Rebelião dos Anjos

março 15, 2010 at 8:17 pm (Histórias)

Bom, esse é um conto escrito por mim, juntamente com mus amigos Leandro e Rafael, como trabalho final para a disciplina de Narratividade e Games. É levemente grande, com meras 47 páginas haha, mas espero que tenham paciência para ler, e gostem.

Rebelião dos Anjos

Era uma noite aparentemente normal. Porém, havia uma escuridão fosca no céu. X notou isso, mas não se preocupou. Então, surgiu uma luz muito brilhante no céu, que se aproximava dele, era como se a lua estivesse descendo até ele. A luz se aproximava cada vez mais, e ficava menor. Então, após muito tempo de “viagem”, a luz chegou às mãos de X, que ficou sem reação. Então, lentamente, a luz tomou a forma de uma carta. Era feita de um papel bem tratado, com detalhes desenhados em vermelho, que pareciam sangue. Estava endereçada a X, que a abriu lentamente. Leu:

“Você é a pessoa destinada a impedir a dominação da Terra. Não há escolha, você fará o que eu mando, e receberá uma recompensa em troca, tudo o que você sempre desejou, a sua imortalidade, para viver para sempre ao lado de sua amada. Uma revolução iniciou-se no céu, sete anjos tentam dominar o mundo. E, todos estarão envolvidos nessa guerra. E você, X, é o destinado a acabar com essa revolução. Você matará todos os anjos, e restaurará a paz no universo.”

X olhou bem, e percebeu que a carta estava escrita em sangue. X ficou estático por alguns segundos, mas depois começou a rir:

- Hahaha! Como isso pode ser real? Essas pessoas não têm mais o que fazer, e ficam tentando me assustar. Que se danem todas!

Então, dormiu ainda rindo disso.

No dia seguinte, quando acordou, viu uma cena muito estranha. A mesma carta que leu estava reescrita diversas vezes na parede de seu quarto. Ficou furioso, então disse:

- Meu deus! E agora, quem é que vai limpar toda essa sujeira?

Resolveu sair de casa. Então, retirou um caixão debaixo de sua cama, o amarrou em suas costas, e saiu.

Quando saiu de sua casa, notou algo estranho. Havia uma trilha de sangue, e pegadas estranhas que deixaram a grama chamuscada. X seguiu as pegadas e a trilha, que o levaram a um lugar desconhecido, e muito longe de sua casa. Todas as luzes se apagaram, o local se tornou escuro, apesar de estar no meio da manhã. Encontrou um homem com aparência estranha, um velho de cabelos e roupas negros. Assim que o viu, o velho disse exatamente as mesmas palavras da carta para ele. X sabia que havia algo de estranho com aquele homem, e então perguntou:

- Quem é você, e o que quer comigo, velho?

- Eu? Eu sou aquele que todos temem, e o único destinado a destruir esse mundo. Os anjos se rebelaram, e querem fazer o meu trabalho. E você, X, será aquele que impedirá a dominação e destruição total do mundo pelos anjos.

- Mas, por quê? Como?

- Não se sabe porquê. Apenas se sabe que os sete anjos mais poderosos se rebelaram contra Deus, e nenhum de nós pode fazer nada, pois juramos não intervir diretamente em nada, pois somos os dois seres mais poderosos do universo. Então, escolhemos você, X, um humano muito longe do normal, que deverá derrotar todos os sete anjos. Claro, você terá nossa ajuda em algum momento, mas, você terá que seguir a maior parte do seu caminho sozinho.

E, dizendo isso, aquele velho desapareceu, e todas as luzes daquele lugar voltaram ao normal. X sabia que aquilo era verdade e, por mais que não quisesse, deveria aceitar a missão, e destruir todos os anjos.

- Será uma grande diversão matar todos esses anjos, e provar minha força.

E, dizendo isso, partiu, sem saber para onde ir, atrás dos anjos.

Após uma semana de busca, chegou a uma cidade estranha, chamada Lyrte, onde todas as pessoas estavam se suicidando. Sabia que havia algo estranho ali, e resolveu investigar. Perguntou para diversas pessoas, e via que todas pareciam perturbadas. Estavam todas enlouquecendo, e X sabia que era obra de algum anjo. Passou alguns dias ali, investigando o que poderia estar acontecendo e, um dia, entrou no castelo do senhor da cidade. O prefeito era um homem negro e, incrivelmente, um homem de bom humor, totalmente feliz com a vida. X estranhou, mas ainda não tirou conclusão alguma. X então chegou perto do prefeito, e disse:

- Olá, vossa Majestade!

- Quem é você, forasteiro? – Respondeu o prefeito.

- Sou apenas um viajante. Estava passando por sua cidade, e percebi que acontecia. Todas as pessoas daqui estão aparentemente perturbadas, e muitas se suicidaram. Você soube de algo que aconteceu aqui?

- Algo ? – O prefeito sorriu. – Não, não há nada nessa cidade, tudo está perfeitamente normal. Está questionando a felicidade do meu povo?

- Não, não senhor. Apenas notei algo diferente, e achei que deveria investigar.

- Você, investigar? Investigue isso, mero viajante!

Então, o prefeito levantou-se de seu trono, olhou profundamente nos olhos de X, que finalmente entendeu. Aquele rei era um anjo, que estava dominando completamente a cidade. Porém, tarde demais. Sentiu-se completamente dominado por aquele anjo. E então, foi forçado a sair daquele castelo.

Saiu de lá, e viu a cidade por uma perspectiva diferente. Tudo parecia mais escuro, sua visão se tornou avermelhada, e ele via vultos em todos os cantos da cidade. Mas, não vultos estranhos. X era um caçador, e todas as suas vítimas voltaram para assombrá-lo. Por todo lugar que passava, ouvia vozes. E, todas diziam praticamente a mesma coisa:

-Por que me matou?

- Seu ser terrível, como pôde?

Então X, totalmente assombrado por aqueles espíritos dos que já matou, vagou pela cidade, sem rumo, por muitos dias. Não se sabe exatamente por quanto tempo aquilo aconteceu, mas tudo tem um limite. Um dia, ouviu um espírito dizer a ele:

- Você me matou sem piedade alguma, sua espada atravessou meu corpo diversas vezes. Por que, X?

E então, X finalmente compreendeu, e respondeu:

- Pelo dinheiro. Tudo que fiz até hoje, me trouxe muito dinheiro. E também, me trouxe algo imensamente importante para mim, que eu carrego em minhas costas o tempo todo. Tive motivos para matar, e não devo me sentir culpado por isso.

E então, tudo voltou ao normal. Aquele tom avermelhado que havia na cidade se foi. Os espíritos, também. E X voltou a sentir-se bem. Sem perder tempo, voltou ao castelo do prefeito.

Ao entrar no castelo, o rei, que tinha uma aparência feliz, transformou totalmente sua expressão ao ver X entrar.

- Cacildis! Como você pôde derrotar minha poderosa maldição?

- Posso apenas dizer que a sua maldição é fraca demais. Agora, vamos ao que interessa. Eu vim aqui para te derrotar.

- Me derrotar? Você? Um mero humano? Eu sou Mussiel, um dos sete anjos rebeldes, um dos mais fortes, e você não poderá derrotar-me nunca!

- Mussiel? Mas que nome mais ridículo! Mas enfim, veremos quem é o mais forte. Book!

E, ao dizer isso, um estranho livro apareceu em suas mãos. O livro tinha um rosto em sua capa, e começou a conversar com X:

- O que você quer, X?

- Bom, veremos. Ele é um anjo, então, acho que preciso apenas de uma espada.

- Como quiser.

Então, de dentro do livro, sai uma empunhadura, que X segura, e puxa. E, ao puxar, uma grande espada aparece, e o livro some.

- Agora, veremos quem é mais forte! – Disse X, colocando-se em posição de guarda.

Mussiel levantou-se, pegou uma espada estranha, que parecia mole, de dentro de suas vestes, e postou-se em guarda também.

Os dois duelaram. X era incrivelmente mais habilidoso do que Mussiel, e o feria constantemente. A espada de Mussiel não conseguia atingir X, e ele não entendia como Mussiel poderia ser um dos sete anjos mais poderosos. Durante a batalha, debochou:

- O que é você, um anjo de verdade? Achei que fossem mais fortes.

- Cale a boca, idiota! É claro que sou um anjo, e um dos mais poderosos! Sou um dos sete rebeldes!

- Um dos sete rebeldes? Você provavelmente foi escolhido somente para completar o número, não porque é poderoso!

- Cale-se, e lute!

E Mussiel, dominado pela raiva, partir para cima de X, com uma grande onda de ataques. X desviou de todos facilmente, Mussiel era lento demais. E, finalmente, quando cansou de “brincar” com aquele suposto anjo, resolveu acabar com aquilo. Tinha outros anjos para perseguir, e não podia ficar mais tempo ali. Então, com um único golpe, atravessou o peito de Mussiel. Este gritou de dor, e caiu. Então, como X não sabia como matar os anjos, cortou a cabeça de Mussiel. Deixou-o ali, morto, e foi embora. Voltou para o local onde estava hospedado provisoriamente, e descansou por um longo tempo, para então seguir com sua missão.

Duas semanas se passaram desde que X derrotou Mussiel e salvou a cidade de Lyrte. O caçador se encontra caminhando em uma estrada quase que deserta.

― Sim… É ele de novo… O que você quer que eu faça? Também não confio nele. ― Fala X aparentemente para si mesmo, enquanto se aproxima do homem de cabelos negros, o mesmo homem que havia encontrado perto de sua casa.

― Você fez um ótimo trabalho com Mussiel. ― Diz o homem.

― O que esperava? Que um trapalhão me matasse?

― Meu jovem, me responda uma coisa, você não é um humano comum, é?

― Você também não parece ser um simples velho gagá.

O velho rodeia X, observando-o minuciosamente.

― Por que não larga este caixão? Ele parece estar atrasando-o em sua viagem. ― Diz o velho enquanto aproxima sua mão do caixão com a intenção de tocá-lo.

― Se você sugerir algo do gênero novamente será a última coisa que você irá falar. ― Diz X enquanto segura bruscamente o braço do velho impedindo que o mesmo toque em seu caixão.

― Faça como quiser… Mas, Mudando de assunto, já faz idéia de como encontrar o próximo? ― Diz o velho, enquanto afasta a mão de X que segurava seu braço.

― Se fala dessas criaturas aladas asquerosas, prefiro que não se meta no assunto.

― Bom… Já que se recusa a aceitar minha ajuda não posso fazer nada a respeito, a não ser lhe dar um aviso.

― Aviso?

― Tome cuidado. Por onde os anjos passam ocorrem eventos estranhos.

― Eventos estranhos? O que quer dizer com isso?

Em um breve momento de descuido X perde o velho de vista, deixando-o sozinho no meio do nada.

― Idiota é você. ― Sussurra X.

Continuando seu caminho por algumas horas X, finalmente encontra um sinal de civilização, uma taverna. Decide entrar para tomar uma bebida e perguntar onde fica a cidade mais próxima.

Dentro da taverna se via algo interessante, criaturas diversas relacionando-se. Humanos, anões, kobolds e até uma sereia próxima ao balcão. Todos bebendo como se nada na vida importasse. X aproxima-se do balcão e senta-se entre a sereia e um kobold caolho. O dono do bar, do outro lado do balcão, parece ser o garçom e único empregado da taverna, vê que X senta-se e faz um sinal para ele como quem quis dizer “espere um minuto”, o motivo desse sinal é ele estar ocupado falando com um soldado.

X decide esperar ao invés de ser grosseiro e interrompe-lo. Contudo, não consegue evitar ouvir a conversa.

― Por isso eu digo que é algo estranho… Gostaria que alguém fosse até lá dar uma olhada… ― Fala o dono do bar para o guarda.

― Deve ser apenas uma brincadeira da parte de alguém mal intencionado. ― Diz o guarda.

― Ah! Tudo bem! ― Depois de se aborrecer o dono do bar vai em direção a X.

― O que foi Ched? ― Diz o kobold sentado ao lado de X para o dono do bar.

― É aquela mesma carta de todos os dias me aborrecendo outra vez. ― Diz Ched, o dono do bar, enquanto serve uma bebida para X.

― De que carta está falando? ―Pergunta a sereia para Ched.

― Você vai achar engraçado, mas todos os dias, pela manhã, vem um garoto entregar uma carta para mim. A carta requisita uma encomenda de vinho para um bar em uma cidade ao norte daqui, mas toda vez que chego à cidade o portão está trancado e ninguém me recebe. Quando pergunto ao garoto ele diz não saber qual o motivo, e o mais estranho de tudo, ele jura não ter estado aqui no dia anterior.

― E isso acontece todos os dias? ― Pergunta a sereia.

― Como eu te disse. Todos os dias pela manhã, sempre no mesmo horário.

X termina sua bebida, paga a conta e sai da taverna seguindo ao norte. A cidade de que o homem falou no bar despertou o interesse de X, que atribuía essa anomalia a presença de um dos anjos.

­­­Algumas horas depois da saída de X, um homem alto, vestido com uma capa e chapéu pretos entra no bar:

− Com licença senhores, eu gostaria de uma informação. Passou por aqui um homem carregando um caixão? Vocês podem responder por bem ou por mal, a decisão é toda sua.

O misterioso homem fecha sua mão e retira de seu punho três facas cirúrgicas. As criaturas que estavam no bar se surpreendem com o acontecido, ficam imaginando que tipo de criatura era aquela que podia retirar armas de dentro de seu corpo. A energia que rodeava o homem era muito sombria, o medo tomou conta de todos que estavam ali presentes paralisando-os, até alguém se manifestar:

− Ele foi para a cidade do Norte. − Diz uma das criaturas do bar.

− Agradeço sua cooperação. − Diz o misterioso homem vestido de preto. − Contudo já faz um bom tempo desde que matei uma pessoa.

O misterioso homem retalha todas as criaturas do bar em questão de segundos marcando-as com suas facas, fazendo um “J” em todos eles.

Quando a distância entre X e a cidade diminuem, é possível ver que a cidade é cercada por um grande muro, e possuí apenas um portão na parte da frente. Quanto mais X se aproxima mais ele sente uma forte presença no local, algo provavelmente mágico. Examinando o portão de perto, os olhos de X captam algo que os de uma pessoa normal não conseguiriam perceber, uma inscrição em uma língua jamais pronunciada pelos humanos.

― Hum… Não é algo que eu possa quebrar com as mãos nuas… ― Resmunga X. ― O que você acha Sumário? Book!

X faz aparecer seu livro mágico esperando que ele tenha uma solução para seu problema.

― É um selo muito antigo e poderoso. ― Diz o livro.

― Não foi isso que perguntei seu bloco de recados falante!

―Hum… Esta noite completará quinhentos anos que estou acumulando energia suficiente para usar em uma magia poderosa com esta. Com a energia acumulada em mim é possível anular o selo por alguns segundos para que você possa entrar. Mas devo avisar que para sair deste local será preciso acumular uma grande quantidade de energia novamente.

― E quanto tempo leva para fazer isso?

― Mais quinhentos anos.

― Ainda bem que não estamos com pressa… ― X deita encostado ao muro da cidade dando a impressão de que vai se preparar para dormir.

― Acorde-me pela Manhã.

Depois de ouvir as palavras irônicas de X, Sumário continua o processo de acumulo de energia.

No dia seguinte, X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa e botas de couro, com uma bandana na cabeça. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.

Rapidamente o garoto some da vista de X, enquanto o mesmo tenta passar pelo portão que está abeto. X acaba dando de cara em uma espécie de barreira invisível.

― Ah! Maldição! $%#@*! Porque você não me disse que havia uma barreira impedindo a entrada na cidade? ― Pergunta X ao livro.

― Eu pensei que você saberia uma coisa tão óbvia assim.

― Vamos deixar de falar besteiras… Anule logo o selo contido neste maldito portão.

Sumário exala uma estranha luz que vai em direção ao portão da cidade, fazendo com que a magia do selo seja desativada por algum tempo.

― É agora. ― Diz Sumário para X.

X entra na cidade antes que a magia sob o portão volte a funcionar.

A cidade do norte é uma cidade comum, crianças brincando, adultos trabalhando, todos vivendo normalmente. X vê uma moça bonita saindo de sua casa, usando um vestido de seda branco e um chapéu para que o sol não queime sua cabeça, aparentemente ela vai às compras. X decide pará-la e perguntar:

― Senhorita, tem acontecido algo de estranho aqui na cidade durante essas semanas passadas.

― Estranho? O que você quer dizer com estranho?

― Nada Senhorita, não há necessidade de se preocupar.

X passa por vários lugares pedindo informações e procurando alguma presença mágica no local. X continua sua investigação pela cidade. Sem sucesso, decide jantar e passar a noite em uma estalagem.

Ao entrar na estalagem vai para a área de alimentação e senta próximo ao balcão. Pede uma bebida e descansa um pouco da exaustiva procura por informações. Acaba ouvindo um homem gritando com outro:

― Onde está a encomenda de vinho!

― Eu mandei o garoto levar a carta. Eu juro…

Enquanto X reflete perto do balcão, dois bêbados brigando acabam esbarrando nele, que derrama a bebida em cima de sua roupa. Furioso, X deixa os dois homens inconscientes e decide ir dormir.

No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa e botas de curo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.

Rapidamente o garoto some da vista de X, enquanto o mesmo tenta passar pelo portão que está abeto. X acaba dando de cara em uma espécie de barreira invisível.

― Ah! Maldição! $%#@*! Porque você não me disse que havia uma barreira impedindo a entrada na cidade? ― Pergunta X ao livro.

― Eu pensei que você saberia uma coisa tão óbvia assim.

Sumário anula a magia do portão e X entra na cidade. Ao entrar na cidade algo passa pela cabeça de X.

― Esse lugar me é familiar…

X vê uma moça bonita saindo de sua casa, usando um vestido de seda branco e um chapéu para que o sol não queime sua cabeça. X decide pará-la e perguntar:

― Senhorita, tem acontecido algo de estranho aqui na cidade durante essas semanas passadas.

― Estranho? O que você quer dizer com estranho?

― Nada Senhorita, não há necessidade de se preocupar.

X procura por toda a cidade algum acontecimento estranho, mas acaba não achando nada de incomum.  Depois de se cansar, decide ir para uma estalagem e lá pede uma bebida.

Enquanto X reflete perto do balcão dois bêbados brigando acabam esbarrando nele, que derrama a bebida em cima de sua roupa. Neste momento X recorda do que havia acontecido ontem e percebe o que há de estranho naquela cidade.

― É isso! O dia repetiu-se.

Curioso para saber como lidaria com isso, X decide ir dormir para tomar providencias no dia seguinte.

No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa de pano azul e botas de curo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.

Ao ver o garoto saindo da cidade X imediatamente lembra-se do acontecido e decide entrar novamente na cidade, contudo praticando ações diferentes.

Depois de Sumário anular a barreira X entra na cidade, subitamente perde o equilíbrio, cai e dá de cara no chão. X acha estranho já que nunca na sua vida havia perdido o equilíbrio e caído.

Ao encontrar com a senhorita de vestido de seda X pergunta:

― Senhorita, gostaria de sair comigo?

― Você é muito estranho… ― Responde a moça.

Quando entra na estalagem decide se sentar em uma mesa ao invés do balcão, contudo misteriosamente os bêbados brigam e caem para outro lado, novamente esbarrando nele.

X fica na cidade pelo equivalente há um mês, vivendo todos os dias o mesmo dia. Até chegar a sua conclusão final.

No dia seguinte X acorda com o som do abrir do portão da cidade. Quem sai pelo portão é um menino vestido com uma camisa de pano azul e chinelo. X nota que o garoto carrega consigo um envelope.

Antes que o garoto saísse de sua vista X o agarra pelo braço e diz:

― É você! Maldito! Acha que as pessoas desta cidade são brinquedos?

― Do que está falando moço? ― Pergunta o menino assustado.

― Você é o único que está sempre usando roupas diferentes e também nunca está aqui quando anoitece!

― Haha… Na verdade a única coisa interessante desta cidade passou a ser você.

O garoto se livra das Mãos de X e toma sua forma real. Um anjo muito belo, Loiro de cabelos compridos e lisos, com uma aparência e voz um tanto afeminadas.

― Hahaha. Muito prazer! Ariel, ao seu dispor!

― Não deveria zombar de seu executor.

― Executor? Hora não me leve a mal… ― Ariel rapidamente aparece ao lado de X apoiando as mãos e queixo em seu ombro. ― Não que você não possua capacidade para isso… Mas você simplesmente não conseguirá fazê-lo. Haha.

― Hum… Isso é o que vamos ver. Book!

X invoca seu livro. Abre e lê uma frase em silêncio. Algo parecido com uma pistola se materializa em sua mão, e sem pensar duas vezes, X atira a queima roupa na testa de Ariel.

O anjo cai no chão com um buraco enorme no meio de sua testa, contudo em questão de segundos está de pé novamente sem nenhum arranhão.

― Haha! Eu lhe avisei docinho.

― Devo tentar outra arma? ― Pergunta X para seu livro.

― Não adiantaria. Eu sou um tipo especial de anjo, um Serafim, se assim preferir. Deste modo tenho como função, algo diferente de todos os outros anjos. ― Ariel diz isso dando várias voltas ao redor X, como se ele estivesse encantado pelo caçador.

― E essa seria?

― Um comediante. Pierrot. Bobo da corte! Haha! Minha função é despertar os sentimentos dos seres celestiais, assim vivo eternamente e só eles podem me destruir.

― Tch… Era o só o que me faltava… Um palhaço.

― Mas tenho certeza que podemos chegar a um acordo minha doce criatura.

― É claro. Vou estourar sua cabeça tantas vezes que vai querer cometer suicídio.

― Eu tinha outra coisa em mente. Piadas.

― Como é?

― Você me faz rir com uma piada e eu livro a cidade e desisto de completar a destruição do seu mundo.

― Você é louco?

― Ah! Estaria mentindo se dissesse que não. Então? O que me diz?

X para um minuto e começa a conversar sozinho, como se estivesse discutindo com alguém, mas não havia mais ninguém por lá.

― De jeito nenhum. Você sabe que eu não sou bom em piadas… Ah! Tudo Bem. Vamos lá. ― Diz X, conversando aparentemente sozinho.

X passa o dia inteiro contando piadas a Ariel, e já que não é muito bom no assunto não consegue fazer o anjo soltar sequer um sorriso.

― Viu? Eu lhe disse que não ia dar certo. Como é? Mas essa não faz sentido algum. ― Novamente X conversando sozinho.

― Já desistiu? ― Pergunta o anjo.

― Pelo visto não tenho outra opção. Por que a mata é virgem?

― Como?

― Vamos. Eu perguntei o motivo da mata ser virgem.

― Eu… Não sei…

― Ora é simples, é por que… Por que… É porque a brisa é fresca.

― Porque a brisa é fresca… Porque a brisa é fresca… Hahahaha! ― Ariel não se contém e começa a rir desenfreadamente.

― É realmente um palhaço… Rir com uma piada dessas.

― Tudo bem, você venceu. Agora libertarei a cidade do feitiço.

―Sim.

― Desistirei de dominar a terra junto com meus irmãos.

― Sim.

― E o acompanharei em sua jornada.

― Si… O que?

―Como recompensa por ter me derrotado o acompanharei em sua aventura.

― Não, obrigado.

― Você não tem escolha.

― Isso é o que vamos ver.

Dois dias depois do incidente na cidade do norte e da aliança de X com Ariel:

― Me diga, por favor! O que há dentro desse caixão? ― Diz Ariel.

― Não! Será que você não consegue ficar de boca fechada por um minuto?

― Se vamos viajar juntos não devemos nos relacionar mal desse jeito, X!

― Eu não pedi para ninguém vir comigo!

― Se continuar me tratando assim não lhe direi onde estão os outros anjos.

― O que? Você sabe onde estão os outros anjos e não me disse nada?

― Você não perguntou.

X decide parar, respirar e acalmar-se, já que pelo visto terá que agüentar a presença de Ariel por um bom tempo. De repente um garoto vem correndo na direção de X gritando:

― Socorro! Alguém me ajude!

― O que foi garoto? Qual é o problema? ― Pergunta X.

― Minha vila foi atacada por demônios!

― Demônios? Onde fica sua vila?

― Depois da floresta! Mas não é melhor ir buscar ajuda?

― Fique tranqüilo garoto, vá para a vila ou cidade mais próxima. Eu cuidarei desses demônios. Ariel, Vamos!

X e Ariel entram na imensa floresta, e a caminhada, que duraria poucos minutos, acaba se estendendo por horas. X não entende o que está acontecendo, já que possui um ótimo senso de direção, e não se perde com freqüência

Ariel percebe o que X ainda não havia notado.

― Ela está mudando. ― Diz Ariel.

― O quê?

― A floresta está mudando.

― E por que isso? É algum feitiço?

― Não… Ela está me protegendo…

― Como assim?

― Quando a natureza começa a agir de forma incomum é porque ela está de alguma forma protegendo uma criatura celestial, é como se fora daqui eu corresse um grande perigo. A floresta não quer que eu saia.

― Então diga a ela que você vai ficar aqui, eu posso resolver o problema sozinho.

― Não é simples assim. Eu não posso mandar na floresta, ela age por si mesma.

― Então vamos ficar aqui pra sempre?

― Só até o perigo passar.

― Tudo bem. Vamos esperar.

― Não podemos.

― Por quê?

― Há um anjo na vila que foi atacada, ele é o perigo do qual a natureza quer me salvar.

― Então eu derrotarei esse anjo e sozinho e depois você volta a me acompanhar.

― Você não entendeu. Todos os anjos estão me caçando agora, sem querer eu acabei te atrasando. Mas não se preocupe, eu darei um jeito de sairmos daqui.

Ariel fecha os olhos, junta as duas mãos e começa a rezar.

― Meu deus, todo poderoso, por favor, ajude-nos…

― Parece que estão com problemas. ― Diz o velho homem com que X já havia encontrado algumas vezes.

― Da onde você surgiu velhote?

― Isso não importa. O que importa é que eu posso pedir para a floresta deixar vocês passarem.

― Então o faça.

― Eu conheço o senhor de algum lugar? ― Pergunta Ariel.

― Não meu caro. Não nos conhecemos.

― Como ele sabe que Ariel não é uma simples mulher? O jeito que se referiu a ele… No masculino… ― Pensa X em silêncio.

― Muito bem. Podem passar. ― Diz o velho.

― É só isso? Não vai querer nada em troca? ― Pergunta X.

― Eu já lhe disse uma vez, fui mandado para cá com o exclusivo objetivo de te auxiliar.

X e Ariel não perdem tempo, se despedem do velho e caminham com o objetivo de cruzar a floresta.

― Adeus, Ariel, meu irmão. ― Diz o velho quando Ariel e X somem de sua vista.

Assim que X e Ariel saem da floresta vêem a vila tomada por uma nuvem negra.

Dentro da vila estão várias pessoas curvadas em direção a um templo, no qual no teto se encontra um anjo.

― Azazel! ― Diz Ariel.

― Estava a sua espera, X. ― Diz o anjo.

― Me esperando? Ora, fui convidado para uma festa e nem sabia. Desculpe o atraso, mas agora estou pronto para detonar! Book!

X invoca seu livro, Sumário, e se prepara para o combate.

― Vamos com calma. ― Diz Azazel. ― Acho melhor você saber um pouco mais sobre mim antes de lutar.

― Desculpe, mas eu prefiro não saber muito sobre minhas vítimas.

― Escute, X. ― Diz Ariel. ― O que ele disse é importante, este não é um anjo qualquer, é Azazel, o primeiro anjo caído depois de Lúcifer.

― E…? ― Pergunta X, fazendo pouco caso do adversário.

― Ele jurou lealdade a Lúcifer, e todas as almas do inferno o seguem por isso.

― Isso foi no passado. Lúcifer não é ninguém agora. Eu e os outros anjos vamos governar esse mundo e dividir com os demônios. ― Diz Azazel.

― O que fez com essas pessoas? ― Pergunta X.

― Nada, elas estão apenas sendo usadas como recipientes para os meus amigos demônios, e vou logo avisando, se tentar me ferir eles me protegerão com a vida dessas pessoas inocentes.

De repente todos os humanos possuídos por demônios vão em direção de X e Ariel atacando-os. X e Ariel apenas desviam dos golpes desferidos pelos inimigos, já que X não quer machucar os humanos que estão sendo controlados pelos demônios. Contudo o número de inimigos é muito grande, e X acaba sendo ferido.

― O que foi X? Qual é o problema? Não pode machucar os inúteis humanos? ― Diz Azazel.

― Tch… Você está me subestimando. ― X abre seu livro e começa a pronunciar palavras cuja língua é desconhecida.

Todos os demônios ficam paralisados começam a emitir ruídos esquisitos.

― Oração ao céu! ― Diz X.

Todos os demônios começam a sair dos corpos dos humanos em forma de uma nuvem preta, nuvem que é absorvida por X, que aparenta estar totalmente vulnerável.

― Hahaha! Sabia que você usaria esta técnica! Foi por isso que trouxe esse grande número de demônios para a terra. Esta técnica permite que o usuário absorva os demônios de outras pessoas, mas exige uma energia muito grande para ser executada, depois de usá-la o usuário fica indefeso. Prepare-se para morrer, X!

Azazel vai em direção a X em uma velocidade impressionante, tudo indica que ele quer terminar tudo com um único golpe. Para a surpresa de Azazel e X, Ariel entra na frente de X e serve como escudo vivo.

― Esse idiota! Apenas antecipou sua morte. ― Diz Azazel depois de ter atravessado o corpo de Ariel com seu braço.

― X, salve o mundo. ― São as últimas palavras de Ariel.

X, ainda paralisado, comove-se com as palavras do amigo e fica enfurecido pela sua morte.

― Prepare-se para morrer, X!

Enquanto Azazel prepara-se para desferir outro golpe, algo o intriga:

― Onde está seu caixão? ― Pergunta o anjo.

Uma pergunta para qual não havia necessidade uma resposta. O caixão que X carregava nas costas estava de pé e abrindo-se. Conforme a tampa do caixão abria, uma fumaça azul exalava do mesmo. A fumaça dificultava muito a visão de Azazel, que apenas conseguiu ver uma criatura de forma humanóide saindo de dentro do caixão. Pouco tempo depois, quando a fumaça já era quase nula, podia-se ver uma linda mulher de cabelos e olhos negros, pele branca, vestida com uma capa preta.

Azazel imediatamente reconheceu a mulher ao vê-la. Ela era…

― Elizabeth! A Rainha dos vampiros! Não pode ser… Como você pode estar viva? ― Pergunta Azazel desesperado.

― A questão não é essa agora, Azazel. A questão é: como você quer morrer?

― Não me subestime! ― Azazel parte em direção a Elizabeth desferindo uma seqüência de golpes extremamente rápida.

Elisabeth desvia de todos os golpes do anjo sem dificuldade alguma. Aparece atrás de Azazel e diz:

― Você é tão fraco que nem merece ser chamado de anjo. ― Em um simples movimento de sua mão, Elizabeth arranca a cabeça de Azazel.

Com o anjo morto, a nuvem negra que pairava sobre a cidade se dissolve. Elizabeth caminha em direção a X e pergunta:

― Você está bem?

― Eu falhei.

― Como?

― Eu falhei… Com você e com Ariel.

― Não diga isso.

― Mas é verdade! Eu jurei protegê-la durante sua hibernação e é você quem precisa me salvar. Como se não bastasse isso, Ariel deu sua vida por mim.

― Ariel sacrificou-se por que acreditava em você e em seu objetivo. Você não falhou comigo, depois de me salvar tantas vezes o mínimo que eu podia fazer era retribuir esse favor.

― O que faremos agora?

― Nós vamos atrás dessas criaturas aladas horrendas e vamos exterminá-las uma por uma.

− Ora, ora. Se não são X e Lizzy. − Diz uma voz misteriosa.

− Quem está aí? − Pergunta Elizabeth.

− Qual o problema? Não estão me reconhecendo.

− Akabane! − Diz X com dificuldade por ainda estar sem forças.

− Esse seria o momento perfeito para mandar os dois para o inferno. − Diz Akabane ajeitando seu chapéu.

− Acha mesmo que pode derrotar nós dois de uma vez? − Pergunta Elizabeth.

− Não seja tola. X não está em condições de lutar, enquanto você, digamos que não é um grande desafio para mim.

− Ora, seu…

− Elizabeth… Não lute com ele… Akabane é conhecido com Dr. Jackal, em termos de habilidade ele é tão bom quanto eu. − Diz X.

− Não se preocupem. Eu não lutarei com vocês hoje. Não seria nada divertido matá-los nessas condições.

− Você, me matar? Não seja ridículo? Eu enfrento você a hora que quiser onde quiser! − X sai do sério com o comentário feito por Akabane.

− Hahaha. Isso é o que vamos ver. − Akabane debocha de X.

Akabane some nas sombras deixando X aliviado. X e Elizabeth salvaram-se por pouco e decidem descansar. Quando X fecha seus olhos ouve alguém chamá-lo, era o mesmo velho de cabelos negros aparecendo em um sonho de X:

─ X, você está quase chegando ao seu destino.

─ Meu destino, talvez seja a morte, não sei se conseguirei continuar lutando assim por muito tempo essas criaturas são mais fortes do que eu pensei.

─ Você conseguirá, tenha fé em si mesmo.

─ Mas, o que eu devo fazer agora, eu não sei pra onde ir.

─ Antes de te dizer pra onde ir eu queria lhe fazer uma pergunta, você realmente ama essa Elizabeth?

─ Sim, confesso a ti que se não fosse por ela eu já teria desistido dessa vida.

─ Então em verdade eu vos digo, siga até aonde o seu amor não possa ser dizimado e encontrará a porta do destino.

Ele acordou, foi tudo um sonho. O dia já havia nascido e o sol batia intensamente em seu rosto. Enquanto aquele calor lhe queimava a pele, sem saber como, ele entendeu qual caminho deveria seguir. Colocou o caixão em suas costas para que Elisabeth não ficasse exposta na luz do dia, correu o máximo que pôde na direção contrária do Sol, correu intensamente durante alguns minutos e logo se perguntou se o que estava fazendo o levaria a algum lugar, ele estava correndo em direção ao nada e quando começou a pensar em desistir apareceu uma nuvem negra à sua frente, que começou a se expandir e aniquilar toda a luz à sua volta. X olhou para o seu relógio, era quase meio dia, ainda estava muito cedo para escurecer, o sentimento que vagava parecia mortal até para as estrelas, que pareciam não arriscar iluminar aquele covil no qual o mercenário se encontrava. De repente, um som ecoou forte pela imensidão, era como uma farfalhar de asas batendo, e no mesmo momento uma criatura se projetou das sombras para cima de X, que conseguiu desviar a tempo de receber apenas um arranhão em seu rosto.

Enquanto o sangue escorria até a sua boca, X se virou para aqueles olhos cheios de raiva e que desejavam a sua morte, era mais um desprezível anjo, ele era muito alto, tinha uma pele morena e em uma de suas mãos duas pequenas adagas, bem afiadas. X entendeu com o que foi atingido quando viu uma delas coberta de sangue, e perguntou:

─ Quem é você?

─Pode me chamar de arcanjo Rafael, homem insolente.

─ É sempre bom saber o nome das criaturas que vou matar.

─ Como ousa? Eu lhe pergunto, como um ser como você conseguiu chegar até os portões do céu?

─ Para falar a verdade, eu realmente não sei. Talvez eu mereça estar aqui tanto quanto você.

─ Merece? Não seja idiota, nenhum homem merece estar aqui, nem mesmo depois de morto. Vocês merecem o inferno, que é para onde eu vou te mandar!

Ele partiu pra cima de X com seu machado, que pegou seu livro e invocou uma espada para si, bem a tempo se proteger. O machado de Rafael era muito forte, porém o deixava lento, então X enfincou sua espada múltiplas vezes no corpo do anjo, que caiu de joelhos no chão e ficou lá, sem nenhuma reação.

X seguiu lentamente até ele para finalizar a batalha. Quando foi cortar a cabeça do anjo, alguma coisa parou sua espada, ele tentou golpear novamente, mas não conseguiu. Sua espada não entrava em contato com o anjo, ele estava protegido por um campo de força, então o mercenário percebeu que ele estava pronunciando palavras estranhas e que todos os seus ferimentos estavam se curando.

A batalha se estendeu durante horas, quando X achou uma solução, um ponto fraco, em um dos momentos em que ele foi se curar X conseguiu arranhá-lo no braço, um arranhão tão superficial que Rafael nem percebeu, mas o assassino entendeu como matá-lo. Toda vez que se cura, gasta muita energia, inicialmente para se concentrar na cura, e por alguns segundos ele não gera o campo para se proteger, talvez uma falha que nem mesmo ele saiba.

X invocou mais uma espada e, quando Rafael baixou a guarda, ele a arremessou, atingindo-o no ombro. Quando Rafael começou a pronunciar novamente as palavras, X correu pra cima dele e o decepou. Venceu mais uma árdua batalha, porém, antes de prosseguir, pegou seu livro e colocou sobre o peito do anjo caído, e roubou suas habilidades.

X continuou a seguir por aquele abismo profundo, o frio lhe cortava a carne como a mais afiada lâmina banhada em brasas. Continuou andando pela escuridão até sentir que seus pés estavam encharcados. Estavam inteiramente mergulhados em algo, e quando olhou atentamente, percebeu a monstruosidade que era aquele lugar. Estava em um rio de sangue, cabeças decepadas e as mais variadas partes de corpos boiavam a sua volta, alguns ganchos que viam do alto também tinham corpos pendurados, ganchos enferrujados enfincados nas colunas dos defuntos, o abdômen estava aberto até a altura do peito e os intestinos e outros órgãos pendurados para fora do corpo. Aquele ar sombrio corroia a sua alma, e X começou a se perguntar se realmente teria tomado o caminho para os portões celestiais ou se estava no inferno.

Durante o percurso X ouve uma risada conhecida.

− Hahaha. Eu estava te esperando X. − Diz uma voz familiar.

− Akabane.

− Está pronto para resolver nossas diferenças?

− Escute Elizabeth, não quero que saia de seu caixão em hipótese alguma. Não atrapalhe minha luta.

Em apenas um segundo Akabane materializa uma espada vermelha que parece ser feita de sangue.

− Book!

X invoca seu livro e pede a ele sua espada. Os dois começam seu combate. A habilidade dos dois é tanta que passam um longo tempo analisando um ao outro. Suas técnicas são muito parecidas, fazendo com que eles fiquem horas se enfrentando. É então que X diz algo para Akabane:

− Você não sabe, mas eu estou muito próximo de alcançar minha imortalidade.

− Imortalidade? Você também se tornará imortal? − Akabane fala como se tivesse um grande interesse no assunto.

− Eu preciso apenas completar minha missão para conseguir minha imortalidade. Imagine se eu também for imortal poderemos lutar por toda eternidade.

− Isso seria realmente divertido.

− Então o que me diz?

− Tudo bem. Vá conseguir a vida eterna. Encontraremos-nos daqui alguns anos, X. Hahaha. − Akabane desaparece em meio às sombras.

Depois do inesperado encontro com Akabane, outra pessoa familiar aparece para X, O velho de cabelos negros.

─ É por isso que saí do céu, a recepção do inferno é bem mais agradável.

─ Onde eu realmente estou? – perguntou X.

─ Aqui é a porta de entrada do céu, bem decorada, você não acha? É só seguir em frente.

─ Eu só queria te falar que, quando você morrer, não se esquecer desse lugar horrível, e escolher a minha casa para viver, garanto que é bem melhor. E boa sorte.

Finalmente aquele mar sangrento acabou, e de longe X pôde ver um gigante portão muito bonito, que parecia feito de ouro, e quanto mais chegava perto, mais a luz que reluzia dele se intensificava. Quando chegou mais perto, percebeu que havia alguém bem em frente ao portão. Estava agachado e parecia estar comendo alguma coisa, devorava enlouquecido o que parecia ser pedaços de carne humana enquanto estraçalhava outra com suas unhas afiadas, havia duas saliências em suas costas, o assassino entendeu, era um caído, um anjo que teve suas asas arrancadas. De repente a criatura parou de se alimentar e olhou na direção de X:

─ Quem és tu? Veio ser meu jantar de hoje?

─ Sou aquele que veio te matar, caído.

─ Agora entendo, você é o bonequinho que Deus e o Príncipe do Inferno contrataram para nos destruir.

─ Sou, e me parece que eu tenho feito bem o meu trabalho, não acha?

─ São todos uns fracos, mas você acha que pode matar Gabriel? Nunca.

─ O mesmo traidor de sempre. Primeiro traiu o Criador para ficar do lado de Lúcifer e agora também o traiu, Deus fez bem em te mandar para o inferno e colocar Miguel em seu lugar como comandante do exército celestial. Me diga, você está do lado de quem agora?

─ Você é tão ingênuo, e eu lhe respondo: estou do lado de meu irmão Miguel.

─ Miguel? Como assim, você não pode estar falando sério.

─ Sim, ele está.

Um anjo apareceu voando e posou do lado de Gabriel, e apesar de nunca o ter visto, X teve a certeza era Miguel.

─ Eu não entendo, até você? Por que você está traindo seu Pai?

─ Você diz que estou traindo meu Pai, ele não é nada para mim, ele nunca fez nada por mim. Não há como trair alguém que praticamente não existe em sua vida, vocês homens também, por que devem tanta obediência a alguém que vocês nunca viram? Vocês são uns tolos.

─ Como pode dizer isso? Você sentava ao lado dele, ele tinha confiança em ti, ele deixou o comando de seu exército em suas mãos, como você pode dizer isso?

─ Deus é um jogador. Ele não confia em ninguém, apenas joga de acordo com as cartas que tem em sua mão. Você não vê? Agora Ele se aliou a Lúcifer, depois de condená-lo a viver no Inferno pela eternidade.  É isso o que eu vi e que todos não querem enxergar. Ele só pensa em si mesmo, e você é apenas mais uma peça que ele movimenta a sua vontade.

─ Então eu vou ter que matar vocês.

─ Você acha que pode derrotar a mim e ao Miguel sozinho?

Gabriel sumiu aos olhos de X, e veio com uma velocidade descomunal para cravar suas unhas afiadas no seu peito, mas foi parado por Elizabeth, que saiu de seu caixão e protegeu X:

─ Quem te disse que ele está sozinho? Você parece bem rápido, mas não é páreo para mim. E X, por que não me avisou que já estava escuro?

─ Desculpe querida, mas acabe com esse logo, enquanto eu fico com o outro.

Elizabeth enfrentou Gabriel de igual pra igual, os dois eram extremamente rápidos, tão rápidos que X nem podia vê-los. Porém, o anjo era um pouco mais veloz do que Elizabeth. Então, ele começou a acertar golpes realmente graves na vampira:

─ Nossa, ele é mais rápido do que eu pensei. Tenho que matá-lo rapidamente, a situação está ficando grave.

Gabriel olhava fixamente em seus olhos:

─ O que foi, vampirinha? Não consegue me acompanhar? Acho melhor me matar logo para ajudar seu namoradinho, pois ele está com problemas.

Ele tinha razão. X tentava desviar-se de sete espadas que voavam em sua direção. Ele tentava atacar Miguel, mas as espadas o protegiam e atacavam sem ele se mexer. E o anjo, sorrindo, disse:

─ Humano, é impossível você me derrotar. As sete espadas sagradas são perfeitas, eu nunca sofri um arranhão sequer.

Uma das espadas o atingiu na perna e ele caiu no chão. Elizabeth viu aquela cena e se desesperou. Correu pra cima de Gabriel enlouquecida, e só parou quando a mão do anjo ultrapassou o abdômen e saiu pelas costas.

─ Eu disse que vocês não podiam nos derrotar, vocês são muito fracos.

Ele sorriu, mas sua felicidade logo se transformou em dor, pois alguém arrancou seu coração pelas costas. Era Elizabeth que perguntou:

─ Como pode? Há duas de você?

─ Não. Sabe o que eu mais gosto em mim? Eu consigo criar ilusões em mentes fracas como a sua quando eu olho diretamente nos olhos. Eu disse que você não era páreo para mim.

A ilusão sumiu diante dos olhos de Gabriel, antes de cair morto no chão. Ela correu para ajudar X. Os dois tentaram acertar o arcanjo, porém todas as tentativas foram em vão. Até que a vampira teve uma idéia:

─ X, você tem que usar o ultimate blaze. É o único jeito de derrotá-lo.

─ Você tem razão, mas eu preciso de tempo para conjurá-lo.

─ Então comece logo, e deixe que eu te protejo.

X começou a energizar o ultimate blaze, enquanto Elizabeth lutava com Miguel. Elizabeth conseguiu se defender de todos os ataques, então o anjo, percebendo o que estava acontecendo, mandou todas as espadas pra cima de X. Duas delas acertaram X em cheio, uma na perna e outra no ombro, mas ele conseguiu carregar o ultimate blaze, e atirou em Miguel, uma grande bola de energia atingiu o anjo, e o destruiu.

O mercenário procurou por Elizabeth. Ela estava no chão com três espadas perfurando o seu corpo. X correu pra perto dela, apreensivo, e disse:

─ Elizabeth, não morra, por favor!

─ X, eu estou bem, elas não atingiram nenhum ponto vital. Eu só preciso descansar um pouco no meu caixão, e estarei revigorada.

Ela entrou novamente em seu caixão e descansou. Então, um velho de cabelos grisalhos apareceu e começou a falar:

─ Muito bem, tinha certeza que iria ao portão de meu reino.

─ Como assim teu reino, quem é você realmente?

─ Eu sou Deus, o criador de tudo.

─ Mas se você é Deus, por que você não faz alguma coisa?

─ Eu já fiz, deixei tudo em suas mãos. Era a única coisa que eu podia fazer. Ou você queria que eu matasse filhos com minhas próprias mãos?

─ Entendo, se fizesse isso não seria Você, não é?

─ Certamente.

─ Então pode deixar em minhas mãos, só falta mais um desses idiotas para eu derrotar.

─ Sim, mas há uma coisa que tenho que dizer. Ao passar por essa porta você estará no céu e quando um mortal entra no mundo dos mortos, ele só tem algumas horas antes de sua energia vital chegar ao fim.

─ Tudo bem, eu não preciso de muito tempo para matá-lo.

Deus levantou sua mão, e o portão de ouro se abriu. Uma luz incrivelmente intensa saiu de trás dela, cegando X temporariamente. Mas, quando sua visão voltou, ele estava no reino dos céus.

Assim que chegou ao céu, X não pôde acreditar. “Isso é o céu?”, ele disse. Ele sempre imaginou que o céu fosse um lugar com nuvens brancas, jardins, e belas paisagens. Mas, o que viu ali, era completamente o contrário. Nuvens negras, que permitiam que apenas um mínimo de luz entrasse ali, e pelo pouco que podia ver, parecia um lugar morto. Árvores mortas, o chão de terra, casas escuras, era como se ele tivesse sido mandado para o inferno por engano. Sem se deixar distrair, disse para si mesmo:

-                     Não posso perder tempo investigando isso. Tenho que achar Thariel, e acabar logo com essa história.

Começou a andar, quase sem enxergar nada, procurando por algo que ele não sabia o que era. Porém, olhou para o chão, e encontrou penas. Olhou para frente, e as penas formavam uma trilha. Ao mesmo tempo em que percebeu isso, escutou um barulho estranho. Não sabia porque, mas algo o fez tremer. “O que é isso? Eu não tenho medo de nada. Então, por que estou tremendo?”, pensou consigo mesmo. Pensou em seguir a trilha de penas, mas sentiu-se imobilizado. Por mais inaceitável que fosse, X teve de admitir: o medo havia tomado conta dele. Por um segundo, ficou sem saber o que fazer. O que poderia ser aquilo? Ele já havia derrotado os seis anjos mais fortes, faltava apenas um, o líder Thariel. Tinha de seguir em frente, não podia ficar apenas paralisado ali. Abaixou-se para pegar uma pena. Porém, assim que esticou o braço para pegá-la, ouviu um rugido. Ficou ali, agachado, mais uma vez paralisado. Ouviu outro rugido. Ousou olhar para trás. Virou lentamente a cabeça, e não viu nada. Suspirou, aliviado, e voltou a olhar para a pena. Não deu tempo de reagir. Assim que olhou para baixo, algo emergiu do chão, e o acertou. X voou alguns metros, e caiu. Porém, não ousou perder tempo. Antes de cair, apoiou-se em uma mão, e com uma manobra ficou de pé novamente. Antes mesmo de saber o que o tinha acertado, invocou seu livro, e dele puxou uma espada. Ouviu outro rugido, e se pôs em guarda. Não podia ver aquilo que o tinha acertado, mas podia sentir. Algo se aproximava por trás dele, em alta velocidade. Girou, atacou, e sentiu sua espada atravessar algo. Agora podia vê-lo. Parecia com um anjo, mas era diferente. Tinha asas, era branco, mas tinha uma boca em sua barriga, e possuía chifres e uma expressão demoníaca. Estava segurando uma asa com uma mão, que foi o que X atravessou com sua espada. Com a outra, segurava uma espada. O monstro voou na direção de X novamente, e tentou golpeá-lo. Com um movimento rápido, X desviou a espada do monstro, revidou, e cortou um dos seus chifres. O monstro caiu, com um rugido de dor e fúria, levantou-se novamente, e atacou. Agora estava fácil, o monstro enfraqueceu sem um dos seus chifres. Com mais um movimento rápido, X pulou em cima do monstro e atravessou, com sua espada, a boca que o monstro tinha em sua barriga. Então, o monstro deu um último rugido, e caiu morto. X levantou, com sua espada, e sentiu algo queimar em sua perna. Quando pulou em cima do monstro, ele deu um último ataque. E esse ataque rasgou uma parte do músculo de sua perna. X sorriu, e disse:

-                     Muito bom. Até que esse monstro fez algo significativo. Agora chega, de diversão, vamos ao trabalho.

Antes de terminar esse pensamento, X ouviu mais um rugido. E mais um. E outro. Quando percebeu, todos os rugidos haviam se unido, e tornaram-se um único e interminável rugido. Mais uma vez tremeu, e ficou paralisado. Tentou olhar para os lados, mas não viu nada. Tudo havia ficado escuro. Invocou seu livro e, assim que ele apareceu em sua mão, disse, na língua do livro:

-                     Malditos. São tantos que tamparam toda a luz daqui.

-                     X, você está louco? Vai enfrentar todos, com esse caixão nas suas costas?

-                     Mas é claro. Um foi fácil. Por que não conseguiria enfrentar todos?

-                     X, largue logo esse caixão, você ainda vai se matar com isso. Mas, já desisti de você, eu não interfiro mais. O que você quer?

-                     Bom, acho que precisarei de mais uma espada, e de uma bola de fogo, pra iluminar esse lugar.

-                     Você acha? Eu pediria mais umas trinta bolas de fogo, e mais dez espadas.

-                     Cale a boca, e me dê logo o que eu preciso.

-                      Tudo bem, você que manda.

Assim que respondeu, o livro desapareceu, uma chama iluminou todo o lugar, e X estava segurando duas espadas. Porém, X não pôde fazer nada, quando conseguiu ver o que o rodeava. Centenas, até milhares, de monstros, formando uma cúpula gigantesca à sua volta. Pensou “Ou eu mato todos, ou eu morro aqui. Então, vamos dançar”.

Com um movimento, X fez a chama voar até o meio da cúpula, atingindo os seres que estavam no topo. A luz entrou, e X pôde enxergar tudo. Agora era a hora. Pulou o mais alto que pôde, e viu todos os monstros voarem em sua direção. “Droga, devia ter pedido um escudo também”, pensou. Mas, era tarde demais, teria que acabar com todos daquele jeito mesmo. Percebeu um círculo formar-se em volta de si. Com movimentos rápidos e precisos, defendia, atacava, bloqueava, e matava. “Preciso ficar longe do chão, lá eles me pegam facilmente”, pensou. A cada monstro que matava, apareciam mais três. E a cada monstro que matava, pisava nele, subia mais alguns metros. Sentiu algo queimar em suas costas. “Droga! Eu realmente deveria ter pedido um escudo. Tenho que tomar mais cuidado com ataques pelas costas”. E continuou. Subia muitos metros, já estava totalmente banhado no sangue daqueles monstros, já havia matado pelo menos metade deles, e começou a cansar-se. Não, não podia estar cansado. Ainda falta metade deles, seja lá mais o que for que aparecer à sua frente, e o duelo com Thariel. O duelo com Thariel. O último obstáculo entre ele e a imortalidade, entre ele e a sua amada. Não podia mais perder tempo com esses monstros. Tinha que seguir em frente, tinha que acabar logo com isso. Então, com um giro de corpo, decapitou mais cinco monstros, e teve um segundo de descanso. Nesse segundo, invocou seu livro, e dele tirou uma pistola. O livro desapareceu, ele pisou em um cadáver de monstro, deu um último salto, e caiu. E, enquanto caía, atirava. Acertava a cabeça de todos. E estes caíam junto com ele, mortos. Enfim, após diversos tiros, ele acabou com todos. Só faltava uma coisa. Ele teria que aparar sua queda, de algum jeito. Viu um monstro debaixo de si. Mergulhou até ele e, com sua espada, arrancou suas asas. Assim que as segurou, sentiu um golpe de ar, e sua velocidade diminuiu. Planou até o chão e, assim que pisou, sentiu seus ferimentos. Estava todo ferido, dos pés à cabeça. Mal podia se manter de pé. Invocou seu livro novamente.

-                     Eu disse, você iria se matar.

-                     Cale a boca. Você queria que eu fizesse o quê? Saísse correndo?

-                     Tá, tudo bem, você venceu. Mas, o que você quer?

-                     Quero que você me cure.

-                     Tudo bem.

O livro desapareceu, e X sentiu os efeitos da magia. Sentiu seus ferimentos se fecharem, seus sangramentos pararem, e sua força retornar. Então, levantou-se, e continuou a sua busca, novamente sem saber por onde começar.

X continuou andando, praticamente sem rumo, por aquilo que já foi o céu. Estava com raiva de todos aqueles monstros, pois fizeram a trilha de penas desaparecer. A única pista que tinha, eles destruíram. Tinha vontade de voltar lá e matar todos de novo. Mas, não tinha tempo para isso. Tinha que encontrar Thariel, matá-lo, ganhar a recompensa, e viver a eternidade junto de sua amada. Continuou andando, procurando por algo que pudesse ajudá-lo. Enfim, muitos metros à frente, encontrou a mesma trilha de penas. Começou a seguí-la. Andou por muitos metros, aquela trilha parecia não ter fim. Até que, repentinamente, as penas sumiram. X parou, olhou para todos os lados, e viu que não estava em lugar algum. Era tudo um grande cinza. Não estava perto de nada. Havia ali apenas ele, mais nada. X estava confuso, como todas aquelas penas desapareceram daquele jeito? Ou pior, onde ele estava? Em meio a esses pensamentos, mal percebeu algo acontecer. Do chão, emergiu um estranho líquido vermelho. Sangue. E, quando X percebeu, aquilo que era um grande cinza se tornou um grande vermelho. Ele estava no meio de um mar de sangue, totalmente ilhado. “Droga, onde eu deixei aquelas asas de monstro, que eu usei para não cair?”, pensou. Não tinha como sair dali, senão pelo mar de sangue. Tinha sorte que estava em um local mais alto, por isso estava seco ainda. Quando o mar ia alcançar seus pés, parou de subir. X hesitou, mas sabia que o único meio de sair dali era nadando. Não tinha escolha, ou mergulhava no sangue, ou mergulhava no sangue. Então, abaixou-se para tentar enxergar o fundo, mas assim que olhou para o fundo, levantou-se. Crânios flutuavam naquele mar de sangue. Não somente crânios, mas esqueletos, e corpos em decomposição também. Respirou fundo. Preparou-se. E saltou. Caiu naquele mar pesado, difícil de nadar. Sentia membros rasparem pelo seu corpo, e tinha a sensação de que poderia ser agarrado por algum deles a qualquer segundo. Continuou nadando sem rumo pelo sangue. Sentia cada vez mais membros raspando pelo seu corpo. Os corpos pareciam se multiplicar a cada braçada que dava. Começou a se sentir cansado. Sentia seu fôlego diminuir, e parecia que não conseguiria continuar ali por muito tempo. Foi quando, ao levantar a cabeça, viu algo que parecia terra. Sentiu-se renovado. Poderia parar e descansar um pouco, ou poderia até ter encontrado o final daquele mar, e encontrado o lugar onde está Thariel. Mas, de repente, aquele pedaço de terra pareceu ficar mais longe. X voltou a nadar, tentando chegar na terra o mais rápido possível. Porém, sentiu-se preso. Voltou a tentar, mas não saiu do lugar. Então parou, e voltou a olhar para a terra avistada. Ela já era um ponto quase imperceptível. X desesperou-se, estava quase lá, e de repente, estava tão longe. E pior, preso em algo que não sabia o que era. Tentou nadar novamente. Continuava preso. Mas, não desistiu, continuou tentando, com todas as suas forças, sair daquela prisão no meio do mar de sangue. Enfim, escapou. Porém, não parou para descansar, continuou nadando. Então, levantou a cabeça para respirar, mas afundou. Algo o puxou para baixo. X se debatia no fundo daquele mar, sem saber o que o estava segurando, e queria matá-lo. Teve coragem para abrir os olhos e, quando o fez, sentiu-se horrorizado. No meio daquela visão avermelhada, com o sangue entrando pelos seus olhos, ele via esqueletos, zumbis, todos os tipos de seres mortos, olhando para ele, e tentando segurá-lo. Não conseguia falar em meio ao sangue, e por isso não poderia invocar seu livro para conseguir algum tipo de arma. Teria que resolver aquilo com seus próprios punhos. Tentava dar socos nos zumbis, mas o sangue que os envolvia não o deixava ter força para isso. E seu ar estava acabando. Estava sem força, cansado, sem poder respirar, e sua reserva de oxigênio havia acabado. E, para piorar, com centenas de zumbis à sua volta. Precisava chegar à superfície, tanto para recuperar seu fôlego quanto para ter algum tipo de arma para combatê-los. O desespero começou a tomar conta de X. Ele, então, sem ter força para atacá-los, tentou outro jeito. Sentia os lugares que os zumbis o agarravam, e tentava soltar as mãos deles dali. Incrivelmente, era fácil de se soltar. Ao seu toque, as mãos pareciam se desfazer. E, a cada mão que desaparecia, X emergia alguns centímetros. Após muita luta, muitos zumbis tirados de seu corpo, X estava perto da superfície. Soltou mais um zumbi de seu corpo, e então, conseguiu chegar à superfície. Respirou o mais fundo que pôde, e ao mesmo tempo, invocou seu livro, e dele tirou uma espada. Buscou a terra firme, e lá estava, incrivelmente, mais perto do que antes. Continuou tentando nadar até lá, dilacerando qualquer membro que tentasse agarrá-lo. Finalmente, conseguiu sair daquele mar. Coberto e sangue, totalmente cansado, X deitou-se naquele chão. Estava aliviado por estar vivo, e poder completar sua missão. Passou um certo tempo ali, deitado, recuperando seu fôlego, e quando levantou, não acreditou naquilo que via. Um castelo gigante, com um grande vértice de energia negra saindo do centro dele, que se espalhava pelo céu, fazendo com que ele se tornasse aquilo que ele via naquele momento. Aquele castelo fazia o céu se tornar um inferno. E, ali dentro, com certeza, estaria Thariel. X então se levantou, e seguiu até a entrada do castelo. Parou na porta, respirou fundo, e a empurrou. Era um salão gigante, e vazio. Tudo que tinha ali, era o vértice de energia, que o atravessava, e seguia até o subsolo. X entrou no palácio e, assim que estava dentro, as portas se fecharam atrás dele. Começou a andar em direção ao vértice, e tudo que escutava eram seus passos ecoando pelo grande salão vazio. Continuou andando, até chegar ao lado do vértice. Chegou ali, e ficou parado, apenas observando, e imaginando onde estaria Thariel, para ser aniquilado de uma vez por todas. Então, escutou um barulho de asas batendo. Mas, antes de olhar para trás, ouviu:

-                     Então, alguém conseguiu chegar aqui!

X virou, e viu Thariel, com um sorriso, parado no alto do salão. Então, respondeu:

-                     Alguém teria que impedir essa sua loucura, certo?

-                     Hahahaha! Me impedir? Acho que é você quem está louco!

-                     Eu, louco? Não, apenas estou aqui para te matar.

-                     Seu idiota! Eu, com meus seis servos, derrotei Deus! Quem você acha que é para pensar em me matar?

-                     Eu sou aquele que foi contratado por Lúcifer para matar todos vocês. E, bom, posso dizer que o sangue dos seus seis servos já está na minha espada.

-                     O quê? Você matou meus seis servos? Seu maldito!

-                     Praguejando, anjo? Vocês são mesmo desprezíveis. Desça aqui agora, e enfrente seu destino!

-                     Como quiser.

Thariel, em um único mergulho, puxou sua espada, e atacou X. Este, percebendo a velocidade de Thariel, tentou desviar, mas era tarde demais. Voou diversos metros, e caiu no chão. Tentou levantar-se, e sentiu um corte em seu abdômen. Invocou seu livro, fez uma magia de cura, e pegou uma lança. “Vamos brincar”, sussurrou, e correu na direção de Thariel. Apoiou a lança no chão, e a utilizou como trampolim para alcançar Thariel, em vôo. No ar, tentou atacá-lo, mas este desviou, e começou a descer. X então pensou “Foi por isso que eu não te guardei, livro”, e de dentro dele puxou sua pistola, e sua espada favorita. Ainda no ar, atirou em Thariel, e caiu em sua direção. Thariel sentiu o impacto da bala, mas desviou facilmente de X, e conseguiu golpeá-lo. X caiu com o peito no chão, e ouviu a risada de Thariel:

-                     Hahahaha! Você realmente acha que uma bala pode matar um anjo?

X se levantou com facilidade, e respondeu:

-                     Mas, quem disse que eu queria te matar com aquilo? Conte até três, por favor.

Thariel ficou confuso, mas antes de dizer alguma coisa, sentiu uma explosão atrás de si. A bala tinha se alojado entre suas asas, e explodiu. Thariel caiu. “Por isso aquele idiota pediu para eu contar até três”, pensou. E então, levantou-se. Sentiu suas asas feridas. “Maldito, ele entendeu logo no meu primeiro ataque que minhas asas são minhas principais armas. Mas, ainda sou o mais forte dos anjos, mais forte do que o próprio Deus, e posso matar esse verme”. Empunhou sua espada, e correu na direção de X. X bloqueou seu primeiro ataque, mas Thariel era rápido demais, e acertou mais dois ataques. X caiu, sentindo que seus ferimentos eram profundos. Curou-se novamente, levantou, e disse:

-                     Parabéns, anjo. Você mereceu ser líder dos rebeldes. Mas, por cima de mim, você não passará.

-                     O que você está dizendo? Olhe o seu estado, dependendo de magias de cura para não morrer.

-                     É, mas você esqueceu de um pequeno detalhe.

-                     E qual é?

-                     Eu lutei até agora com um caixão nas costas.

Então, X desprendeu o caixão de suas costas, deixou-o do seu lado, fez alguns movimentos para se acostumar com seu novo peso, pegou sua pistola, e atirou na direção de Thariel.

Thariel viu a bala em sua direção, e desviou dela. Olhou para trás, e a viu explodir em uma parede. Porém, ao olhar de volta, X estava à sua frente, preparado para golpeá-lo. Thariel tentou desviar, mas mesmo assim, foi atingido no braço. Recuperando-se do susto inicial, partiu para cima de X. Os dois trocaram golpes com uma velocidade incrível, mas X era superior. Após algum tempo de batalha, os dois voaram para lados opostos do salão. X estava de pé. Cansado, mas inteiro. Já Thariel estava todo ensangüentado, com diversos ferimentos, e suas asas já não se mexiam mais. Estava de joelhos, não conseguia mais se levantar, e respirava com dificuldade. Já X, queria brincar mais com aquele anjo. Desde que conheceu Elizabeth, nunca mais tirou aquele caixão das costas. Agora, queria sentir novamente aquele poder, aquela velocidade, e Thariel era a vítima perfeita. Ele tinha derrotado Deus, e agora estava nas mãos de X. Pegou seu livro, e iniciou um ataque contínuo a Thariel. “Quero ver até onde esse anjo vai”, pensou. Invocava uma adaga, e jogava em sua direção. Thariel tentava desviar de todas, mas X havia causado muitos ferimentos nele, e o deixou lento. As adagas raspavam nele, e causavam muita dor. Então, X percebeu que Thariel já estava ferido demais, e parou o ataque. Mas, ainda queria mais. Somente aquela pequena luta não era o suficiente para X. Então, fez algo que nunca imaginou que faria um dia. Com seu livro, usou uma magia de cura em Thariel. Este, do outro lado do salão, levantou-se com agilidade. Mexeu suas asas, viu que estava bem, e ficou confuso. Mas, logo entendeu, e gritou para X:

-                     Maldito! Como você pôde? Eu sou o mais forte dos anjos! Sinta minha fúria!

Com sua principal arma regenerada, Thariel voou até X, e o atacou o mais rápido que pôde. Este, com um simples movimento, colocou sua espada na frente, e bloqueou o ataque. Thariel sentiu a ira crescer dentro de si, e começou a atacar X incansavelmente. Atacava por todos os lados, de todos os jeitos, mas X sempre defendia. E não saía do lugar. Não era possível, aquele mero humano iria matar o mais forte dos anjos. Então, com um rápido movimento, X atravessou o braço de Thariel com sua espada. E o outro. E as duas pernas. Thariel estava com todos os membros feridos. Podia apenas flutuar com suas asas, o que já doía muito. Então, sentiu um último lampejo de esperança. O vértice de energia. Se mergulhar nele, se tornará o ser mais poderoso de todos. Ergueu-se com um movimento rápido de asas, e partiu na direção do vértice. X inicialmente não entendeu, mas depois percebeu a tentativa de Thariel. Iria se fundir com o poder daquele vértice, e destruir tudo. X precisava detê-lo. Sabia que era forte, mas a energia vinda daquele vértice, ninguém poderia deter. Correu o mais rápido que pôde. Tentou atirar em Thariel, mas errou diversas vezes. Continuou correndo. Thariel estava perto. Correu mais. Thariel ameaçou um mergulho em direção ao vértice. X não parou de correr. E, Thariel mergulhou. Estava prestes a se tornar o ser mais poderoso que já existiu. Já podia sentir o poder fluindo dentro de si. Estava a centímetros do vértice, quase podia tocá-lo. Porém, quando esticou a mão, sentiu algo atravessar sua barriga. X alcançou Thariel, e o golpeou no último segundo. Thariel perdeu o equilíbrio de suas asas, e voou descontroladamente. X, seguro apenas pela espada presa na barriga de seu oponente, tentou segurar-se em outro ponto do corpo de Thariel. Conseguiu. Então, tirou sua espada da barriga de Thariel e, com um único golpe, cortou as duas asas do anjo. Os dois começaram a cair. Bateram no chão, com X em cima de Thariel. Ele podia perceber que Thariel quase não tinha forças. Então, levantou-se, e disse:

-                     Você, anjo traidor, derrotou Deus. Mas, esqueceu que o universo necessita de equilíbrio para continuar existindo. E, agora, por destruir esse equilíbrio, sentirá a fúria de todos os seres existentes! Morra!

E, com um único golpe, X cortou a cabeça de Thariel. O vértice de energia desapareceu. E, aquele lugar cinza e morto, voltou a ser o céu, quase que instantaneamente. X ainda não sabia por que aquelas palavras tinham saído de sua boca, mas algo o fez falar aquilo. Mas, não importava mais, ele havia completado a sua missão, e agora teria vida eterna, ao lado de sua amada. Guardou sua espada, e curou-se. Pegou o caixão, amarrou de volta em suas costas, e partiu para a saída daquele lugar. Mas, antes conseguir sair daquele salão, ele foi invadido por milhares de anjos, felizes por terem seu lugar de volta, celebrando a restauração do equilíbrio ao universo, e saudando X, o responsável por aquilo. E então, uma luz de intensidade enorme invadiu aquele lugar. E dela, uma voz:

-                     X, parabéns. O equilíbrio foi restaurado ao universo, e nós sabemos que fizemos uma ótima escolha ao contratá-lo. Você receberá sua imortalidade agora, e poderá viver eternamente ao lado de sua amada. Você será mandado de volta para a Terra agora, e poderá viver em paz. Obrigado, X.

Então, como se fosse combinado, todos os anjos começaram a festejar, juntos. E, enquanto a luz desaparecia, X sentia-se distante daquele lugar. A cada momento, ouvia os festejos mais distantes, a visão parecia turva e, quando percebeu, estava dentro de sua casa, e já era noite. Então, abriu o caixão, e viu sua amada, despertando. Então, beijou-a, e contou tudo o que aconteceu. Ela abriu um largo sorriso, o abraçou, e o beijou. E ficaram ali, abraçados, em um longo beijo, até a manhã seguinte chegar, e X continuar esperando ansiosamente pela noite, para rever o seu amor. E assim, pelo resto de suas eternidades.

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A Casa da Esquina

março 12, 2010 at 12:17 am (Histórias)

Este é um conto de terror, escrito por mim, juntamente com meus amigos Leandro e Rafael para a matéria de Narratividade para Games. Conta a história de uma casa mal-assombrada, e de de dois grupos de amigos que entraram na casa, e bom, não contarei o que acontece, somente lendo para descobrir.

Aproveitem!

A Casa da Esquina

Eram 6 da tarde, as crianças jogavam futebol na rua. Todas se divertindo, correndo para todos os lados e gritando. Entre eles, estava Vitor, um garoto de 10 anos, se divertindo mais que todos. Estava estreando sua chuteira nova, e a cada vez que tocava na bola, ficava mais feliz. Porém, ao dar um chute mais forte, a bola voou até uma casa antiga, abandonada. Todos ficaram bravos com ele, e o forçaram a ir até lá buscar. Estava com medo, mas enfim aceitou. Passou pela cerca alta de madeira, e entrou.

Os garotos estavam ansiosos pela volta de Vitor, mas este estava demorando. Passaram-se duas, três horas, e Vitor ainda estava lá dentro. Então, cansando-se de esperar, foram procurar Molly, a irmã mais velha de Vitor. Chegando em sua casa, viram que estava com dois amigos, Ana e David. Contaram a história, e os três, preocupados, apenas pegam uma lanterna, e vão até a casa. Pedem para os garotos irem para casa, e no dia seguinte passarem na casa deles, para ver como Vitor está.

Passam pela mesma cerca que Vitor tinha passado horas atrás, atravessam o jardim, e pararam em frente à porta. Os três se olharam, e David abriu a porta. Estava muito escuro lá dentro. Ligaram a lanterna, deram os braços para não se perderem, e entraram.

Três jovens correm no meio da rua, dois garotos e uma garota, não aparentam ter mais de dezoito anos de idade. Um dos garotos diz:

― Tem certeza de que é por aqui Vanessa?

― Sim… Eu tenho certeza de que vi Molly vindo por este caminho. ― responde a garota.

Os jovens continuam seguindo até se depararem com uma antiga casa. Sua aparência é velha e depredada, contudo desperta a curiosidade dos jovens, que nunca viram uma casa grande como aquela.

Ao se aproximarem vêem que a porta está aberta, fazendo com que um dos garotos conclua:

― Molly provavelmente entrou aqui.

― André e se você estiver errado? Talvez apenas esteja invadindo a casa de alguém sem nenhum motivo ― diz o outro garoto.

― Deixe de ser medroso Paulo. ― dizem André e Vanessa.

Depois de alguns argumentos para convencerem André, os jovens entram na casa em busca de Molly.

Logo que entraram, a porta se fechou atrás de Molly, Ana e David. Todos sentiram um arrepio na espinha, mas se seguraram. A luz da lanterna atravessou a provável sala, e eles perceberam que se tratava de um local com muitas portas. Chamaram por Vitor, e não receberam resposta alguma. Escolheram uma, e seguiram em frente.

Deram alguns passos, e Ana tropeçou em algo. Os três quase caíram, puxados por ela e, quando se levantaram novamente, apontaram a lanterna para ver no que eles tinham tropeçado. Quando conseguiram ver, Molly pulou para trás, e caiu. Era um esqueleto. Os três ficaram apavorados, e sentiram que algo estava errado naquela casa. Após se levantar, Molly falou:

― Não acredito no que estou vendo. É um esqueleto real?

― É, acho que sim. – Respondeu David.

― Então, acho que devemos sair logo daqui. Vamos procurar a saída.

Os dois concordaram, e iniciaram o caminho de volta. Mas então, perceberam que não se lembravam de qual porta tinham vindo. E então, escolheram mais uma, e começaram a procurar a saída.

Ao entrar na casa, André, Paulo e Vanessa gritam:

― Olá! Tem alguém aí?

Quando não recebem resposta alguma eles ficam mais à vontade para andar pela casa. A primeira vista a casa parece bastante comum, apenas velha, com teias de aranha e objetos de madeira podres e destruídos, provavelmente por cupins, contudo ao prestar mais atenção os jovens percebem algo intrigante. A casa possui uma infinidade de portas, mais do que já tinham visto em qualquer outra, portas que não apenas separam cômodos, mas também corredores que possuem outras portas, sendo que a maioria delas está trancada.

Vanessa vê uma longa escada de madeira e decide que o grupo deve seguir por ela. A casa é tão velha que ao subirem os degraus da escada escutam-se altos rangidos, e é passada a sensação de que a qualquer momento um dos degraus irá se partir ao meio. Chegando ao segundo andar da casa os jovens encontram mais portas trancadas em um longo corredor que termina em uma curva para a direita. Os jovens decidem segui-lo. Ao final do corredor há um grande espelho na parede, onde desde longe os garotos podem ver seus reflexos nele. Antes de chegarem ao final do corredor os garotos escutam um barulho, algo parecia estar sendo quebrado, assustados, Vanessa e Paulo olham para trás para tentar ver o que estava acontecendo, mas André ficou imóvel. Quando Vanessa olha para André ele está pálido e trêmulo. Vanessa pergunta:

― André o que foi?

André continua imóvel sem dizer nada.

― Fale comigo! ― insiste a garota.

A garota para de fazer perguntas ao amigo quando olha para frente em direção ao espelho.

― Ahhh!!! ― seu grito circula por toda a casa em alto e bom som.

Procurando pela saída, Molly, Ana e David começam a andar pela casa. Ainda apavorada com o esqueleto encontrado, Ana diz:

― Meu Deus, não consigo tirar a imagem daquele esqueleto da minha cabeça. O que será que aconteceu com ele?

― Não sei, provavelmente um velho, último dono da casa, que quis morrer aqui. Nada para se preocupar. – Responde David.

― Você está certo, não deve ser nada demais.

Continuam andando, tentando enxergar com a luz fraca da lanterna. A bateria está no final. Molly arrasta a luz pelas paredes, pelo chão, em todos os lugares, procurando desesperadamente por seu irmão mais novo. E, quando passa por uma porta entreaberta, vê uma sombra passar por ali.

― Irmão? – Diz ela.

Olha para seus dois amigos, e percebe neles a mesma expressão de dúvida e medo. Porém, resolvem entrar no cômodo e procurar pelo irmão mais novo ali. Empurram a porta, que abre com um rangido forte. Andam devagar, quietos, tentando ver naquela escuridão. A luz fraca da lanterna pouco ajuda, pois o quarto parece grande, e a luz não parece alcançar parede nenhuma. Continuam andando. Enfim, Molly resolve falar:

― É, acho que vimos demais. Não deve haver nada aqui.

David então diz:

― Realmente, não deve haver nada. Esse quarto também está escuro demais para se ver alguma cois…AAAH!

Paulo, que até o momento estava preocupado apenas com barulho ouvido no andar de baixo, surpreende-se e pergunta:

― O que há de errado com vocês dois?

― Olhe para o espelho! ― diz Vanessa.

Paulo o faz e não vê nada diferente de seu reflexo.

―Não está mais ali, Vanessa você viu, não viu?

―Sim. Estava bem ali.

― Sobre o que vocês estão falando? ― pergunta André.

― André havia algo naquele espelho, nós dois vimos.

― Vanessa vocês estão vendo coisas…

Antes que possa terminar a frase André é interrompido por um novo grito, vindo do andar de baixo.

― E agora o que foi isso?

― Eu não sei… É melhor nos escondermos.

Os jovens procuram desesperadamente por uma porta que não esteja trancada, até que enfim, acham uma. Abrem-na e entram no cômodo. Um pequeno quarto, sem janelas e com apenas dois móveis, uma cama e uma escrivaninha, é o lugar onde os jovens vão parar.

De repente os três ficam em silêncio absoluto. O silêncio da casa é tão grande que seria possível ouvir uma simples brisa que entrasse ali naquele momento. É então que se ouve passos, junto com um barulho esquisito, um barulho de várias chaves se encostando como em um chaveiro. O barulho começa a ficar cada vez mais próximo. Até que os passos param.

― O que aconteceu? ― sussurra André.

― Shh! Fique quieto. ― diz Vanessa.

Paulo se aproxima da porta com o intuito de olhar pela fechadura o que há do outro lado. Não é possível ver muita coisa, já que o buraco da fechadura é relativamente pequeno. É nesse instante que algo atravessa a fechadura e vai direto ao olho do garoto, que começa a gritar desesperadamente e se afasta da porta.

Quando Vanessa e André vão socorrer o amigo, eles vêem que Paulo está com uma chave enfiada profundamente em seu olho qual usava para olhar pela fechadura. Os amigos do garoto se assustam no momento em que olham para aquela cena e se afastam por um breve momento. É quando a porta é simplesmente arrombada por algo, uma criatura horrível.

A criatura possui forma de humanóide, mas tem uma altura maior que a de um humano comum. Não é possível ver seu rosto, está coberto por um tipo de capuz. Em sua mão esquerda há uma enorme lâmina afiada, e em seus pulsos e presos a sua calça há chaveiros com um número grande de chaves. O monstro parte para cima de Paulo com sua lâmina incrivelmente grande, Paulo estando caído no chão por causa da dor, nada pode fazer. O garoto é esfaqueado pouco a pouco pelo monstro. Vanessa e André, apesar do sentimento de medo são capazes de aproveitar a oportunidade e fugir daquele quarto.

Molly e Ana se tomam de pavor com o grito, e apontam a lanterna para David. Ele está muito pálido, mas parece inteiro. Olha para baixo, e a luz da lanterna o acompanha. Os três encontram uma trilha de sangue, órgãos jogados pelo chão, membros amputados e, por fim, ao lado do pé de David, o que eles mais temiam, a cabeça de Vitor.

Molly entra em pânico, joga a lanterna no chão, e agarra a cabeça de seu irmão. Chora descontroladamente, não consegue imaginar quem poderia ter feito algo desse tipo. Seu pequeno irmãozinho, que só foi buscar uma bola dentro daquela casa, com todos os membros amputados, todos os órgãos jogados no chão, uma trilha feita com seu sangue e, pior de tudo, sua cabeça arrancada. Não pode acreditar naquilo que viu, e que agora está sentindo. Seus amigos sentam-se do lado dela, tentam consolá-la, mas não é possível. Ela está totalmente fora de controle. Até que, algo faz todos ficarem paralisados. A fraca luz da lanterna se apaga. Não podem se ver, mas todos têm o mesmo instinto. Pegam a lanterna novamente, levantam rapidamente, se seguram um no outro, e correm. Não sabem para onde estão indo, mas correm. Naquela escuridão, pode-se somente escutar os passos e as respirações fortes dos três. Após sentirem que estão longe e encontrarem uma parede, param e tentam reacender a lanterna. A fraca luz volta, porém mais fraca do que anteriormente. Por um momento, sentem-se mais aliviados. Provavelmente estão bem longe daquele terrível quarto que se encontra o pequeno irmão, assassinado brutalmente por algo, ou alguém. Talvez pela própria casa, que os próprios três sempre consideraram mal-assombrada. Porém, ninguém tenta falar sobre isso. Após alguns segundos de recomposição, Ana resume o que todos estão pensando:

― Precisamos sair daqui. Agora.

Procuram uma porta, atravessando a fraca luz pelo cômodo. Felizmente, o cômodo é pequeno, e a luz alcança todas as paredes. Há ali apenas uma cama, uma janela, que eles presumiram estar trancada, pois todas as janelas foram lacradas com tijolos e cimento antes mesmo dos três terem nascido, e um espelho quebrado. Aproximam-se da janela para se certificar, tentam abrí-la, e até conseguem mas, como esperado, encontram apenas uma pilha de tijolos. Entreolham-se, tristes e com medo do que pode acontecer ali, e resolvem continuar procurando. Mas antes, Ana resolve olhar-se no espelho. Os outros dois sentam-se na cama, com a lanterna virada para o espelho, enquanto esperam. Molly e David, que já se gostam há muito tempo, percebem o perigo daquele momento, que aquele lugar pode ser o seu túmulo, e sentem um desejo mútuo. Aproximam-se um do outro, e se beijam. Sem querer perder tempo, David tenta tirar a blusa de Molly. Mas, antes de ter sucesso na tentativa, escutam um grito estrondoso. Olham para o espelho, e vêem apenas o reflexo de Ana sendo puxada por algo que não podem ver. Sem pensar duas vezes, os dois correm atrás dela, em um impulso desesperado de salvá-la. Estão muito perto dela, e continuam sem conseguir ver quem ou o que a está arrastando. Quando David pula para segurar a mão de Ana, ela faz uma curva brusca em uma porta, e desaparece. Os dois param, cansados, olham um para o outro, e resolvem continuar atrás dela. Entram no outro cômodo, devagar, continuam andando, com a lanterna apontando o chão a um metro deles, até que Molly vê. Sangue. O medo toma conta dos dois. Porém, resolvem seguir a trilha deixada por não se sabe o quê. Atravessam cerca de dois cômodos, e vêem algo peculiar. Uma orelha. Abaixam-se para ver melhor, e percebem que é a orelha de Ana. Mas, antes de poderem pensar algo, outro grito. Correm na direção do som emitido, ambos desesperados para tentar salvar a amiga, mas quando chegam no local onde ela deveria estar, percebem que é tarde demais.

Vanessa e André correm rapidamente de volta pelo corredor sem olhar nenhum momento para trás. A pressa dos dois é tão grande que André acaba chocando-se contra o espelho da parede e o quebrando. A dupla desce rapidamente pela escada indo em direção a saída, contudo os jovens têm uma surpresa:

― Onde está a porta Vanessa?

― Eu não sei! Era para ela estar aqui! Foi por onde nós entramos.

É então que os dois percebem algo, um das portas que estava trancada ao entrarem na casa agora se encontrava aberta. Os dois seguem rapidamente por ela como único caminho.

Eles acabam chegando a uma sala de jantar, com uma mesa retangular no centro da sala rodeada por várias cadeiras. Depois fecharem a porta e colocarem várias cadeiras e outros objetos para impedir que algo entrasse ali eles sentam-se e começam a conversar.

― O que diabos foi aquilo?

― Eu não faço a mínima idéia… André… Você acha que Paulo está morto?

―Provavelmente…

― Meu deus! ― Vanessa começa a chorar de medo e tristeza.

André sente algo em seu braço direito e percebe que uma pequena aranha está caminhando por ele. André esmaga a aranha com uma de suas mãos. Quando ele olha para Vanessa para tentar consolá-la, a garota parece estar cada vez mais apavorada. Ela aponta para André e diz:

― Não… Cuidado…

Molly e David chegam mais perto de Ana, e vêem a cena horrível. Ela está deitada, de bruços, com a blusa inteiramente rasgada e, em suas costas, não há mais pele. Pode-se enxergar a coluna e as vértebras dela. David arrisca virá-la de frente, e se assusta. Está com uma expressão horrível de dor estampada no rosto, sem os dois olhos, e com sua garganta cortada. Os dois se horrorizaram tanto, que não perceberam o rangido atrás deles. Quando os dois entreolham-se, resolvendo levantar, escutam um barulho estranho, uma mistura de grito com rugido, não se sabe o que é, mas assusta totalmente os dois, principalmente pela proximidade do som. Apontam a lanterna para o local de onde veio o som, mas não vêem nada. Em impulso, saem correndo juntos. Atravessam novamente diversos cômodos e, quando acham que estão longe, param.

Visivelmente horrorizada, Molly vira para David, e diz:

― Nós realmente precisamos sair daqui. Meu irmão entrou aqui e morreu. Ana entrou junto com nós dois e morreu. É bom encontrarmos logo a saída, senão seremos os próximos.

― Você está certa. Não sabemos quem ou o quê está tentando nos matar, mas sabemos da brutalidade daquilo. É bom sermos rápidos, para conseguirmos sair daqui com vida. Então, vamos logo procurar a saída desse lugar maldito.

Começam a andar pelo cômodo, procurando portas. Porém, encontram algo que não esperavam ver novamente tão cedo. Sangue. Seguem com a lanterna a pequena trilha, e vêem que vai até uma parede. Chegando na parede, encontram uma mensagem: “Seja lá porque você entrou aqui, procure a saída, senão continuará aqui para sempre”. Os dois se olham, e continuam andando. Entram em outro cômodo, encontram outro aviso: “Volte já, senão se arrependerá”. Continuam andando. Passam por mais um cômodo, e encontram mais um aviso: “Vá embora, você não encontrará nada além da morte aqui dentro”. Os dois começam a ficar mais apavorados ainda, mas continuam, com uma grande vontade de voltarem para suas casas, e voltarem a viver em paz. Atravessam alguns cômodos, e se vêem no cômodo onde encontraram o esqueleto, pouco depois de entrarem na casa. Não dizem nada, mas os dois sabem que estão sentindo a mesma felicidade e esperança. Voltarão para casa.

André não entende o que Vanessa quer dizer com “Cuidado”, mas quando percebe o que está acontecendo com ele, já é tarde de mais… Seu corpo estava tomado por milhares de aranhas que começavam a sair de dentro de seus olhos, ouvidos e boca fazendo com que sua morte fosse bastante rápida.

Vanessa desesperada percebe que talvez não consiga sair viva daquele lugar, então decide desbloquear a porta e voltar à entrada da casa, não com a intenção de procurar novamente a porta para fugir, mas com outro propósito.

Quando a garota chega em um cômodo da casa onde tudo começou, pois não achou a saída, ela pega uma caneta em seu bolso e começa a escrever avisos nas paredes e portas, os avisos diziam:

― Saía enquanto é tempo.

― Fuja! Não cometa o mesmo erro que nós.

― Volte já, senão se arrependerá.

― Vá embora, você não encontrará nada além da morte aqui dentro.

Depois de escrever vários avisos a garota senta-se no chão como se não tivesse mais forças para fugir ou reagir e tudo o que sobra para ela é rezar.

Totalmente renovados, Molly e David esboçam o primeiro passo, quando escutam aquele horrível grito novamente, porém mais longe do que da primeira vez. Antes que Molly tentasse correr, David segura o braço dela, e diz:

― Vá, corra como nunca correu antes, e conte a nossa história aqui dentro. Faça com que essa casa seja demolida, pegue fogo, eu não sei. Apenas saia daqui, e vingue nossas mortes. Eu ficarei aqui, e atrasarei essa coisa.

― Não, você não pode fazer isso! Nós sairemos daqui juntos, vamos correr, antes que aquilo nos alcance!

― Não, Molly. Nós não conseguiremos escapar juntos. Eu ficarei aqui, vá você. Há tanto tempo eu quis te falar isso, mas nunca pude. Somos vizinhos há muito tempo, e nos conhecemos desde sempre. Mas, secretamente, eu sempre te amei. E, sempre disse a mim mesmo que se em algum momento tivesse que dar minha vida por você, não pensaria duas vezes. E esse é o momento. Vá, e nunca se esqueça de mim.

Molly ficou sem palavras. Sempre sentiu uma afeição maior por ele, mas não sabia que ele a amava desse jeito. Porém, não tinha tempo para isso, estava à beira da morte. Apenas deu o segundo, e último beijo nele, e correu. Escutava os gritos de dor dele agora ao longe, e o barulho de seus ossos quebrando-se e sua carne sendo dilacerada. Correu. Correu como nunca correu antes, exatamente como David tinha pedido. Quando se cansou, parou em uma parede, e desligou a lanterna, para economizar bateria.

Após alguns minutos recuperando suas forças, levantou-se, acendeu a lanterna, e resolveu continuar a andar. Porém, ao segundo passo que deu, sentiu chutar algo. Apontou com a lanterna, e viu o mesmo esqueleto do início. Mas, desta vez percebeu, tinha uma agenda do lado dele. Descobriu então que aquele esqueleto pertencia a uma mulher chamada Molly, e que tinha passado ali há muitos anos atrás, provavelmente quando nem se lembrava daquela casa. Com a esperança renovada por encontrar aquele esqueleto, continuou andando. Entrou em outro cômodo, e encontrou outro esqueleto, mas este estando em uma posição estranha. Estava de lado, com as palmas das mãos juntas, a cabeça erguida, e as pernas dobradas. Era como se estivesse ajoelhada, rezando, antes de ser morta. Aterrorizada com a cena, Molly pensou:

― Não pode ser, preciso sair logo daqui. Aqui dentro, nem mesmo Deus pode me ajudar.

Vanessa continuava a rezar intensamente, pedindo por algum milagre que pudesse lhe salvar a vida, mas esse milagre não existia, nem mesmo Deus ousaria colocar os pés naquele lugar. A maldade exalada no ar era pior que o próprio inferno, a escuridão a sua volta crescia a cada segundo, o medo dominava a sua mente e as palavras começavam a fugir de sua boca, ela apertava os olhos querendo acreditar que tudo aquilo era um sonho, porém quando abriu os olhos nada se via nas sombras. Apenas sentiu uma respiração ofegante e demoníaca as suas costas, e naquele instante ela sabia que estava do lado da morte, sentiu unhas adentrarem a carne de seus braços, que os cortavam como se fossem navalhas, a dor circulava por cada parte de seu corpo e estava cada vez mais insuportável, mas mantinha-se parada. Porém, quando sentiu seu abdômen ser cortado de um lado até outro, ela apenas sussurrou:

― Mate-me rápido, e com o mínimo de dor possível.

Então, sentiu algo ultrapassar suas costelas, e chegar ao seu coração. E sua última sensação foi seu coração ser arrancado. Depois, tudo escureceu. Estava morta.

Molly observava aquele esqueleto e por algum motivo percebeu que não importava como aquela pessoa tivesse morrido, ela parecia ter se mantido firme até o final, se aproximou mais, mas parou ao perceber que pisou em algo e, quando se abaixou para ver melhor o que era, se surpreendeu ao constatar que aquilo era sangue. O lugar todo estava cheio de sangue, ela não sabia o que fazer. Correu para fora daquele horrível cômodo e atravessou todo o corredor. Se deparando com outro quarto, procurou desesperadamente a saída, e logo percebeu que não era ali. Porém quando foi sair do lugar a porta se fechou. Ela tentou com toda força abrí-la, mas foi em vão. Um vulto passou perto de suas costas, virou-se e não viu nada, apontou a lanterna e viu apenas uma pequena sombra ao chão, que ficou cada vez maior. Molly percebeu que aquilo era um perigo, tentou procurar alguma saída, mas não encontrou outra saída daquele cômodo. A escuridão tomou parcialmente o quarto, não se via nada quando apontava a lanterna para as paredes, quando percebeu uma pequena luz que saia de trás de um móvel, era um pequeno buraco que impossivelmente conseguiria atravessar, então gritou o mais alto que pôde, a sala escureceu totalmente, o pequeno buraco foi tampado, a garota não enxergava mais nada nem com a luz da lanterna, só sentia o sangue escorrendo nas suas costas enquanto sentia ser arranhada, correu para o vazio até sentir sua garganta ser apertada. Sentiu sua garganta ser cortada, não conseguia mais respirar, e em seus últimos segundos apenas desejou que seu espírito pudesse sair daquela casa terrível, não queria viver lá para sempre. Então, quando já estava quase inconsciente, sentiu seu peito explodir. Foi sua última sensação.

Os pais de Molly e Vitor, ao ver que seus filhos não voltaram depois de meses, após muito tempo esperando ansiosamente, olhando para a casa todos os dias, e sentindo uma raiva extrema, resolveram demolir aquele local horrível. E, após uma semana de demolição, aquele pesadelo finalmente tinha acabado. Sabiam que tinha algo a mais naquela casa, e sentiram que aquilo tinha sido exterminado. Era o fim da casa da esquina.

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A Lenda Do Olho Da Morte

março 12, 2010 at 12:10 am (Histórias)

Este é um conto de fantasia escrito por mim, Igor, juntamente com meus amigos Leandro, Rafael e Adriano, para a aula de Narratividade para Games. Foi feita em quatro capítulos, mais precisamente, um capítulo para cada integrante. Para curiosos, o capítulo escrito por mim foi terceiro, intitulado Toba, o Terrível.

Capítulo I

Os campos de Naldehad

“No início dos tempos onde tudo era escuridão os quatro deuses supremos, Galdat, deus da terra, Dryon, deusa da água, Kira, deusa do fogo, Walgh, deus do ar, criaram a vida e tudo o que é existente e assim oito raças andaram pelas terras de Normak, os humanos, elfos, anões, fadas, orcs, goblins, tallkrys e os macedons, estes últimos eram seres eminentes, sublimes, que em pouco tempo aumentaram seus poderes em um nível que beirava a perfeição, perfeição essa que até os deuses invejaram e, temendo que tais poderes pudessem superar os seus próprios, eles os dizimaram, porém um entre todos eles conhecido como Azazwel adquiriu um poder muito maior e não pôde ser derrotado, vendo seus irmãos serem transformados em pó, ele derramou uma única lágrima, que deslizou pelo amuleto em seu peito e caiu dos céus, extinguindo todo o sentimento bom que havia dentro do coração da besta. Milhões de mortes se sucederam pelas mãos daquela criatura e o mundo conheceu uma era de sangue e morte, mas aquele amuleto por algum motivo ao ser tocado por sua lágrima uniu-se a sua vida, os deuses obtiveram tal objeto, aprisionaram aquele demônio, e esconderam o amuleto no mais profundo lugar, na sombra mais escura das trevas, onde nenhum mortal pudesse chegar.”

Na pacífica província de Horan, um grupo de orcs ataca um vilarejo, destruindo completamente todas as casas que encontra pela frente, mata, fere, tortura e queima pessoas sem o menor receio. Encravam suas espadas nos corações de cada ser que atravessa seu caminho, seguindo sua natureza extremamente violenta mas, aparentemente, seus objetivos eram outros, no meio de toda aquela população uma pessoa parece chamar mais atenção do líder orc do que qualquer outra, uma linda mulher, com um traje exuberante que certamente a diferenciava dos outros e, ao contrário dos outros seres, ele não a matou rapidamente. Ele discutiu com a bela moça, perguntava-lhe alguma coisa e depois de um certo tempo ele voltou ao pensamento que tivera inicialmente até ali, urrou: “A morte é o seu destino!” levantou a espada na altura de seu peito e com um movimento seco  e rápido desferiu um golpe contra a mulher à sua frente, mas antes que a ponta da espada toque o corpo da mulher, a lâmina de uma outra espada o interrompeu, ultrapassando o peito do orc. Um homem, Alron, segurava aquela espada corajosamente com um olhar forte e guerreiro, e não hesitou em derrotar o que ali havia, uma por uma aquelas terríveis bestas pereceram.

A bela mulher agradecera e cordialmente se apresentou como Amelia, a Feiticeira, e lhe informou sobre a discussão que tivera com os orcs:

­­― Os orcs invadiram o vilarejo atrás de mim. Queriam as informações que eu possuo sobre o Olho da Morte, o amuleto que contém a única lágrima de Azazwel.

― Você não pode estar falando a verdade! Isso é apenas um conto de ninar, não pode ser verdade!

― Praticamente ninguém sabe, mas a lenda é verdadeira. E a terrível besta está para ser despertada. Pela sobrevivência do mundo, vá de encontro à elfa. Daqui a três dias, no eclipse da terceira lua esteja nos campos de Naldehad ao norte e a escuridão que cairá sobre os céus iluminará o seu caminho.

E antes que pudesse dizer qualquer outra palavra, uma lâmina cortou-lhe a carne e perfurou seu peito, banhando seu corpo de sangue. Sucumbiu. Uma risada apavorante do orc derrotado por Alron ainda existia, ele conseguiu reunir forças para se levantar e assassinar Amelia e, mesmo estando à beira da morte ele ainda sorria e com sarcasmo e felicidade contou-lhe que seu mestre, Toba, sabia de cada palavra que estavam dizendo, pois lançou uma magia em todo seu exército, fazendo com que cada ruído que escutavam ou cada simples folha que seus guerreiros viam, a ele chegaria como se estivesse ali do lado, e agora mesmo já deveria estar partindo para Naldehad.

Alron partiu rapidamente em sua jornada, chegando na entrada da Floresta Sombria ele não demorou a entrar, mas a tal floresta parecia um labirinto. Alron andava incansavelmente e cada galho, raiz, folhas pareciam as mesma e mal dava para ver o céu no meio da mata intensa, porém a noite não tardava a chegar, pois o clima ficará mais sombrio e escuridão parecia tomar conta do lugar. Continuou pela floresta sem parar por um minuto sequer e, quando a noite do segundo dia começou a cair, o desespero tomou conta de seu coração, só lhe restava mais um dia e a saída daquele lugar ainda parecia estar longe. Em meio a sua preocupação ele escutou um pequeno ruído ao longe e procurou a sua fonte, aquele pequeno ruído se transformou em um estrondoso e irritante barulho a cada passo percorrido e, quando achou que não iria mais agüentar, ele encontrou uma pequena fada que fazia todo esse estardalhaço por não conseguir se livrar de uma mandrágora, uma pequena planta pegajosa imune a muitas magias, mas Alron conseguiu com sua espada libertar a pequena fada. Assim que se libertou da mandrágora, disse:

― Obrigada! Meu nome é Marie, e em agradecimento ao seu feito lhe ofereço minha amizade e te ajudarei em qualquer coisa que necessitar.

― Ótimo! Estou procurando Naldehad, será que poderia me guiar?

― Posso criar portais para qualquer lugar, mas Naldehad é uma cidade mágica dos elfos, portanto não posso te levar até lá. Mas, posso criar um portal que leva até a Pedra da Fortitude, que fica perto da entrada da cidade.

― Muito bem, vamos então!

Ao terminar a conversa, um portal se abriu à sua frente, emanando uma luz imensamente forte. Ambos entraram no portal, e reapareceram ao lado da Pedra da Fortitude.

Alron, em companhia de Marie viajou algumas horas e logo chegaram ao seu destino. Quando as estrelas começaram a aparecer, Alron olhou para o céu e viu claramente duas Luas em eclipse total e uma terceira que iniciou seu eclipse. Ao estar completamente coberta pela escuridão, uma luz surgiu da eclipse tripla e iluminou o centro do campo de Naldehad e, em meio a sombras, um templo começou a surgir, suas paredes, colunas e cada mínimo detalhe parecia brilhar como cristal até chegar a um ponto que até o próprio Sol se tornaria insignificante perto daquele lugar.

Capítulo II

Hilarya

Antes de entrar no templo, Marie se vira para Alron, e diz:

― É aqui que nos separamos. Porém, deixarei com você esse anel. Ele possui o meu poder de criar portais para qualquer lugar. Porém, você só poderá utilizá-lo três vezes, portanto, use cuidadosamente.

Assim que a fada se foi, Alron entrou no templo. Mal pôde se acostumar com a claridade, surgiram elfos armados, prontos para abatê-lo. Assustado, disse:

― Eu vim lhes ajudar.

― Ajuda? Em que um humano poderia nos ajudar? – retruca um elfo.

― Eu tenho uma informação muito importante, e para o seu bem é melhor ouvir.

― Acho que não faria mal algum dar ouvidos ao humano. – diz uma elfa que a primeira vista o herói não havia percebido que estava ali.

Ao olhar diretamente nos olhos da elfa o herói sentiu algo que nunca havia sentido antes. Uma sensação a qual não conseguia explicar, seu coração batia em uma velocidade mais acelerada do que o comum, pela primeira vez o herói sentiu estar apaixonado.

― Bem pensado, Hilarya. Pois então, qual é a informação tão importante que você tem para nos dar, humano?

O herói explica para os elfos o acontecido em seu vilarejo natal, contou sobre os orcs que haviam matado todos os seus amigos e parentes em busca de informações sobre a lenda do Olho da Morte, e que o próximo lugar que os orcs iriam atacar seria o templo dos elfos, e que ele foi mandado para ajudá-los no combate.

A elfa acredita em sua história, como se ela pudesse olhar dentro de sua alma e distinguir se aquilo que ele lhe falava era verdade ou mentira. No mesmo instante ela dá ordens aos outros elfos para que eles se prepararem para a batalha. O herói, ao ver que a batalha contra os orcs se aproximava oferece sua assistência, humildemente aceita pela elfa. Então, entrega para Alron uma espada e um escudo élficos.

Não demorou muito para os orcs baterem aos portões do templo. Contudo os elfos estavam muito bem preparados para a luta, diferentemente do que aconteceu com o vilarejo natal do herói, que foi pego desprevenido. A justiça foi feita, a lâmina dos elfos transpassou os corpos malignos dos orcs, e foram facilmente derrotados em batalha. Os elfos ficaram surpresos com as habilidades do herói, o que levou a elfa a lhe fazer a pergunta:

― Alron, você faz idéia de qual era a verdadeira intenção dos orcs ao atacar este vilarejo?

― Sim, conheço a lenda. Mas, ainda não sei porque Toba está atrás do templo dos elfos.

― Ele teve como objetivo a busca da única pessoa que sabe onde Azazwel

está aprisionado.

― E quem é esta pessoa?

― Sou eu mesma.

― Mas segundo a lenda o único jeito de despertar Azazwel é usando seu amuleto.

― Toba já possui o Olho da Morte. O único jeito de impedir que Azazwel acorde, é obter o amuleto e mergulhá-lo no sangue do mesmo.

― E de que maneira você pretende fazer isso?

― Eu preciso de sua ajuda Alron, foi o destino que o trouxe a mim, seu caminho já está traçado, você deve me ajudar obter o amuleto e a destruir Azazwel.

Alron não acreditava em destino, contudo ele se preocupava com a elfa, e decide ajudá-la, de forma que a acompanharia até o encontro com o vilão. Os dois saem em busca de informações sobre o vilão, algo que possa levá-los até seu esconderijo. Semanas se passaram, fazendo com que o herói e a elfa se tornassem cada vez mais próximos, resultando em um relacionamento amoroso entre os dois.

Com a decisão de acabar logo com tudo isso para que ele e a elfa vivam juntos e felizes, o herói decide usar seu anel mágico para ir de encontro ao vilão. Junto com sua amada, o herói parte em direção ao esconderijo do vilão, que não demonstra surpresa alguma ao se deparar com os dois:

― Excelente… Eles vieram direto para mim…

Capítulo III

Toba, o Terrível

Frente a frente com o vilão, o herói saca a sua espada e seu escudo, imaginando o meio mais fácil de derrotar aquele ser à sua frente. Ali, relembrou dos comandados que destruíram seu vilarejo, de tudo que passou até chegar naquele lugar, e sentiu uma raiva imensa brotar dentro de si. Sentiu vontade de correr e atravessar o coração, se é que ele existia, daquele monstro. Mas se conteve, e simplesmente disse:

― Finalmente nos encontramos, Toba.

― Realmente, eu subestimei você. Mas, para mim, você ainda não passa de um verme, não conseguirá ficar entre mim e o meu destino. Se não fosse o anel mágico, vocês não chegariam até aqui.

Enfurecendo-se com o vilão, Hilarya propõe um desafio:

― Sim, usamos o anel para entrar no seu castelo, mas também conheço a real entrada dele. É por meio de um labirinto com diversos enigmas para serem desvendados. Sairemos do castelo, e reentraremos pela entrada normal. Se conseguirmos, você terá que nos dar o Olho da Morte.

― Muito bem. Mas, e se não conseguirem?

― Se não conseguirmos em dois dias, você poderá ficar comigo, a única parte que falta para despertar o monstro.

― Certo. E apenas aceito essa proposta, pois sei que nunca conseguirão chegar aqui novamente, e eu selarei meu destino. Muitos tentaram, e nenhum sobreviveu. Mas, vamos ao que interessa.

Chegaram por meio de magia até a porta do castelo. Com um gesto, as portas se abriram, e o vilão apenas disse “Espero-te na sala do trono. Ou não”. Virou-se e desapareceu.

Alron olhou para Hilarya, acenou, e começou sua caminhada, juntamente com ela.

Andaram alguns metros, e o herói enxergou uma escada ao longe, e tentou se guiar por ela. Porém, tinha que fazer muitas curvas, e muitas vezes perdeu a escada de vista. Ao conseguir chegar na escada, olhou para a saída, e percebeu que já não havia mais luz vinda de lá. Passou o dia inteiro procurando a saída daquele lugar. Iniciou a subida.

Esperando que fosse encontrar a sala do trono, e já preparado para pegar o amuleto e continuar sua jornada, o herói pisou no último degrau. E o que encontrou, ao invés daquilo que esperava, foi uma sala fechada. Olhou para o chão, e viu diversos símbolos gravados em quatro fileiras de três pedras cada uma. Percebeu. Para passar dali, deveria encontrar a seqüência correta dos desenhos. Começou pela primeira linha, tentou todas as combinações possíveis, e na última, ouviu um barulho. Uma porta ao longe abriu. Virou para Hilarya, e disse:

― Ótimo, são quatro portas enfileiradas, temos que encontrar a seqüência das fileiras para abrir todas as portas e passarmos. Vamos.

Trabalhando em equipe, conseguiram passar por mais esse desafio. Mais uma escada. Subiram.

Dessa vez, encontraram uma espécie de laboratório, com objetos mágicos, e muitos pergaminhos. Avistaram uma porta. Foram até ela, e viram que havia um aviso. Nele estava escrito “O fogo verde, Holuk, é o mais fraco, mas o mais precioso entre todas as chamas. Tente recriá-lo, e estará livre”. O herói não sabia o que fazer, tinha sido derrotado, não conseguiu passar no desafio do vilão. Porém, quando se dá conta, a elfa está mexendo nos objetos. Perguntou o que estava fazendo, e recebeu a resposta:

― Estou fazendo o fogo verde.

― Mas, você sabe?

― Claro que sim, eu aprendi quando criança.

― Bom, mãos à obra então.

Criaram o fogo verde, e com ele acenderam uma vela que estava sobre a porta. A porta se abriu com um rangido, como se não fosse aberta desde que foi colocada ali, e então se viu a sala do trono. Andaram calmamente até o trono, e se mostraram para o vilão.

O vilão, ao vê-los, fica louco, mata dois de seus guardas, e grita para os dois:

― COMO VOCÊS CONSEGUIRAM? O fogo verde é uma arte oculta praticamente desconhecida!

O herói apenas olha para a elfa, e dá um sorriso.

O vilão, em sua loucura, diz:

― Não, não é possível! Você nunca terá o amuleto!

― Não! Maldito, você mentiu para nós!

Alron, sendo tomado pela fúria, empunha sua espada, e arremessa contra o vilão. Não o acerta, mas faz melhor. Em seu ataque de fúria, o amuleto escapa do pescoço do vilão, e é acertado pela espada. Quando a espada acerta a parede, o amuleto está pendurado na lâmina da espada.

Percebendo o que ocorreu, o herói corre, pega a espada e o amuleto, abraça a elfa, e usa o anel para ser transportado para a cripta do monstro. O portal se abre, os dois entram e reaparecem na cripta. O vilão, percebendo seu erro, se recupera de sua loucura e entra no portal antes que se feche.

Capítulo IV

Uma nova lenda

Após a chegada de Alron, Hilarya e Toba à cripta do monstro, o vilão golpeia o herói e se apodera do amuleto. Coloca-o no pescoço do monstro e, como era esperado, o monstro começou a se mexer, fazendo ruídos estranhos, mas com certa dificuldade para se levantar, já que havia ficado muito tempo imóvel.

O vilão, orgulhoso do trabalho que fez, começa a comemorar de maneira discreta, mas quando vê o monstro levantando e indo a sua direção, pensou logo em dizer algumas palavras de comando como se estivesse se referindo a um servo e pronunciou as seguintes palavras:

― Acorde, Azazwel, último dos Macedon, e me sirva como seu rei!

O monstro olhou para a face de Toba e simplesmente sentenciou:

― Você, um insignificante? Não possui o direito de dirigir a palavra a mim!

Foi quando ele levantou Toba pela cabeça, e passou dizer em alto em bom som para todos que estavam por ali, principalmente para Toba:

― Eu sou o último dos Macedon, me tornei um ser incrivelmente forte e sábio, não há nada nem ninguém nesse mundo que possa me deter, agora que eu fui despertado. Enfim poderei vingar a morte de todos meus irmãos que foram injustamente assassinados, farei com que o mundo pague por isso sem hesitar de forma alguma.

Num simples movimento de dedos ele arrancou a cabeça de Toba e a jogou no chão. Naquele momento,olhou para Hilarya, e viu que nela havia algo dele, mas que ele não conseguia mais reconhecer, já que se tratava de sua bondade encarnada em outro ser, que ele não sabia mais o que significava, pois passara a ser dominado pelo ódio e a sede de vingança.

Logo que viu no monstro seu olhar vingativo, Alron se pôs na frente da elfa na intenção de protegê-la, puxou sua espada e seu escudo e ficou em posição de combate. Ao ver aquilo, o monstro olhou para ele com olhar de pena, mas ao mesmo tempo ódio e disse:

― O que você, um simples humano, acha que poder fazer a mim, um Macedon?

― Eu realmente não sei se posso derrotá-lo, mas irei defender Hilarya com todas as minhas forças.

O monstro ri de forma debochada e pula para atacar o humano no intuito de fazer o mesmo que fez com o vilão, porém o humano desvia bem da investida do monstro e novamente se põe na frente da elfa, com a intenção de protegê-la. Foi quando o monstro o atacou rapidamente, lhe dando tempo apenas de diminuir o impacto do golpe com seu escudo, que fez com que fosse totalmente desarmado e jogado ao chão. Hilarya, vendo aquilo, não pôde mais se conter e, pegando a espada de Alron, seguiu em direção ao monstro. Olhou para Alron, e disse:

― Há uma coisa que eu não contei a você. Uma coisa muito importante que achei melhor você não saber já que percebi que estávamos nos apaixonando. Eu não sou uma verdadeira elfa, na verdade sou parte desse monstro, e quando ele morrer ao ser derramado seu sangue no amuleto, eu também morrerei, já que somos duas partes de um só ser. Você conhece a lenda sobre esse monstro, procure lembrar da parte que conta sobre a lágrima. Aquela lágrima sou eu. Eu escondi isso, pois eu sempre soube que não existe outra possibilidade de matá-lo.

O humano, sem saber o que dizer, apenas olhou para Hilarya e disse:

― Você não pode fazer isso comigo, eu amo você!

Mas Hilarya, decidida a acabar com aquela ameaça, corre em direção ao monstro e, antes que ele pudesse revidar ela agarra em seu pescoço e enfia a espada em seu próprio peito, deixando o sangue escorrer por todo o corpo do monstro, inclusive o amuleto, que foi banhado em sangue. Segundos depois ela começa a se transformar numa espécie de vapor e o monstro passa a agonizar. Nesse momento, o vapor que Hilarya se transformou vai em direção ao olho do monstro, e por fim toma novamente a forma líquida, trazendo de volta aquela lágrima que escorreu do rosto do monstro no início.

Alron, assistindo àquela cena, vê o monstro cair no chão e, por um instante, vê novamente o rosto de Hilarya estampado no rosto do monstro. Ele se levanta com certa dificuldade, chega mais perto do monstro e, antes que pensasse em se emocionar, percebeu que havia ajudado de alguma forma a salvar os seres viventes no mundo. Tomou sua espada e escudo nas mãos e usou o anel pela última vez para que pudesse sair da caverna onde tudo se passou e contar a aos seres dali que aquela ameaça não existia mais. Assim, reescreveu a lenda:

“No início dos tempos onde tudo era escuridão os quatro deuses supremos, Galdat, deus da terra, Dryon, deusa da água, Kira, deusa do fogo, Walgh, deus do ar, criaram a vida e tudo o que é existente e assim oito raças andaram pelas terras de Normak, os humanos, elfos, anões, fadas, orcs, goblins, tallkrys e os macedons, estes últimos eram seres eminentes, sublimes, que em pouco tempo aumentaram seus poderes em um nível que beirava a perfeição, perfeição essa que até os deuses invejaram e, temendo que tais poderes pudessem superar os seus próprios, eles os dizimaram, porém um entre todos eles conhecido como Azazwel adquiriu um poder muito maior e não pôde ser derrotado, vendo seus irmãos serem transformados ao pó, ele derramou uma única lágrima, que deslizou pelo amuleto em seu peito e caiu dos céus, transformando todo o sentimento bom que havia dentro do coração da besta em uma mulher, Hilarya, que foi a salvação do mundo, conseguindo destruir de uma vez por todas o terrível monstro.”

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Histórias

março 12, 2010 at 12:07 am (Histórias)

Hoje inicio uma nova categoria no meu blog. Serão algumas histórias escritas anteriormente, grande parte para a aula de Narratividade para Games, porém, algumas escritas atualmente, que eu publicarei sempre que escrever alguma parte. Espero que gostem!

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