeça de Vitor.
Molly entra em pânico, joga a lanterna no chão, e agarra a cabeça de seu irmão. Chora descontroladamente, não consegue imaginar quem poderia ter feito algo desse tipo. Seu pequeno irmãozinho, que só foi buscar uma bola dentro daquela casa, com todos os membros amputados, todos os órgãos jogados no chão, uma trilha feita com seu sangue e, pior de tudo, sua cabeça arrancada. Não pode acreditar naquilo que viu, e que agora está sentindo. Seus amigos sentam-se do lado dela, tentam consolá-la, mas não é possível. Ela está totalmente fora de controle. Até que, algo faz todos ficarem paralisados. A fraca luz da lanterna se apaga. Não podem se ver, mas todos têm o mesmo instinto. Pegam a lanterna novamente, levantam rapidamente, se seguram um no outro, e correm. Não sabem para onde estão indo, mas correm. Naquela escuridão, pode-se somente escutar os passos e as respirações fortes dos três. Após sentirem que estão longe e encontrarem uma parede, param e tentam reacender a lanterna. A fraca luz volta, porém mais fraca do que anteriormente. Por um momento, sentem-se mais aliviados. Provavelmente estão bem longe daquele terrível quarto que se encontra o pequeno irmão, assassinado brutalmente por algo, ou alguém. Talvez pela própria casa, que os próprios três sempre consideraram mal-assombrada. Porém, ninguém tenta falar sobre isso. Após alguns segundos de recomposição, Ana resume o que todos estão pensando:
― Precisamos sair daqui. Agora.
Procuram uma porta, atravessando a fraca luz pelo cômodo. Felizmente, o cômodo é pequeno, e a luz alcança todas as paredes. Há ali apenas uma cama, uma janela, que eles presumiram estar trancada, pois todas as janelas foram lacradas com tijolos e cimento antes mesmo dos três terem nascido, e um espelho quebrado. Aproximam-se da janela para se certificar, tentam abrí-la, e até conseguem mas, como esperado, encontram apenas uma pilha de tijolos. Entreolham-se, tristes e com medo do que pode acontecer ali, e resolvem continuar procurando. Mas antes, Ana resolve olhar-se no espelho. Os outros dois sentam-se na cama, com a lanterna virada para o espelho, enquanto esperam. Molly e David, que já se gostam há muito tempo, percebem o perigo daquele momento, que aquele lugar pode ser o seu túmulo, e sentem um desejo mútuo. Aproximam-se um do outro, e se beijam. Sem querer perder tempo, David tenta tirar a blusa de Molly. Mas, antes de ter sucesso na tentativa, escutam um grito estrondoso. Olham para o espelho, e vêem apenas o reflexo de Ana sendo puxada por algo que não podem ver. Sem pensar duas vezes, os dois correm atrás dela, em um impulso desesperado de salvá-la. Estão muito perto dela, e continuam sem conseguir ver quem ou o que a está arrastando. Quando David pula para segurar a mão de Ana, ela faz uma curva brusca em uma porta, e desaparece. Os dois param, cansados, olham um para o outro, e resolvem continuar atrás dela. Entram no outro cômodo, devagar, continuam andando, com a lanterna apontando o chão a um metro deles, até que Molly vê. Sangue. O medo toma conta dos dois. Porém, resolvem seguir a trilha deixada por não se sabe o quê. Atravessam cerca de dois cômodos, e vêem algo peculiar. Uma orelha. Abaixam-se para ver melhor, e percebem que é a orelha de Ana. Mas, antes de poderem pensar algo, outro grito. Correm na direção do som emitido, ambos desesperados para tentar salvar a amiga, mas quando chegam no local onde ela deveria estar, percebem que é tarde demais.
Vanessa e André correm rapidamente de volta pelo corredor sem olhar nenhum momento para trás. A pressa dos dois é tão grande que André acaba chocando-se contra o espelho da parede e o quebrando. A dupla desce rapidamente pela escada indo em direção a saída, contudo os jovens têm uma surpresa:
― Onde está a porta Vanessa?
― Eu não sei! Era para ela estar aqui! Foi por onde nós entramos.
É então que os dois percebem algo, um das portas que estava trancada ao entrarem na casa agora se encontrava aberta. Os dois seguem rapidamente por ela como único caminho.
Eles acabam chegando a uma sala de jantar, com uma mesa retangular no centro da sala rodeada por várias cadeiras. Depois fecharem a porta e colocarem várias cadeiras e outros objetos para impedir que algo entrasse ali eles sentam-se e começam a conversar.
― O que diabos foi aquilo?
― Eu não faço a mínima idéia… André… Você acha que Paulo está morto?
―Provavelmente…
― Meu deus! ― Vanessa começa a chorar de medo e tristeza.
André sente algo em seu braço direito e percebe que uma pequena aranha está caminhando por ele. André esmaga a aranha com uma de suas mãos. Quando ele olha para Vanessa para tentar consolá-la, a garota parece estar cada vez mais apavorada. Ela aponta para André e diz:
― Não… Cuidado…
Molly e David chegam mais perto de Ana, e vêem a cena horrível. Ela está deitada, de bruços, com a blusa inteiramente rasgada e, em suas costas, não há mais pele. Pode-se enxergar a coluna e as vértebras dela. David arrisca virá-la de frente, e se assusta. Está com uma expressão horrível de dor estampada no rosto, sem os dois olhos, e com sua garganta cortada. Os dois se horrorizaram tanto, que não perceberam o rangido atrás deles. Quando os dois entreolham-se, resolvendo levantar, escutam um barulho estranho, uma mistura de grito com rugido, não se sabe o que é, mas assusta totalmente os dois, principalmente pela proximidade do som. Apontam a lanterna para o local de onde veio o som, mas não vêem nada. Em impulso, saem correndo juntos. Atravessam novamente diversos cômodos e, quando acham que estão longe, param.
Visivelmente horrorizada, Molly vira para David, e diz:
― Nós realmente precisamos sair daqui. Meu irmão entrou aqui e morreu. Ana entrou junto com nós dois e morreu. É bom encontrarmos logo a saída, senão seremos os próximos.
― Você está certa. Não sabemos quem ou o quê está tentando nos matar, mas sabemos da brutalidade daquilo. É bom sermos rápidos, para conseguirmos sair daqui com vida. Então, vamos logo procurar a saída desse lugar maldito.
Começam a andar pelo cômodo, procurando portas. Porém, encontram algo que não esperavam ver novamente tão cedo. Sangue. Seguem com a lanterna a pequena trilha, e vêem que vai até uma parede. Chegando na parede, encontram uma mensagem: “Seja lá porque você entrou aqui, procure a saída, senão continuará aqui para sempre”. Os dois se olham, e continuam andando. Entram em outro cômodo, encontram outro aviso: “Volte já, senão se arrependerá”. Continuam andando. Passam por mais um cômodo, e encontram mais um aviso: “Vá embora, você não encontrará nada além da morte aqui dentro”. Os dois começam a ficar mais apavorados ainda, mas continuam, com uma grande vontade de voltarem para suas casas, e voltarem a viver em paz. Atravessam alguns cômodos, e se vêem no cômodo onde encontraram o esqueleto, pouco depois de entrarem na casa. Não dizem nada, mas os dois sabem que estão sentindo a mesma felicidade e esperança. Voltarão para casa.
André não entende o que Vanessa quer dizer com “Cuidado”, mas quando percebe o que está acontecendo com ele, já é tarde de mais… Seu corpo estava tomado por milhares de aranhas que começavam a sair de dentro de seus olhos, ouvidos e boca fazendo com que sua morte fosse bastante rápida.
Vanessa desesperada percebe que talvez não consiga sair viva daquele lugar, então decide desbloquear a porta e voltar à entrada da casa, não com a intenção de procurar novamente a porta para fugir, mas com outro propósito.
Quando a garota chega em um cômodo da casa onde tudo começou, pois não achou a saída, ela pega uma caneta em seu bolso e começa a escrever avisos nas paredes e portas, os avisos diziam:
― Saía enquanto é tempo.
― Fuja! Não cometa o mesmo erro que nós.
― Volte já, senão se arrependerá.
― Vá embora, você não encontrará nada além da morte aqui dentro.
Depois de escrever vários avisos a garota senta-se no chão como se não tivesse mais forças para fugir ou reagir e tudo o que sobra para ela é rezar.
Totalmente renovados, Molly e David esboçam o primeiro passo, quando escutam aquele horrível grito novamente, porém mais longe do que da primeira vez. Antes que Molly tentasse correr, David segura o braço dela, e diz:
― Vá, corra como nunca correu antes, e conte a nossa história aqui dentro. Faça com que essa casa seja demolida, pegue fogo, eu não sei. Apenas saia daqui, e vingue nossas mortes. Eu ficarei aqui, e atrasarei essa coisa.
― Não, você não pode fazer isso! Nós sairemos daqui juntos, vamos correr, antes que aquilo nos alcance!
― Não, Molly. Nós não conseguiremos escapar juntos. Eu ficarei aqui, vá você. Há tanto tempo eu quis te falar isso, mas nunca pude. Somos vizinhos há muito tempo, e nos conhecemos desde sempre. Mas, secretamente, eu sempre te amei. E, sempre disse a mim mesmo que se em algum momento tivesse que dar minha vida por você, não pensaria duas vezes. E esse é o momento. Vá, e nunca se esqueça de mim.
Molly ficou sem palavras. Sempre sentiu uma afeição maior por ele, mas não sabia que ele a amava desse jeito. Porém, não tinha tempo para isso, estava à beira da morte. Apenas deu o segundo, e último beijo nele, e correu. Escutava os gritos de dor dele agora ao longe, e o barulho de seus ossos quebrando-se e sua carne sendo dilacerada. Correu. Correu como nunca correu antes, exatamente como David tinha pedido. Quando se cansou, parou em uma parede, e desligou a lanterna, para economizar bateria.
Após alguns minutos recuperando suas forças, levantou-se, acendeu a lanterna, e resolveu continuar a andar. Porém, ao segundo passo que deu, sentiu chutar algo. Apontou com a lanterna, e viu o mesmo esqueleto do início. Mas, desta vez percebeu, tinha uma agenda do lado dele. Descobriu então que aquele esqueleto pertencia a uma mulher chamada Molly, e que tinha passado ali há muitos anos atrás, provavelmente quando nem se lembrava daquela casa. Com a esperança renovada por encontrar aquele esqueleto, continuou andando. Entrou em outro cômodo, e encontrou outro esqueleto, mas este estando em uma posição estranha. Estava de lado, com as palmas das mãos juntas, a cabeça erguida, e as pernas dobradas. Era como se estivesse ajoelhada, rezando, antes de ser morta. Aterrorizada com a cena, Molly pensou:
― Não pode ser, preciso sair logo daqui. Aqui dentro, nem mesmo Deus pode me ajudar.
Vanessa continuava a rezar intensamente, pedindo por algum milagre que pudesse lhe salvar a vida, mas esse milagre não existia, nem mesmo Deus ousaria colocar os pés naquele lugar. A maldade exalada no ar era pior que o próprio inferno, a escuridão a sua volta crescia a cada segundo, o medo dominava a sua mente e as palavras começavam a fugir de sua boca, ela apertava os olhos querendo acreditar que tudo aquilo era um sonho, porém quando abriu os olhos nada se via nas sombras. Apenas sentiu uma respiração ofegante e demoníaca as suas costas, e naquele instante ela sabia que estava do lado da morte, sentiu unhas adentrarem a carne de seus braços, que os cortavam como se fossem navalhas, a dor circulava por cada parte de seu corpo e estava cada vez mais insuportável, mas mantinha-se parada. Porém, quando sentiu seu abdômen ser cortado de um lado até outro, ela apenas sussurrou:
― Mate-me rápido, e com o mínimo de dor possível.
Então, sentiu algo ultrapassar suas costelas, e chegar ao seu coração. E sua última sensação foi seu coração ser arrancado. Depois, tudo escureceu. Estava morta.
Molly observava aquele esqueleto e por algum motivo percebeu que não importava como aquela pessoa tivesse morrido, ela parecia ter se mantido firme até o final, se aproximou mais, mas parou ao perceber que pisou em algo e, quando se abaixou para ver melhor o que era, se surpreendeu ao constatar que aquilo era sangue. O lugar todo estava cheio de sangue, ela não sabia o que fazer. Correu para fora daquele horrível cômodo e atravessou todo o corredor. Se deparando com outro quarto, procurou desesperadamente a saída, e logo percebeu que não era ali. Porém quando foi sair do lugar a porta se fechou. Ela tentou com toda força abrí-la, mas foi em vão. Um vulto passou perto de suas costas, virou-se e não viu nada, apontou a lanterna e viu apenas uma pequena sombra ao chão, que ficou cada vez maior. Molly percebeu que aquilo era um perigo, tentou procurar alguma saída, mas não encontrou outra saída daquele cômodo. A escuridão tomou parcialmente o quarto, não se via nada quando apontava a lanterna para as paredes, quando percebeu uma pequena luz que saia de trás de um móvel, era um pequeno buraco que impossivelmente conseguiria atravessar, então gritou o mais alto que pôde, a sala escureceu totalmente, o pequeno buraco foi tampado, a garota não enxergava mais nada nem com a luz da lanterna, só sentia o sangue escorrendo nas suas costas enquanto sentia ser arranhada, correu para o vazio até sentir sua garganta ser apertada. Sentiu sua garganta ser cortada, não conseguia mais respirar, e em seus últimos segundos apenas desejou que seu espírito pudesse sair daquela casa terrível, não queria viver lá para sempre. Então, quando já estava quase inconsciente, sentiu seu peito explodir. Foi sua última sensação.
Os pais de Molly e Vitor, ao ver que seus filhos não voltaram depois de meses, após muito tempo esperando ansiosamente, olhando para a casa todos os dias, e sentindo uma raiva extrema, resolveram demolir aquele local horrível. E, após uma semana de demolição, aquele pesadelo finalmente tinha acabado. Sabiam que tinha algo a mais naquela casa, e sentiram que aquilo tinha sido exterminado. Era o fim da casa da esquina.